SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os acionistas das empresas de shopping centers brMalls e Aliansce Sonae aprovaram nesta quarta-feira (8) a fusão entre as companhias, o que dará origem à maior administradora de shoppings do Brasil.

O anúncio do acordo entre as empresas havia sido feito no último dia 29 de abril, mas ainda aguardava o aval dos acionistas.

A nova empresa nasce com 69 shoppings, entre próprios e administrados, reunindo cerca de 13 mil lojistas, com 60 milhões de visitas mensais de consumidores. O valor da nova empresa é de cerca de R$ 12 bilhões.

“É a maior plataforma de entretenimentos, serviços e compras da América Latina”, disse à reportagem Rafael Sales, presidente da Aliansce Sonae. “Um dos fatores críticos para o crescimento do setor no país é conseguir escala”, disse à reportagem Ruy Kameyama, presidente da brMalls

A brMalls já era a maior administradora de shopping centers do país em receita, com 31 centros de compras no portfólio. Entre eles, Villa-Lobos (SP), Tamboré (SP), Estação BH (MG), NorteShopping (RJ), Tijuca (RJ), Goiânia (GO), Recife (PE), Amazonas (AM), Catuí (PR) e Iguatemi Caxias do Sul (RS).

A Aliansce estava entre as quatro maiores do setor (no time que inclui Multiplan e Iguatemi). Tem 38 shoppings no portfólio, entre eles o Parque D. Pedro e o Plaza Sul, em São Paulo, e o Boulevard Shopping Brasília, no Distrito Federal.

Pelo acordo, será criada uma ‘corporation’ (empresa com capital diluído na bolsa, sem controlador). Conforme definido em assembleias de acionistas das duas companhias, realizada nesta quarta, 55% das ações da nova empresa ficarão com os atuais acionistas da brMalls e, 45%, com os atuais acionistas da Aliansce Soane.

O conselho terá 9 membros, pelo menos 5 deles independentes.

Os acionistas da brMalls vão receber um pagamento em dinheiro no valor de R$ 1,25 bilhão, além de um pagamento com a entrega de 326,3 milhões de ações da Aliansce, representativas de 55,13% do capital social da companhia combinada.

Os shoppings foram um dos setores mais atingidos pela pandemia. Em 2020, ficaram o equivalente a oito meses fechados, contando os períodos de restrição. As novas ondas de contágio em 2021 também impactaram as operações. Em 2022, depois da alta da ômicron em janeiro, a pandemia parece sob controle.

Mas ainda há as pressões típicas de um ano eleitoral sobre a macroeconomia e indicadores econômicos ruins, como inflação, queda na renda e desemprego em alto patamar.

“O futuro dos shoppings não passa apenas por serem centros de compras, eles serão cada vez mais centros de convivência, verdadeiros life centers”, disse Sales.

“Os shoppings estão em um movimento de recuperação consistente”, afirmou Kameyama, da brMalls. “A população percebeu que é fundamental socializar, nem todas as relações ou experiências são digitais.”

Segundo o analista Fernando Siqueira, head de research da Guide Investimentos, o desfecho positivo da transação já era esperado. Para ele, no médio e longo prazo, a fusão cria uma empresa com grande poder de negociação com os lojistas, especialmente com as lojas âncoras, e deve gerar sinergias, com a consequente redução de custos, afirma.

“É um novo capítulo de consolidação do setor, iniciado pela Aliansce com a Sonae, ainda em 2019”, afirma. “Mas não há mais alvos de tamanho médio. Ou as grandes se juntam ou fazem movimentos de aquisição regionais.”