Um dia antes do “grande encontro” entre os grupos do governador João Azevêdo (PSB) e do ex-governador Ricardo Coutinho (PT) no lançamento da pré-candidatura de Lula a presidente, o Diretório Regional do PT da Paraíba divulgou uma ‘resolução política’ para formalizar seu posicionamento no imbróglio. O evento ocorre em São Paulo, neste sábado (7).

No documento, o partido reafirma o compromisso com o MDB do senador Veneziano, pré-candidato ao governo, com foco na eleição de Lula em outubro, e faz duras críticas a João Azevêdo, que tem buscado o apoio de Lula para seu projeto de reeleição.

“Em virtude de sua história política, experiência administrativa, protagonismo no enfrentamento aos desmandos do atual governo e alinhamento com a bancada do PT no Senado Federal, Veneziano é com certeza o melhor nome para governar a Paraíba pelos próximos quatro anos”, diz o PT, na resolução.

O PT estadual afirma que a decisão está em total sintonia com nossa Direção Nacional e o Presidente Lula, que reafirma que continuará a construir com o MDB da Paraíba um projeto político unificado em defesa da democracia, da inclusão social e da retomada do desenvolvimento do nosso Estado.

Em relação ao governador, o PT questiona que “João Azevedo rompeu com o programa de governo que apresentou ao povo paraibano em 2018, afastou-se dos princípios políticos que levaram o PT a apoiá-lo naquele pleito eleitoral e se juntou ao que existe de mais atrasado, retrógrado e conservador em nosso Estado. O resultado é um governo paquidérmico, imobilizado pela sua própria inação. Um governo sem nenhuma perspectiva de futuro”.

 

Confira a nota na íntegra:

 

RESOLUÇÃO POLÍTICA

O Brasil vive um dos piores momentos de sua história recente, mergulhado numa profunda crise humanitária, econômica, política e institucional.

Primeiramente, vivemos um grave processo de corrosão do Estado Democrático de Direito reconquistado após o fim da ditadura militar com a promulgação da Constituição de 1988, processo esse fomentado por interesses imperialistas e do grande capital internacional e desencadeado por uma classe dominante predatória, por elites políticas conservadoras e antipovo, pela mídia hegemônica e setores do Judiciário que promoveram o lawfare que resultou na prisão política do Presidente Lula e, consequentemente, na emergência de um governo de extrema-direita no país, eleito por meio da mentira, do ódio e da fraude.

Empossado, Jair Bolsonaro aparelhou a Polícia Federal, instalou um gabinete de ódio no Palácio do Planalto, armou milícias até os dentes, açulou a insubordinação nas polícias militares e granjeou – com o seu proselitismo chulo financiado à custa do dinheiro público – uma horda de fanáticos, anônimos e famosos, dispostos a tudo pelo “mito”. Essa conjunção nefasta de forças reacionárias em torno do Presidente da República conta, em seu núcleo, com um generalato de baixa extração, entreguista e nababesco, e uma oficialidade cujo único interesse é se locupletar ocupando cargos públicos, todos em prontidão – sob o espúrio pretexto da insegurança das urnas eletrônicas e tendo o Supremo Tribunal Federal e TSE como inimigos declarados – para impetrar mais um golpe de Estado nesse país, quando as pesquisas de opinião apontam, com cristalina regularidade, que a vontade do povo brasileiro é reconduzir Lula à Presidência da República.

Não poderia ser diferente, pois o povo, que não é bobo, sente na pele as consequências perversas da crise e quer mudança. De fato, a imposição do receituário neoliberal mais tosco por meio da PEC 95, das reformas trabalhista e previdenciária, do desmonte das políticas públicas inclusivas e redistributivas dos governos Lula e Dilma, da paralisia do investimento público em obras de infraestrutura, saneamento, moradia popular etc., da privatização de ativos lucrativos das empresas estatais e da dolarização dos preços dos combustíveis levaram o Brasil ao caos
econômico e à recessão, provocando a desindustrialização, um aumento exponencial do desemprego, do subemprego e do desalento, e trazendo de volta a carestia, a miséria e a fome.

Como se não bastasse, diante da maior crise sanitária vivida pelo país em 100 anos, esse governo fascista mostrou-se negacionista, cínico, corrupto, inepto e desidioso, conforme amplamente denunciado pela comunidade científica e comprovado pela CPI da Covid-19, cujo relatório, inapelável, continua engavetado na Procuradoria Geral da República, que se comporta como um escritório de advocacia da família Bolsonaro. O pior disso tudo é que, lamentavelmente, o Brasil é terceiro país do Mundo em número de casos de Covid-19 e o segundo em número de mortes provocado pela pandemia. Uma catástrofe.

Diante dessa realidade gravíssima, só um amplo movimento de união nacional congregando lideranças e forças políticas democráticas e progressistas será capaz de mobilizar as pessoas, retirar o Brasil do fundo do poço e devolver ao nosso povo a dignidade de outros tempos.

Lula representa a força e a capacidade necessária para a construção desse grande movimento nacional pelo Brasil, pelo nosso povo e por nossa democracia. O Presidente mais popular da nossa história, aquele que governou tendo como prioridade não a elite, mas os pobres e desvalidos desse país e que, por isso mesmo, sofreu uma implacável e cruel perseguição jurídica, midiática e política, agora é a grande esperança do povo brasileiro.

Dessa forma, saudamos o movimento conduzido pela Direção Nacional do PT no sentido de ampliar o palanque de Lula por meio do diálogo e da articulação de partidos e segmentos da sociedade que compõem o centro democrático no país, de forma que eles se juntem aos movimentos sociais, partidos de esquerda e centro-esquerda, que hoje já se encontram unificados em torno da pré-candidatura do companheiro Lula. A esses nossos aliados históricos na luta por um país mais justo, igualitário e feliz também saudamos, reafirmando a necessidade real e urgente de construirmos um palanque forte em defesa da democracia e do povo brasileiro.

Nesse sentido, o companheiro Lula vem ressaltando a necessidade histórica de termos o MDB conosco nessa trincheira, especialmente no Nordeste, onde os dois partidos estão em entendimentos avançados por alianças nos nove estados da Região, e em nossa querida Paraíba, onde a pré-candidatura de Veneziano Vital do Rêgo representa esse entendimento.

Nesse contexto e, em virtude de sua história política, experiência administrativa, protagonismo no enfrentamento aos desmandos do atual governo e alinhamento com a bancada do PT no Senado Federal, Veneziano é com certeza o melhor nome para governar a Paraíba pelos próximos quatro anos.

Assim, o PT Estadual, em total sintonia com nossa Direção Nacional e o Presidente Lula, reafirma que continuará a construir com o MDB da Paraíba um projeto político unificado em defesa da democracia, da inclusão social e da retomada do desenvolvimento do nosso Estado.

Na Paraíba, vivenciamos o nosso melhor momento histórico em virtude das políticas, programas, projetos e grandes obras estruturantes implementadas pelos governos de Ricardo Coutinho, as quais tornaram a Paraíba uma referência nacional em termos de desenvolvimento humano, social e econômico, bem como na participação popular e na geração de oportunidades para todo o povo. Do litoral ao sertão, do campo e da cidade, das crianças à melhor idade.

Em virtude desse legado – aliás, reconhecido pelo povo nas ruas e expressado através da ampla preferência por seu nome nas pesquisas de opinião – o PT da Paraíba reafirma a pré-candidatura de Ricardo Coutinho ao Senado Federal, pois Ricardo é um companheiro que compartilha conosco o ideário transformador, inclusivo e progressista que distingue o PT enquanto um partido de luta; um companheiro que, como reza o nosso Estatuto, faz do socialismo democrático a sua utopia; um companheiro que sempre esteve ao nosso lado nos grandes debates nacionais e conosco cerrou fileiras nas nossas lutas mais importantes; um companheiro que, mesmo compondo uma outra agremiação partidária e desempenhando o mais alto cargo do Executivo Estadual, foi leal ao PT, à presidenta Dilma e ao presidente Lula nos bons e nos maus momentos.

Temos, agora em 2022, a real possibilidade de elegermos o primeiro Senador de esquerda da Paraíba, um militante histórico do nosso campo democrático-popular, cujas origens estão enraizadas nas lutas populares e sociais da Paraíba. Este militante é Ricardo Coutinho.

Esse movimento em nosso Estado, que será liderado pelo PT e o MDB, tem como objetivo resgatar a dignidade e a esperança da nossa gente, que acompanha estarrecida, decepcionada e angustiada a letargia e inépcia do atual governo estadual frente, até mesmo, às mais comezinhas tarefas administrativas; um governo que vive à sombra de obras e projetos desenvolvidos nas gestões do ex-governador Ricardo Coutinho e não empreende absolutamente nada de novo; um governo que, vazio de realizações, deu-se a emitir ordens de serviço, a torto e a direito, em pleno ano eleitoral; um governo politicamente fraco, que se descolou completamente da base social que o elegeu e se fez refém de políticos conservadores, de direita, e das oligarquias que dominam o Estado há anos para manter ilusoriamente um poder que, na realidade, é exercido por esses seus acólitos; um governo que coopta apoiadores em troca de cargos; um governo que faz da SECOM o seu principal órgão.

João Azevedo rompeu com o programa de governo que apresentou ao povo paraibano em 2018, afastou-se dos princípios políticos que levaram o PT a apoiá-lo naquele pleito eleitoral e se juntou ao que existe de mais atrasado, retrógado e conservador em nosso Estado. O resultado é um governo paquidérmico, imobilizado pela sua própria inação. Um governo sem nenhuma perspectiva de futuro.

Por tudo isso, o PT da Paraíba tem clara consciência de qual é o seu caminho e a sua missão em 2022: estaremos ao lado de Lula, Veneziano e Ricardo Coutinho num projeto político que haverá de mobilizar corações e mentes na luta pelo alvorecer de um novo tempo para o povo brasileiro e para nossa amada Paraíba.

Firmes na luta, venceremos!!

Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores da Paraíba

Paraíba, 06 de maio de 2022.

 

  • JORNAL DA PARAÍBA