Desde último reajuste nos preços dos combustíveis, chefe do Executivo tem defendido investigação da estatal e dirigentes

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a Petrobras. De acordo com o chefe do Executivo, a alta do preço dos combustíveis é “um abuso”.

Eu estou acertando uma CPI da Petrobras. ‘Ah, você que indicou o presidente’. Sim, mas eu quero uma CPI. Por que não? Se não deve nada, investiga o cara”, disse Bolsonaro a apoiadores, na noite de 2ª feira (20.jun.2022), no Palácio da Alvorada.

Na 6ª feira (17.jun), a estatal aumentou em 5,18% o preço da gasolina vendida às distribuidoras. O diesel teve alta de 14,26%. Depois disso, o presidente da República tem defendido publicamente a investigação da petroleira.

Na avaliação dele, “não precisava desse reajuste, nem do anterior”. Bolsonaro também disse que medidas para controle dos preços dos combustíveis pelo governo federal têm “forte apoio” do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

Depois de reunir-se com líderes de partidos aliados ao governo, Lira disse na 2ª feira (20.jun) que o líder do PL, Altineu Côrtes (RJ), está recolhendo assinaturas para abertura de uma CPI para investigar os lucros da Petrobras e integrantes do alto escalão da companhia.

A CPI é viabilizada com a assinatura de, no mínimo, ⅓ do total de integrantes da Câmara dos Deputados. A comissão tem a função de investigar fato relevante de interesse para a vida pública, para a ordem constitucional, legal, econômica ou social do país.

Na avaliação do líder do PT na Casa, Reginaldo Lopes (MG), a CPI é cortina de fumaça. “Ele [Bolsonaro] não quer resolver, quer fazer uma guerra ideológica para vender a empresa para os amigos que ele enriqueceu durante 3 anos e 6 meses fazendo o chamado PPI (preço de paridade de importação), a dolarização do setor de óleo e gás”, afirmou.

PRESIDENTE DEIXA O CARGO

Pressionado pelo Planalto, o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, renunciou ao cargo e ao seu assento no Conselho de Administração da empresa na 2ª feira (20.jun). O Conselho nomeou Fernando Borges para presidir interinamente a estatal.

Com a saída, Bolsonaro indicará o 4º CEO da estatal desde que assumiu o Executivo. Coelho ficou 1 mês e 9 dias no posto.

  • Poder 360