Preto, branco, gourmet, recheado ou com brinde dentro. Sobram opções para quem não abre mão do chocolate na Páscoa. Porém, os preços não andam nada doces. No caso dos ovos de supermercado, por exemplo, a alta chega a 40% neste ano.

Mesmo com a expectativa otimista para as vendas no varejo, o resultado de 2022 pode continuar abaixo do período pré-pandemia, segundo uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A projeção é que as vendas no setor deverão totalizar R$ 2,16 bilhões neste ano, representando um aumento de 1,9% em comparação a 2021. Ainda assim, o resultado ficará 5,7% abaixo do alcançado antes do início da crise sanitária, em 2019, com R$ 2,29 bilhões.

Esse panorama pode ser explicado pela alta da inflação, que já soma 10,79%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Não foi apenas a gasolina, mas os alimentos da cesta básica, carnes, verduras, legumes, laticínios e, ele, o chocolate também mostraram alta significativa nos últimos 12 meses.

“Não teve como segurar os preços”

Desde 2017, Beatriz Cassemiro, 26, vende ovos de colher por meio de sua marca, a Bibi Doçuras, em Bonsucesso, zona norte do Rio de Janeiro. Com o chocolate 11,3% mais caro nos últimos 12 meses, segundo o IPCA-15, a empreendedora precisou repassar o aumento.

Seus ovos gourmet custarão de 20% a 35% a mais, dependendo do recheio. “Não teve como segurar. Um pote de Nutella que custava R$ 99 no ano passado, vale R$ 160 nesse ano”, afirmou, ao Metrópoles.

Segundo Beatriz, o aumento não ficou apenas nos ingredientes. “As embalagens, papel, plástico, tudo aumentou. As bolsinhas que antes custavam R$ 2 foram para R$ 4”, calculou.

Sua fábrica pretende produzir 550 ovos recheados nesta Páscoa. “Nossa meta é aumentar as vendas de 20% a 30%, em comparação ao ano passado. Mas também estamos em uma situação econômica diferente de 2021”, disse ela, cujos ovos variam de R$ 59,90 a R$ 129,90.

Ovos 40% mais caros

O chocolate em barra e os bombons, itens coringas para presentear, também encareceram. Segundo o IPCA-15, a alta nesses itens se mostrou de 9,43%. De acordo com levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS), os ovos de Páscoa estão até 40% mais caros em relação a 2021, mas a estimativa do setor é de um aumento de 36% nas vendas na Páscoa de 2022.

“O cacau, o açúcar e o leite, por exemplo, assim como a variação do dólar, contratações, distribuição e impostos, influenciam no preço do chocolate”, explica Ubiracy Fonsêca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab). “No caso dos ovos de Páscoa, há de se considerar um processo de produção de alta complexidade, custos de embalagem, armazenagem e logística.”

No supermercado Mundial, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, por exemplo, os ovos aparecem mais tímidos, mas marcam presença em um corredor. Os valores da guloseima por lá variam de R$ 37,50 (176g) a R$ 98,90 (350g).

As indústrias produziram desta vez 9 mil toneladas de ovos e produtos de Páscoa, o que demonstra uma recuperação de 6% comparado a 2021. Foram criados 8,5 mil postos de trabalho temporários no Brasil nessa época, sendo contratações diretas e indiretas, tanto em fábricas quanto em pontos de venda, segundo a Abicab.

Apostas

Em tempos de crise, as grandes produtoras do ramo apostam em itens menores e mais acessíveis. “Diante do cenário de inflação, tivemos um aumento de custo das matérias-primas e parte desse valor acaba sendo repassado ao produto final. Por isso, nosso portfólio conta com opções de valores variados”, explicou Marcos Freitas, ao Metrópoles, gerente de marketing de sazonais da Nestlé.

A marca contará com uma linha especial. “São itens menores com preços mais acessíveis, como os mini ovos e os coelhos de chocolate”, completou.

A alta nos combustíveis, que também impacta nos preços, não deverá ser um problema para a Lacta, outra gigante do setor. “A Páscoa exige um planejamento de 18 meses, e toda a produção começou em outubro e foi finalizada no final de fevereiro. Não teremos alta por conta da alta do combustível, vamos seguir o planejamento que já havíamos construído”, explicou Renata Vieira, porta-voz da companhia.

Em 2021, a empresa aposta nas vendas on-line e projeta 10% de crescimento nessa época.

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