Em 2021, o Brasil foi responsável por mais de 40% da perda de floresta primária tropical, derrubando um total de 1,5 milhão de hectares. Os dados são da Global Forest Watch, plataforma que monitora informações de desmatamento em todo o mundo. Em segundo lugar na lista está a República do Congo, com 499 mil hectares derrubados.

“Como o país com a maior floresta tropical primária, o Brasil consistentemente lidera a lista de maior perda de floresta primária”, informa o relatório.

Segundo a plataforma, as perdas relacionadas a incêndios flutuam de acordo com o nível de queimadas descontroladas. “Enquanto isso, as perdas não relacionadas a incêndios, que no Brasil são mais frequentemente associadas à expansão agrícola, aumentaram 9% de 2020 a 2021”, relatou, citando dados do sistema de monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O relatório explicou que a Amazônia ocidental brasileira, em particular, “enfrentou uma intensificação da perda de florestas primárias, com seus principais estados experimentando aumentos superiores a 25% na perda não causada por incêndio de 2020 a 2021”.

“Esta parte da Amazônia tem vários hotspots [áreas naturais com grande diversidade ecológica e que estão em risco de extinção] de perda de floresta primária, o que significa lugares que experimentaram uma aparência estatisticamente significativa de novas perdas em 2021. Muitas das novas áreas prioritárias abrangem clareiras em grande escala – provavelmente para pastagens de gado – ao longo das estradas existentes”, ressaltou.

Conforme avaliado pela Global Forest Watch, a perda florestal no Brasil é preocupante “dada a nova evidência de que a floresta amazônica está perdendo resiliência e pode estar mais perto de um ponto de inflexão do que se pensava anteriormente, onde as interações entre desmatamento, mudanças climáticas e incêndios levam à transformação irreversível de grandes áreas da Amazônia em uma savana”.

“Isso não apenas resultaria em grandes quantidades de perda de biodiversidade e emissões de carbono, mas também interromperia os padrões de precipitação críticos para a produção agrícola”, explicou.

Fonte: Portal R7