Ou melhor: em que transformaram a Páscoa?

A Páscoa do chocolate e do coelhinho. A Páscoa do “jejum” em forma de presentes. A Páscoa dos ovos, mesas fartas, doces, bolos e guloseimas diversas. Do comércio agitado, do corre-corre para comprar o famigerado ovo de Páscoa, para agradar as pessoas queridas. Não que a compra e venda do chocolate nessa época do ano seja errado. Muitas famílias conseguem um dinheiro extra, graças ao fervor da oferta e procura comercial, dos símbolos fofinhos, “de olhos vermelhos e de pelos branquinhos” que aparecem no calendário.

Porém, o que causa espanto é ver que o verdadeiro significado da Páscoa está se perdendo com o tempo, dando espaço à tantas coisas, menos ao que interessa: a nossa salvação. O respeito sobre a Semana Santa praticamente não existe por parte da maioria. Por mais que a cultura brasileira seja diversificada, religiosamente falando, o respeito não pode variar, afinal, o espaço do sagrado precisa ser considerado, independente de crenças.

Antigamente, a Semana Santa era um período de reflexão extrema, quando as pessoas buscavam ao máximo desprender-se de todas as suas vaidades e prazeres para dedicar-se às datas que, segundo a Igreja Católica, marcam o processo de perseguição, crucificação e ressurreição de Jesus Cristo. É curioso observar que, segundo a Bíblia Sagrada, o início dessa Semana se dá a partir do momento em que Jesus cruza os portões da cidade de Jerusalém, durante o Domingo de Ramos, onde foi recebido por muitas pessoas, segurando ramos de palmeira. Sim, as cidades daquela época tinham portões e muros para protegê-las dos inimigos. Eram as cidades fortificada.

E transformando aquela realidade em ensinamento, o que me vem à mente enquanto escrevo este texto, é como precisamos segurar nossos ramos para receber Jesus, permitindo que Ele cruze os portões no nosso coração e faça presença no mais íntimo do nosso ser. Os ramos do rancor, da humilhação, da inveja, tristezas e indecisões.

E quando Deus veio em forma de homem, montado em um burrinho, Jerusalém o recebeu com alegria e, mesmo assim, perseguiram-no, traíram e crucificaram. Responsáveis? Aqueles por quem deu a própria vida para salvar. Nunca vamos compreender realmente o sentido de muitas coisas e nem o tamanho do significado do amor de Deus por nós, mas podemos nos esforçar para entender que Jesus está vivo, e respeitá-lo é saber viver a Páscoa.

Na verdade, nossa vida inteira deve ser Páscoa. Vamos cair de vez em quando, segurando nossas cruzes, nossos medos e fraquezas. Seremos exaltados e humilhados. Beijados e cuspidos. Porém, no final, a vitória é uma certeza. Cada detalhe desses fatos são flashs do que vivemos, basta observar direitinho.

E para você, o que significa a Páscoa? Observe as estações do ano…

 

Por Maria Daniele de Souza Lima. Professora, colunista e estudante de Jornalismo. Paraibana, apaixonada pela comunicação.