Um pedaço de rocha encontrado em 2014 por dois irmãos no sertão da Paraíba, na verdade, é um meteorito cuja composição pode ajudar a entender o início do Sistema Solar. Em todos esses anos, a rocha espacial serviu como um mero objeto de decoração, até que sua natureza foi confirmada pela The Meteoritical Society.

O meteorito recebeu o nome de “Nova Olinda”, em referência à cidade onde ela foi encontrada pelos irmãos Edsom Oliveira da Silva e João Jarba Oliveira da Silva. Os dois trabalham com produção de joias e frenquentemente usam um detector de metais para encontrar ouro na zona rural do município.

A rocha espacial foi classificada como um octaedrito IIAB, um tipo comum de meteorito (Imagem: André Moutinho/Domínio Público)

Em novembro de 2014, o detector apitou bem alto quando os irmãos passaram próximos a um lago. Em entrevista ao UOL Tilt, Edsom explicou que o som era fora do comum. “Pegamos uma picareta e começamos a cavar na lama, depois de uns 60 centímetros bateu em algo”, acrescentou.

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Então, os irmãos desenterram a rocha espacial que pesava 26,93 kg. Em seguida, eles lavaram a rocha para remover a terra e logo perceberam que ela era diferente de qualquer outra observada por eles: além de brilhante e “meio enferrujada”, a rocha era bem pesada em relação ao seu tamanho.

Desde então, o meteorito vinha sendo usado como objeto de decoração na mesa de jantar de Edsom. Até que, em 2020, enquanto ele assistia a uma matéria relatando a descoberta do meteorito de Santa Filomena, em Pernambuco, Edsom se deu conta de que a rocha em sua mesa também poderia ter vindo do espaço.

Analisando o meteorito da Paraíba

Em suas buscas pela internet, Edsom encontrou André Moutinho, pesquisador e colecionador dessas rochas espaciais. “Ele me mandou fotos e o orientei a fazer alguns testes básicos, por exemplo, com ímãs”, explicou Moutinho, que pediu uma amostra de 100 gramas da rocha para realizar análises.

No mapa, o local onde o meteorito de Nova Olinda foi descoberto pelos irmãos em 2014 (Imagem: Captura de Tela/Google Maps)

A rocha é um siderito, sendo um meteorito rico em ferro e níquel, além de outros metais, como uma baixa concentração de ouro e irídio. Após danificar suas ferramentas na tentativa fracassada de abrir a rocha, os irmãos conseguiram cortá-la com a ajuda de um torneiro mecânico.

Então, parte do siderito foi enviado para Moutinho, em São Paulo, onde foi confirmado como um meteorito. A amostra também foi encaminhada para outras instituições, como a USP e UNICAMP, e a análise petrográfica permitiu a classificação oficializada pela The Meteoritical Society.

A análise de meteoritos semelhantes ao de Nova Olinda sugere que o impacto espacial que deu origem ao objeto ocorreu por volta de 4,5 bilhões de anos atrás, bem no início do Sistema Solar. Por conta do intemperismo da rocha, não há como estimar quando, exatamente, ela caiu na Terra — algo que pode ter acontecido há milhares de anos.

A Associação Paraibana de Astronomia (APA) e os irmãos que descobriram a rocha querem vendê-la para o governo do estado, para que o objeto fique em exposição no Planetário do Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa, como o 86° meteorito encontrado no Brasil e o primeiro meteorito descoberto na Paraíba.

Fonte: The Meteoritical Society, Via UOL Tilt