Há cinco anos resolvi reunir pessoas próximas, algumas não se conhecem entre si, até reuni-las em torno da mesa de café, geralmente nos finais de tarde, em nossa casa. Assim nasceu a Confraria dos Amigos do Café. 14 de abril é celebrado o Dia Mundial do Café, e na última quinta-feira, reuni um grupo para tomar um café, logo a nas primeiras horas do dia. Antes, entrei em contato com um canal de TV, que programou para mostrar nossa Confraria, ao vivo, e assim mostramos um seleto grupo de apreciadores da bebida, reunidos em torno da mesa.

Confraria do Café do Luiz Thadeu, recebendo equipe de reportagem da Tv Mirante, afiliada da Tv Globo no Maranhão.

Segunda bebida mais consumida no mundo é também aquela que hoje serve como instrumento para aproximar ainda mais as pessoas. A pergunta “vamos combinar um café qualquer dia desses?” poderia ser considerada universal quando o assunto é marcar encontro com pessoas queridas ou uma reunião qualquer.


O Brasil é considerado hoje o maior produtor de café do mundo, de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC). Pesquisas divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), a bebida é consumida em 97% dos lares brasileiros, perdendo apenas para a água.


Mas sua pulverização e popularidade ao redor do planeta foram resultado de um processo de muitos anos. Original da Etiópia, diz a lenda que o café foi descoberto por um pastor africano após observar que suas cabras ficavam muito alegres e cheias de energia depois que mastigavam esses frutos até então desconhecidos.

A Europa foi responsável por disseminar o alimento. A tradição de se tomar um cafezinho como vemos hoje se popularizou a partir de 1450 e evoluiu muito até os dias de hoje, em que são encontradas centenas de variedades do fruto.

Hoje, o café está atrelado a uma experiência. O consumo do líquido cresceu nos últimos anos tanto quanto o da cerveja. São diversas opções que o consumidor tem. Percebemos atualmente que há uma preocupação com a qualidade do que está sendo tomado, além do interesse do público em saber mais sobre isso. O café e a forma como tomá-lo foram evoluindo com a história, assim como a sua qualidade.

Há mais de 300 variedades possíveis dentro de duas espécies mais comercializadas: Arábica e Canephora – a segunda possui o dobro de cafeína da primeira, que é mais encontrada nos cafés especiais. Falar sobre o que é um café de qualidade é algo complexo quando se tem tantas opções disponíveis. Mas o fato é: o café se tornou coisa séria e estudada, desde a sua plantação, passando pela torra, até chegar à forma como consumimos.

Para qualquer leigo, cafés são todos iguais, só se percebe quando um é mais fraco ou mais forte. O que muita gente nem imagina é que há cerca de 40 anos um novo mercado surgiu e tem dominado o cenário: o dos cafés especiais.

Esse ‘novo’ universo conta com personagens interessantes, muitas vezes desconhecidos do público, que fazem a diferença para que a bebida chegue a seu formato final e agrade o paladar de diferentes pessoas. Cientistas, baristas, provadores profissionais, mestre de torras, universidade especializada no assunto e até campeonatos compõem essa atmosfera, com tantas peculiaridades e detalhes.

Um ‘café especial’, é chamado assim após um processo de avaliação, que conta com profissionais chamados de ‘Q Grader’ (avaliador de qualidade), gabaritados especificamente para dar notas aos frutos. Seguindo um protocolo internacional, esses avaliadores analisam diversos aspectos como fragrância, acidez, corpo, qualidade do sabor e dão uma nota. Se ela for superior a 80, o café é considerado especial.

Apesar das inúmeras cafeterias espalhadas por nossa Ilha do Amor, o costume de preparar um café em casa nunca será perdido. Sentir o cheiro gostoso do pó, cuado, é mexer com nossa memória olfativa.
Em torno de uma mesa, podemos reunir pessoas, degustar um bom café, contar histórias, ouvir relatos, pois o café agrega, congrega, e proporciona momentos únicos e marcantes. Nestes cincos anos, reuni pessoas tão diferentes, que desfrutaram de bons momentos.

Nas andanças pelo mundo, reservo tempo para um café, nos finais de tarde, geralmente sentado do lado fora dos Cafés, a observar o frenesi dos transeuntes que retornam do trabalho, alguns com filhos saídos da escola. Tive esse experiência em Jerusalém, Shanghai, Auckland, Fairbanks, Kathmandu, Paris, Dublin, Ushuaia, Quito, Buenos Aires e NY, e muitos outros lugares, em todos os continentes.

Que nunca nos falte bons cafés e tempo para celebrar as coisas boas e simples da vida. Parafraseando a bela canção de Gilberto Gil, “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”. Nem o café. Vai um café aí?

Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes.