Nas cincos vezes que estive em Paris, somente uma não visitei o museu do Louvre. Foi em uma conexão rápida, fiquei apenas nos arredores do aeroporto Chales de Gaulle. Em todas as outras, reservei um tempo e gastei sola dos sapatos e as ponteiras das muletas a percorrer os labirintos de artes no Louvre, o maior museu do mundo.

Luiz Thadeu em Paris. Fonte da imagem: Arquivo pessoal do autor.

Em andanças pelo mundo, três lugares não deixo de visitar: feiras livres, supermercados e museus. Tive a oportunidade de visitar os maiores e melhores museus do mundo. Embora não seja exímio conhecer de arte, gosto de observá-las, faz bem para o esprito, acalma a alma. “A arte existe porque a vida não basta”, dizia o intelectual maranhense Ferreira Gullar.

De tanto percorrê-lo, posso até dizer que tenho uma ligação próxima com o Louvre, explico: Numa manhã de sexta-feira fria, 03 de Faveiro de 2017, meu filho Frederico acompanhado da então noiva hoje esposa Isadora, levantaram cedo, tomaram seu Petit-déjeuner no hotel, se encaminharam para o Louvre. Chegaram cedo para evitar as longas filas que se formam em sua entrada, junto à Pirâmide de vidro. O Louvre recebe cerca de 10 milhões de visitantes por ano. Para efeito de comparação o Brasil, esse imenso país continental, cheio de belezas naturais recebe apenas 6 m ilhões de turistas. A cidade de Paris recebe 60 milhões de turistas por ano.

Naquela manhã, o museu foi invadido por um homem armado com uma faca que tentou entrar no Museu do Louvre, carregando duas mochilas, segundo fontes da polícia. Identificado como Abdallah E-H., de 29 anos, o agressor era egípcio, estava na França como turista. Atingido a tiro por soldados franceses, foi levado a um hospital na região em estado grave, resistiu e foi preso.

Frederico, Isadora e os demais visitantes foram levados para o sub-solo do museu, sem saber o que ocorria. Como a diferença de fuso horário, em Paris era 10:00 h, eu dormia em casa. Ao acordar, vi pela TV, ao vivo, as cenas no Louvre, isolado, frenesi dos soldados por todos os lados. Liguei para Frederico, alheio aos acontecimentos, lhe dei a notícia. Liguei para uma TV local relatando o ocorrido, me pediram um depoimento de Frederico e Isadora, por vídeo. Eles me enviaram, encaminhei para a TV, que mostrou no jornal do meio dia e distribuiu a nível nacional, um casal de maranhenses entrincheirado no porão do Lou vre, vendo de perto o terrorismo.

Fevereiro de 2020, em uma trip pela Europa, minha última viagem internacional antes da pandemia, visitei novamente o Louvre, e através de um conhecido brasileiro que trabalha no museu, fui retirado da muvuca que se forma em frente ao pequeno quadro da Monalisa; tive o privilégio de ficar tête-à-tête com a obra de Leonardo da Vinci, considerado o quadro mais valioso do mundo. Por poucos minutos fui fotografado bem próximo do quadro da Mona Lisa também conhecida como A Gioconda ou ainda Mona Lisa del Giocondo, a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci, um dos mais eminentes homens do R enascimento italiano. A pintura datada de 1503, onde o artista italiano melhor concebeu a técnica do sfumato. O quadro é pequeno, mede 77 cm X 53 cm. De longe pouco se avista.

Na semana passada vi pela TV que alguém tinha atentado contra a Monalisa. O incidente aconteceu na tarde de domingo, 29/05, quando um homem com uma peruca e em uma cadeira de rodas atirou uma torta contra a película de vidro que protege a pintura de Leonardo da Vinci. Os seguranças expulsaram-o imediatamente do museu, e funcionários iniciaram a limpeza da sala. Na presença dos turistas perplexos, um funcionário limpou a placa de cristal colocada em frente à Gioconda. O autor do atentado, 36 anos, cujo nome e nacionalidade não foram divulgados, gr itava palavras de ordem. Rendido, foi levado para um manicômio.

O ataque sofrido pela Mona Lisa no Museu do Louvre, em Paris, neste domingo (29), não foi o primeiro perrengue que a obra já sofreu.

Em 2009, uma turista atirou uma xícara em direção ao quadro, danificando o vidro que a protegia. Em 1974, enquanto era exposta no Museu Nacional de Tóquio, uma mulher tentou espirrar uma tinta em spray vermelha na pintura, sem sucesso.

Já em 1956, a obra sofreu dois ataques: um com ácido, que danificou uma das partes inferiores do quadro, e um com uma pedra, que causou um pequeno dano.

Mas nada supera o roubo do quadro. Em 1911, o quadro chegou a ser roubado por Vincenzo Peruggia, sendo resgatado somente dois anos mais tarde.

São sem dúvida seus mistérios que permitiram à Mona Lisa adquirir tal fama. Mas é realmente Lisa ali representada? Diz-se que quem encomendou o quadro de Leonardo da Vinci foi um nobre instalado em Florença. Duas vezes viúvo, Francesco del Giocondo casou em 1495 com uma jovem mulher de nome Lisa. No entanto, uma outra teoria diz que a jovem mulher representada é ninguém menos que a favorita de Giuliano di Medici, líder da República Florentina. Até agora o mistério continua. Enquanto houver obras de arte, especialmente as icônicas, haverá malucos espalh adas pelos quatro cantos do mundo, querendo arremessar qualquer objeto, e, assim ter seus quinze minutos de fama. A misteriosa Monalisa não tem paz.

Como dizem os franceses, fazendo biquinho, “C’est comme cela la vie!”

Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países.