BRASÍLIA —A geração própria de energia atingiu nesta terça (29/3) a marca de 10 gigawatts (GW) de potência instalada no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

A associação aponta para o ritmo acelerado de instalações no primeiro trimestre, com a adição de 1 GW no período de 67 dias.

“O intervalo foi maior que o percorrido para alcançar o gigawatt anterior. Levando em conta que o primeiro trimestre sempre é impactado por feriados e funciona como um período de tomada de decisão para novos projetos, reafirmamos que 2022 será um ano de aceleração sem precedentes do crescimento da geração distribuída”, explica Guilherme Chrispim, presidente da ABGD.

Entre 10 de dezembro e 21 de janeiro, o país saiu de 8 GW para 9 GW de potência instalada — um intervalo de 42 dias. Até então, a variação desses intervalos ficava entre 100 e 90 dias.

A expectativa da ABGD é que o país ultrapasse 15 GW até o final de 2022.

“O setor está no ano da corrida ao sol. Com o novo marco legal, há uma antecipação de projetos para garantir um melhor resultado do investimento na geração própria de energia até 2045, já que a lei prevê esse benefício para quem ingressar no sistema de compensação até 6 de janeiro de 2023”, acrescenta.

Os sistemas implementados após 6 de janeiro passarão a pagar um porcentual da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUDS), de acordo com o marco da mini e micro geração distribuída.

Para Chrispim, mesmo após esse período, a geração própria de energia continuará sendo atrativa.

Com mais de 1,17 milhão de conexões totais, a geração distribuída nacional está dividida entre as classes de consumo residencial (43,6%), comercial (33,2%), rural (13,9%) e industrial (7,9%). Entre as fontes dos sistemas de mini e microgeração de eletricidade, a energia solar é a mais presente no País, representando 97,7% do total; seguida por termoelétrica (1,2%), Central Geradora Hidrelétrica — CGH (0,87%) e eólica (0,18%).

Adição de 8 GW em 2022

O setor espera alcançar, em um ano, resultado semelhante ao da última década, e adicionar 8 GW de potência.

“Acrescentar cerca de 8 GW em apenas um ano significa entregar o equivalente a meia Itaipu. O que está sendo feito com investimentos privados das mais diferentes grandezas: desde usinas de 5 megawatts até cidadãos que financiam um pequeno conjunto de placas fotovoltaicas para instalação residencial”, ressalta Guilherme Chrispim.

“Em 2022, a geração distribuída vai fazer 10 anos em 1, dobrando a capacidade instalada implementada nos dez anos anteriores”, comemora o presidente da ABGD.

O aumento da demanda pelos sistemas fotovoltaicos deve trazer também desafios, tanto no fornecimento de equipamentos quanto em profissionais especializados.

No ano passado, o país atingiu 807,2 mil instalações fotovoltaicas, segundo a Aneel — um crescimento de 100% em relação a dezembro de 2020.

Para atender esse aumento, o mercado brasileiro demandou mais de 9,7 GW em módulos fotovoltaicos em 2021, tanto para GD quanto para geração centralizada. O crescimento foi de 104% em relação a 2020, aponta um estudo da Greener.

Consumidor residencial respondeu por 52% do mercado em 2021

A classe residencial foi destaque no avanço da geração distribuída solar em 2021, com 52% do volume adicionado, enquanto a classe comercial foi responsável por 27%, mostra um levantamento da Greener sobre o desempenho da GD no ano passado.

“A permanência do modelo de trabalho remoto, a energia elétrica mais cara e o maior acesso ao financiamento podem ser fatores decisivos na escolha da GD pelos consumidores residenciais nos próximos meses”, diz a consultoria.

Já a queda das atividades comerciais no período de pandemia pode ter puxado para baixo novas instalações nesse segmento. O preço também se mostrou fator decisivo.

A restrição da cadeia produtiva mundial, somada à disparada dos preços do frete e à valorização do dólar, impactaram diretamente os custos dos módulos fotovoltaicos em 2021.

Preços de sistemas fotovoltaicos tiveram elevação média de 8%.

 

 

FONTE: EPBR