Na existência humana, a comunicação é um processo extremamente interessante e curioso. Verbal ou não, a linguagem se dar por meio de diversos fatores, contextos e meios que fazem desta algo indispensável para a convivência humana. Desde os primórdios da humanidade que o homem já se comunicava, mesmo nem existindo a escrita ou línguas. Mas a linguagem já acontecia naturalmente por meio dos desenhos, gestos, grunhidos, danças etc..

E abrindo nossos olhos para como a comunicação acontece, conseguimos entender diversos tipos de informações mesmo sem ouvir uma única palavra. O olhar, o tom de voz, a postura, a forma de escrever… muitos detalhes desse processo acabam “falando” muito sobre tudo, muitas vezes tornando-se até incongruentes em relação ao que é realmente expressado por meio da fala. Cada contexto da linguagem exige posicionamentos com base nas intenções dos indivíduos envolvidos em um processo comunicacional, o que nem sempre significa que haja entendimento por uma das partes, pois muitas vezes, até o silêncio diz alguma coisa.

Talvez por estarmos acostumados com uma comunicação padronizada, como se todas as pessoas fossem reagir da mesma forma diante de dizeres preestabelecidos, nos esquecemos de por em prática o poder da interpretação e acabamos nos limitando apenas à linguagem verbal, ou seja, escrita ou falada. Se o silêncio também fala, imagina as decisões onde a falta da comunicação podem interferir. Atualmente, estamos vendo uma guerra acontecer entre Rússia e Ucrânia, e essa realidade tem se mostrado preocupante para todo o planeta, visto o arsenal bélico nuclear de ambos os países. Mas onde a comunicação entra nisso? Simples!

Ao mesmo tempo em que a Rússia resolveu invadir a Ucrânia, comunicando por meio de ar, mar e terra, que a sua zona de segurança se torne um país membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), esqueceu de interpretar que a melhor forma de comunicar o que deseja é entrando num acordo, conversando, buscando entender o outro lado, pois muitas tragédias poderiam ser evitadas se houvesse comunicação. Mas a ganância e a ignorância estão substituindo qualquer tentativa de linguagem inteligente entre os homens. E o que antes significava compreensão se transformou em meios agressivos de impor ideias que, como no caso da Rússia, vão contra qualquer tipo de sanidade.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Professora, jornalista e colunista. Nordestina apaixonada pela boa comunicação.