A Petrobras está há 52 dias sem reajustar os preços nas refinarias, mas o valor do litro da gasolina bateu novo recorde nos postos brasileiros na semana passada, enquanto o diesel subiu pela segunda semana consecutiva, de acordo com dados da ANP. Em paralelo, no mercado global, os preços do diesel continuam em alta. A defasagem da Petrobras para os preços internacionais pressiona a estatal a anunciar um novo reajuste.

– Os altos preços do gás natural levaram a Europa a substituir combustíveis na geração de energia, o que contribui para a alta do diesel no mercado global. Os preços do derivado se descolaram do petróleo.  A situação aumenta a pressão para que a Petrobras reajuste os preços do derivado nas refinarias. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a estatal pode anunciar aumentos de preços “a qualquer momento”.

– Nos cálculos da consultoria Stonex, o diesel vendido pela Petrobras está 20%, em média, abaixo do preço de paridade de importação (PPI). A defasagem da gasolina é menor. Segundo a Abicom, o derivado está 11% abaixo dos preços de importação,

– Nas bombas, o preço da gasolina subiu pela terceira semana consecutiva. O preço médio do litro do combustível aumentou 0,18% na semana passada, para R$ 7,283. Este é o maior valor nominal desde que a ANP passou a fazer levantamento semanal de preços, em 2004. O maior preço apurado nos mais de 5 mil postos pesquisados foi de R$ 8,599 o litro, e o menor, R$ 6,290. g1

— O valor recorde também foi apurado pela ValeCard, empresa especializada em soluções de gestão de frotas que verifica os preços desde janeiro de 2019. O preço médio da gasolina fechou abril em R$ 7,524. Em comparação com março, quando a média nacional era de R$ 7,288, o valor subiu 3,24%. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 31,14%. Estadão

— O levantamento semanal da ANP também apontou aumento no preço do litro do diesel nas bombas, de 0,15% na semana passada, para R$ 6,610 o litro.

– O último reajuste dos combustíveis líquidos promovido pela estatal em suas refinarias ocorreu em 11 de março. Na ocasião, a gasolina subiu 19%; o diesel, 25%; e o GLP (gás de cozinha), 16%.

— O reajuste fez com que o presidente Jair Bolsonaro (PL) – apontado em pesquisa Genial/Quaest como o principal responsável pela inflação dos derivados no país – mudasse o comando da estatal. O general Joaquim Silva e Luna foi substituído por José Mauro Coelho, ex-secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia.

— Bolsonaro faz críticas à política de preços da Petrobras, alinhada ao PPI desde outubro de 2016. Coelho, porém, já se declarou favorável à prática de preços de mercado.

Gás natural 19% mais caro No domingo, ocorreu o primeiro reajuste de preços da Petrobras na gestão de Coelho. Os novos valores do gás natural vendido pela estatal às distribuidoras valem até 31 de julho. O aumento faz parte dos reajustes trimestrais previstos nos contratos de suprimento com as concessionárias e já era aguardado pelo mercado, antes mesmo da troca no comando da petroleira.

— O repasse para o consumidor final vai variar de estado para estado, de acordo com o tipo de contrato em vigor, tributos e com as regulações estaduais que definem as margens e mecanismos de repasse dos custos com aquisição de gás. Além disso, cada segmento de consumo possui tarifas diferentes.

— No Rio de Janeiro, por exemplo, a CEG, controlada pela Naturgy, vai reajustar em 19,58% a tarifa do gás natural veicular (GNV). O aumento para as indústrias será de 18,52%, enquanto para as residências a alta será de 6,8% nas tarifas e para o comércio, 7,05%.

FPSO Guanabara dá a partida em Mero A Petrobras iniciou a operação da unidade, a primeira plataforma do sistema definitivo de produção do campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos. O primeiro óleo foi produzido no sábado (30/4). Na primeira fase do projeto, serão interligados seis poços produtores e sete poços injetores. O FPSO Guanabara tem capacidade para processar até 180 mil barris de óleo por dia.

— Mero operava por meio de um sistema de produção antecipada. A previsão da Petrobras é colocar em operação um FPSO por ano na área até 2025.

— A petroleira brasileira é a operadora de Mero (40%) e tem como parceiras Shell (20%), TotalEnergies (20%), CNOOC (10%) e CNPC (10%). Ele será o terceiro maior campo do pré-sal, atrás de Búzios e Tupi (ex-Lula).

Petróleo cai na sexta, mas fecha semana em alta O óleo chegou a subir com a notícia de que a União Europeia (UE) prepara um embargo gradual ao petróleo russo, mas o movimento arrefeceu ao longo da sessão de sexta-feira (29/04). O Brent para julho caiu 0,11%, para US$ 107,14 o barril, e o WTI para junho recuou 0,63%, a US$ 104,69 o barril. No balanço semanal, porém, a commodity teve alta: o Brent subiu 0,46%, e o WTI, 2,56%. Estadão

Apesar das sanções, exportações de petróleo russo crescem As vendas do óleo bruto da Rússia no mercado internacional aumentaram 17% em abril, segundo cálculos da agência Bloomberg com base em dados do Ministério da Energia da Rússia. O país exportou 4,66 milhões de barris/dia nos 28 primeiros dias de abril.

— A produção de petróleo da Rússia no entanto, caiu 8,7% em relação a março, para uma média de 10,05 milhões de barris/dia, de acordo com a Bloomberg. É o nível mais baixo para o país desde novembro de 2020, em meio à pandemia. Valor

Unigel quer mais uma unidade de fertilizantes da Petrobras A companhia do setor químico está interessada na compra do projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) III, em Três Lagoas (MS), informou a Reuters. As negociações entre a estatal e a russa Acron para a venda do ativo fracassaram.

— A Unigel arrendou as fábricas de fertilizantes da Petrobras em Sergipe e na Bahia. Em entrevista à agência epbr, o CEO da companhia, Roberto Noronha Santos, defendeu que o Programa Nacional de Fertilizantes, do governo federal, deve priorizar a competitividade do gás e da energia elétrica para estimular o segmento.

Justiça mantém desoneração da indústria química O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anulou os efeitos da Medida Provisória 1095, editada pelo governo em 31 de dezembro de 2021 para revogar os benefícios fiscais do Regime Especial da Indústria Química (Reiq). A ação foi movida pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A MP 1095/2021 foi a segunda tentativa do Ministério da Economia para acabar com os descontos na tributação do setor.

Shell conclui venda de divisão de lubrificantes para a Raízen O negócio inclui a planta de lubrificantes na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro; a base de óleos em Campos Elíseos, em Duque de Caxias (RJ); a divisão de lubrificantes para navios Shell Marine; e os negócios de oferta e distribuição de lubrificantes no país. Após a conclusão da transação, a marca Shell seguirá em destaque, por meio do acordo de licenciamento com a Raízen.

Louis Dreyfus conclui teste de B30 no transporte marítimo A mistura de 30% do biocombustível no combustível marítimo de origem fóssil foi feita em colaboração com a fabricante de navios Wisby Tanke, da Suécia. Segundo a Louis Dreyfus, a viagem durou 55 dias: a embarcação partiu do terminal em Ghent, Bélgica, até outro terminal da companhia em Santos, Brasil, e retornou  com uma carga completa de sucos de laranja. O percurso serviu para medir o impacto da mistura B30 no sistema de combustível do navio e no desempenho geral.

EUA confirmam 15% de etanol na gasolina A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) autorizou oficialmente as vendas de gasolina com mistura de 15% de etanol (E15) durante o verão no Hemisfério Norte. A permissão é emergencial, diante da escalada de preços da gasolina causada pela guerra na Ucrânia. Valor

PL propõe isentar GD de bandeira tarifária O Projeto de Lei 918/2022, do deputado Antônio José Albuquerque (PP/CE), propõe isentar de bandeira tarifária os consumidores que produzem a própria energia a partir de fontes eólica ou solar, no modelo de geração distribuída (GD). A proposta chegou à Comissão de Defesa do Consumidor na semana passada, três meses após sanção do marco legal da microgeração e minigeração distribuída, que mudou as regras do setor para acabar com subsídios cruzados.

 

  • FONTE: EPBR