Um dos homens mais ricos do mundo tem interesse na Amazônia. Ela é uma área que está constantemente no noticiário ambiental e policial. Há uma devastação em andamento e parte das madeiras nobres é enviada para o mercado norte-americano. Deste provém o investimento para uma iniciativa que pretende mudar o destino da região, praticamente abandonada por inúmeros governos federais.

Revistas europeias e norte-americanas, vez por outra, fazem reportagens sobre os povos indígenas, seus costumes e origem para gáudio daqueles que procuram matérias diferenciadas sobre o planeta. Pouco se fala sobre a devastação da mata, a pilhagem de exemplares da flora e da fauna de grande riqueza, o roubo de amostras da biodiversidade amazônica. A região ainda vive sem lei, sem Estado, onde as disputas são resolvidas à bala e as terras invadidas por aventureiros de toda espécie. As grilagens se constituem em fazendas imensas, grandes latifúndios, que um dia vão gerar lucros para seus administradores e dividendos para os acionistas, estejam onde estiverem.

Está é a dinâmica do capitalismo destes tempos.

Há setores no Brasil que olham com grande preocupação a chegada de iniciativas capitalistas estrangeiras na Amazônia. Ninguém pode garantir que amanhã uma entidade internacional venha a declarar a região patrimônio da humanidade e instale uma administração alienígena na área. Tudo o que lá existe pertence ao povo brasileiro.

Assim, quando se abrem na floresta grandes fazendas ou outras atividades, se está tirando um bem que pertence a todos. Contudo há os que defendem o desenvolvimento local com atividades compatíveis com a floresta. Garimpeiros buscam nos rios o ouro que contrabandeiam sem o menor esforço. O Estado brasileiro não tem condições de impedir todo tipo de assalto na imensa área que está, pela constituição, sob sua guarda. A presença constante de estrangeiros, muitos travestidos de expedições científicas, fazem levantamentos que são enviados para o exterior e estudados nas universidades.

Todos ainda se lembram quando os ingleses contrabandearam mudas de látex para plantar na Indochina e quebraram a economia amazônica. Há investidores que podem bancar projetos na Amazônia, desde que tenham o aval de empresas internacionais e até mesmo de governos estrangeiros.

Mesmo com grandes riscos o empresário decide investir na Amazônia. Ele é um capitão de indústria famoso, líder de uma fábrica de automóveis que quebra os paradigmas da produção de veículos e conquista parte do mercado mundial. A indústria que lidera funciona verticalmente, isto é, produz desde ferro, aço, madeira, vidro e os pneus. Nestes está um gargalo da empresa. O látex é importado da Ásia e está sob o controle dos concorrentes europeus que formam um  cartel e manipulam os preços.

O magnata decide comprar uma imensa área de 1 milhão de hectares nas margens do rio Tapajós, a cerca de um dia e meio de viagem de barco de Santarém, no Pará. Henry Ford planeja construir uma cidade na selva para produzir látex para abastecer mundialmente a economia. Nasce a Fordlândia no meio da exuberante floresta. Barcos carregados de material de construção chegam e saem constantemente do porto. Milhares de trabalhadores estrangeiros e brasileiros se juntam no esforço de realizar um sonho que mistura natureza e competição. O presidente Washington Luis vê com bons olhos a chegada dos americanos. Estes não se dão conta que poderiam obter as terras gratuitamente do governo brasileiro. Compram uma área inadequada para a plantação das seringueiras, cometem uma série de erros de projeto e são alvo de uma revolta dos trabalhadores que leva a direção a fugir de barco pelo rio Tapajós. Apesar do fracasso outros empresários se interessam pela riqueza da Amazônia.

 

  • R7