O governador João Azevêdo inaugura nesta quinta-feira (31), o Memorial Abelardo da Hora (MAH) no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. O local resguarda o acervo assinado pelo artista plástico, famoso por esculpir corpos em concreto e bronze.

O equipamento cultural está instalado no Espaço Cultural e a inauguração acontece às 16h, com a presença de autoridades e familiares do artista.

O evento conta ainda com o lançamento do livro “Poemas Reunidos”, de Margarida Lucena da Hora, esposa do artista e nascida na cidade de Guarabira.

Conforme explica o presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, Pedro Santos, a estrutura do memorial foi concluída em 2020, quando recebeu a instalação do projeto expográfico e luminotécnico. “Com o avanço da pandemia, houve a necessidade de aguardar o momento propício para a realização do transporte das obras, que foi cuidadosamente acompanhado pela família do artista”, comentou.

Para transportar o acervo de Recife para João Pessoa foram necessários sete caminhões baús, além de equipamentos específicos como caminhões guindastes, paleteiras manuais e içadores para lidar com cerca de 18 toneladas de obras de arte. Avaliado em R$ 11 milhões, o acervo inclui esculturas monumentais, além de peças em bronze e cimento, cerâmicas, tapeçarias e pinturas, totalizando 215 obras.

Para receber o acervo, o Governo da Paraíba investiu aproximadamente R$ 1 milhão com a construção da estrutura que abrigará o memorial, a contratação e implantação dos projetos expográficos e luminotécnicos, além dos serviços de transporte das obras de arte e de montagem do acervo. A logística de transporte também contou com o apoio da Polícia Militar da Paraíba.

Após a inauguração, o memorial ficará aberto para visitação pública. Além de promover o acesso da população ao acervo, incluindo atividades educativas, a Funesc também realizará cursos, debates e eventos a partir da obra de Abelardo da Hora e de temas abordados pelo artista, como direitos humanos, democracia e as lutas sociais.

Para Maria Botelho, diretora do MAH, o papel socioeducativo da instituição museológica deve refletir sobre a trajetória de vida e produção artística de Abelardo da Hora, transformando seu legado em fonte de inspiração e referência para futuras gerações. “’Abelardo de todas as horas’, termo cunhado por Paulo Bruscky em 1988, é sem dúvida a expressão que reflete com maior precisão a dimensão atemporal do artista Abelardo da Hora. De tal forma, a instituição museal reúne um acervo pungente e absolutamente atual de um artista modernista que representou como nenhum outro a cultura erudita e popular brasileira”.

Ainda de acordo com o presidente da Funesc, Pedro Santos, a inauguração do Memorial Abelardo da Hora integra um conjunto de ações que envolve a construção e a requalificação de de equipamentos culturais na Paraíba. Desde 2019, foram entregues pelo governador João Azevêdo o Teatro Santa Catarina, em Cabedelo; o Centro de Referência da Renda Renascença e do Artesanato, em Monteiro; o Museu da Cidade de João Pessoa e o Museu Casa do Artista Popular Janete Costa. Além destes, estão programadas as entregas da Biblioteca Pública Augusto dos Anjos e da Escola Técnica Estadual de Artes, ambas em João Pessoa.

Abelardo da Hora – O artista é reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros e deixou um acervo com quase 300 peças, entre esculturas, telas e outras obras. Nasceu em 1924, na cidade de São Lourenço da Mata, em Pernambuco. Cursou Artes Decorativas no Colégio Industrial Professor Agamenon Magalhães e o Curso Livre de Escultura da Escola de Belas Artes do Recife.

Além da trajetória que o consagrou como um dos grandes nomes das artes plásticas do Brasil, sobretudo no campo da escultura, teve grande participação na vida política como dirigente do Partido Comunista Brasileiro, integrando a luta pela redemocratização do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960. Foi casado com a poetisa paraibana Margarida Lucena da Hora, nascida na cidade de Guarabira, com quem teve sete filhos: Lenora, Sandra, Leda, Ana, Sara, Iuri e Abelardo Filho. Faleceu em Recife, em 2014, aos 90 anos.
 

 

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