Sim, a mulher é frágil, porém, sua fragilidade se mescla de tal forma com a coragem que a natureza lhe deu que tal afirmação acaba sendo até uma ofensa. A mulher tem um dia para chamar de seu, o qual, historicamente, não foi alcançado apenas por valorizarem a figura feminina, mas para dar voz a quem sempre lutou por direitos iguais. Algo desnecessário, pois os direitos iguais são para pessoas, independente do sexo.

A mulher é tão frágil que consegue cuidar da casa, dos filhos, trabalhar fora, ser esposa, amiga, filha e profissional, conseguindo gerenciar tudo isso e oferecer o seu máximo para ver toda a orquestra da vida ao seu redor acontecer em um ritmo bastante agradável. Através dela a vida se perpetua. E isso não indica o mínimo sinal de fragilidade, afinal, são nove meses dando o sangue para gestar outro ser. Só ela sabe as dores de trazer o ser humano ao mundo. Impossível enxergar vulnerabilidade nisso.

Cada canto do seu ser foi preparado milimetricamente para a vida. A vida que surge das suas células e transborda os limites que muitos imaginam impedir seu avanço na sociedade. Advogadas, professoras, jornalistas, delegadas, policiais, enfermeiras, donas de casa… todas tem algo em comum: a beleza do ser que, muitas vezes sem condições para cuidar de si, consegue manter a feminilidade da alma. Algo que um cabelo escovado e a melhor maquiagem não conseguem substituir.

Nunca a frase “lugar de mulher é onde ela quiser” fez tanto sentido, afinal, com o passar do tempo, fomos percebendo as atrocidades sociais e culturais que a mulher já passou e como uma nova forma de pensar foi ganhando forma ao longo dos anos. Se ainda há ideias limitantes sobre o que ela deve ou não fazer da vida, isso é incontestável! Mas quando se tem sonhos e propósitos de vida, não há preconceito que abafe a voz daquela que pode exercer a profissão que quiser, decidir humanamente não ser mãe, dirigir, pilotar avião, jogar futebol, ser lutadora de MMA, cientista, escritora e, acima de tudo, chorar, disfarçar a dor, cozinhar, lavar, passar, viajar, sair com as amigas e perder o sono colocando no papel da memória projetos que estão no interior da sua essência.

Isso é ser mulher. E ser mulher também não é só isso. Ser mulher não é ser o sexo frágil. É ser um ser forte que, às vezes, tem fases onde sua força hiberna para receber os raios do sol da vida que não seria a mesma sem sua presença.

Maria Daniele de Souza Lima. Jornalista, professora, especialista em linguística e literatura. 34 anos de muita perseverança, sonhos e muita coragem para realizá-los.