Os bombardeamentos russos continuaram esta quarta-feira, em intervalos regulares, na cidade industrial de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, tendo o exército russo lançado ainda um ataque aéreo no sul, visando uma instalação petrolífera em Novomoskovsk.Severodonetsk, com mais de 100.000 habitantes antes da guerra, é a cidade mais oriental ocupada pelo exército ucraniano, muito próxima da linha de frente com os territórios separatistas pró-russos.

Nos últimos dias, o exército russo tinha prometido intensificar os ataques no leste do país, incluindo na região de Lugansk, onde Severodonetsk está localizada.

Um comboio humanitário da ONU de oito camiões conseguiu chegar a Severodonetsk na terça-feira, levando rações de comida, farinha e cobertores para cerca de 17 mil pessoas, além de quatro geradores elétricos para os hospitais da cidade.

Entretanto, esta noite, o exército russo lançou um ataque aéreo no sul da Ucrânia, contra uma instalação petrolífera em Novomoskovsk, na região de Dnipropetrovsk, no que parece ser mais uma tentativa de Moscovo de destruir as infraestruturas do país vizinho.

Não houve vítimas deste bombardeamento, de acordo com as autoridades regionais ucranianas.

“A noite foi alarmante e difícil. O inimigo atacou a nossa região pelo ar e atingiu o depósito de petróleo e uma das fábricas. O depósito de petróleo foi destruído”, disse o chefe da Administração Militar Regional de Dnipropetrovsk, Valentyn Reznichenko, que referiu o deflagrar de um incêndio que durou mais de oito horas.

A Câmara Municipal de Novomoskovsk também noticiou o ataque em que cinco armazéns foram destruídos e uma área de mais de 500 quilómetros quadrados foi afetada.

Esta não é a primeira vez que o exército russo lança ataques contra infraestruturas estratégicas na Ucrânia. No passado fim de semana, duas refinarias de petróleo ucranianas foram atacadas: a de Kremenchuk, no centro e a maior do país, e a de Odessa, uma cidade portuária estratégica no sul.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.480 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2.195, entre os quais 266 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

 

  • CORREIO DA MANHÃ