Como num filme de ficção científica, o mundo parou por, mais ou menos, dois sofridos anos. Escolas fechadas e, a princípio, alunos despreocupados por não precisarem ir à escola durante uma semana. Pelo menos, era o que pensávamos. Uma semana, um mês, dois, três… Um ano! Estávamos em Lockdown.

Tivemos de reconfigurar nossas vidas. Tudo novo, desde a chegada de um inimigo invisível, até aprendermos a dançar conforme a música de uma Pandemia. Se a humanidade precisou frear suas atividades, a escola não teve outra escolha, senão parar também. Muitas dúvidas começaram a surgir sobre qual a melhor maneira de não prejudicar o aprendizado dos alunos. Mas como? Nesse momento, a tecnologia conseguiu desempenhar muito bem o seu papel, ofertando aplicativos de vídeo-chamada, modelos digitais de atividades, enfim, um verdadeiro leque de possibilidades foi se abrindo. Porém, na prática nem tudo são flores. Há realidades e realidades.

Muitos alunos não possuem acesso à internet, muito menos, aparelho celular. Parece até estranho, em pleno século XXI, uma pessoa não ter um, mas acredite, há situações de extremas limitações, independente das evoluções ditadas pela contemporaneidade.

Professores precisaram reinventar suas metodologias de ensino, para adequar-se ao novo modelo de dar aulas e conseguir ensinar algo. Todo mundo em casa, mas não descansando. Não foi fácil para ninguém, principalmente para a educação, visto que, diversos são os fatores responsáveis pelo déficit de aprendizagem durante o período que a escola funcionou através das telas de um aparelho celular ou de computador.

Voltamos às aulas, desta vez, 100% presenciais. E agora? Eu o questiono, caro(a) leitor(a)/professor(a): o que você encontrou nas suas turmas? Como seu público de discentes está? Sim, eu já sei a sua resposta, pois eu também leciono. Venho do mundo das letras, dos textos e da leitura. Difícil, né? Eu sei! Mas também sei que ninguém teve culpa de termos passado por tudo isso. Agora é correr atrás do tempo perdido. Voltar o relógio, ninguém pode, até porque seria querer viver um pesadelo novamente, mas ainda podemos fazer alguma coisa.

 

Se houve dúvidas sobre como seria dar aulas à distância, os questionamentos agora são sobre quais meios utilizar para ensinar o básico que não foi possível ser aprendido durante esses dois anos de aulas remotas. Tem sido comum a agitação dos alunos, a falta de paciência, concentração e desinteresse em relação às aulas e atividades propostas. Leitura e escrita? Um verdadeiro desafio!

A sensação que fica é a de que é necessário começar do zero, até na forma de comunicação.

O professor está tentando ocupar o lugar que um dia foi dele, o qual hoje é do celular com seus atrativos. É lutar para inserir na vida de outro ser, a ideia de que estudar nunca perdeu seu valor, pelo contrário, agora mais do que nunca, os estudos precisam receber uma maior dedicação, pois o conhecimento adquirido dentro da escola é sagrado.

A névoa da Pandemia está se dissipando, mas os escombros da sua passagem ficaram: medo, incertezas, desesperança e perdas, muitas perdas! Perdas pessoais, intelectuais, de alunos, professores e do jeito de aprender. Cabe à família escolar, e isso inclui o seio familiar do aluno, juntar-se para reconstruir o que foi corroído durante esse período de resguardo da vida social. Muitos se foram, mas muitos ficaram. Então, que haja a sabedoria de colocar cada tijolinho no seu lugar , para por de pé os muros do ensino e da aprendizagem.

Lecionar vai muito além de entrar numa sala de aula, repleta de alunos e apresentar um conteúdo. É conviver com diferentes realidades, desde as mais simples, às mais desafiadoras. Cada um trás consigo uma história, e o maior desafio da educação é tentar buscar maneiras que ajudem os futuros profissionais da sociedade a serem, além de tudo, grandes seres humanos, capazes de entender e ensinar à outras pessoas o verdadeiro valor de uma escola.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Professora, Colunista, estudante de Jornalismo Digital, Especialista em Linguística e Literatura. Uma paraibana apaixonada pela comunicação.