O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, solicitou à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS) uma nova análise do texto que propõe diretrizes para tratar pacientes com Covid-19 para incluir novos medicamentos para tratar a doença.

O pedido se refere especialmente ao trecho que contraindica o uso de medicamentos que integram o apelidado kit Covid. Queiroga explicou, nesta quinta-feira, que houve “perda de objeto” em razão da incorporação de novos remédios indicados para o tratamento e, por isso, demandou uma modificação.

“A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) defende o que chama de diretriz viva”, justificou o ministro, defendendo que as recomendações precisam ser atuais, acolhendo novos medicamentos que, à época em que as diretrizes foram elaboradas, ainda não estavam incorporados ao SUS.

É o caso do Baricitinibe, disponibilizado para tratamento de pacientes adultos internados que necessitam de oxigênio por máscara ou cateter nasal. Já o Paxlovid, indicado para impedir a evolução da doença para quadros graves, ainda passará por consulta pública, mas a incorporação já possui sinal verde da própria Conitec e a ideia é que na revisão já haja um parecer em relação ao uso do medicamento.

O pedido à Conitec vem em resposta ao recurso protocolado pelo grupo de estudos responsável pela elaboração das diretrizes. Os estudos, aprovados pela comissão, não passaram pelo crivo então secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Hélio Angotti, que rejeitou os quatro relatórios que formavam as orientações.

Quatro meses após a comissão aprovar as diretrizes, Queiroga voltou atrás na decisão de Angotti e acolheu, na íntegra, dois dos relatórios: o que discorre sobre controle da dor, sedação e delirium em pacientes sob ventilação mecânica invasiva e o que orienta sobre assistência hemodinâmica e medicamentos vasoativos.

“Foi feito um recurso ao ministro e, conforme eu disse, eu iria julgar. Dois dos capítulos eu acatei na íntegra e um terceiro acatei parcialmente, já que havia uma desatualização”, justificou Queiroga, em conversa com jornalistas, nesta quinta-feira. Além da atualização do texto com os medicamentos já incorporados ao SUS, o ministro pediu uma avaliação do uso de bloqueadores de interleucina-6, já que estudos indicam redução de mortalidade em pacientes hospitalizados. “Hoje existe um dispositivo legal que permite ampliar o uso para além do que está na bula”, disse.

 

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