Pedro Guimarães teria feito abordagens a mulheres com conotação sexual; em nota, banco nega ter conhecimento das acusações

 

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, 51 anos, está sendo acusado de assediar sexualmente funcionárias do banco estatal. Em nota, a instituição nega ter conhecimento do caso e diz ter vários mecanismos internos de controle.

Ocorre que várias mulheres aceitaram dar depoimentos gravados (mas mantendo suas identidades em sigilo) fazendo relatos detalhados de como se daria o assédio praticado por Pedro Guimarães.

A notícia foi publicada no final da 3ª feira (28.jun.2022) pelo portal de notícias Metrópoles, que divulgou as gravações com as acusações. Várias mulheres, segundo a publicação, foram ao Ministério Público Federal e fizeram os mesmos relatos, que seguem em sigilo. O MPF estaria instalando um procedimento de investigação a respeito dos episódios.

Guimarães assumiu o comando da Caixa em janeiro de 2019. Especialista em privatizações, ele foi indicado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), de quem já era próximo. Gradualmente, Guimarães se afastou de Guedes e dos demais ministros. Hoje, tem ligação direta com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em Brasília, pessoas do entorno de Bolsonaro acreditam que a melhor solução seja afastar imediatamente Pedro Guimarães da Caixa.

RELATOS DE ASSÉDIO

Eis alguns dos casos relatados por mulheres a respeito do comportamento de Pedro Guimarães (o Metrópoles usou nomes fictícios para proteger as identidades de quem decidiu contar as histórias):

  • Ana – “É comum ele pegar na cintura, pegar no pescoço. Já aconteceu comigo e com várias colegas”, disse a funcionária. “Ele trata as mulheres que estão perto como se fossem dele”, falou. “Ele já tentou várias vezes avançar o sinal comigo. É uma pessoa que não sabe escutar não”, continuou. “Quando escuta, vira a cara e passa a ignorar. Quando me encontrava, nem me cumprimentava mais”, declarou. “Tenho pânico de ter que trabalhar com ele. Tenho medo da pessoa. Agora eu tento literalmente me esconder nas agendas (…). Agora, quando viajo, coloco cadeira na porta do quarto. Fico com medo de alguém bater.
  • Valéria – “Tem um padrão. Mulher bonita é sempre escolhida para viajar”, declarou. “Ele convida para as viagens as mulheres que acha interessantes.
  • Thaís – “Ele me chamou para ir para sauna com ele. Perguntou: ‘Você gosta de sauna?’. Eu disse: ‘Presidente, eu não gosto’. Se eu tivesse respondido que gosto, ele daria prosseguimento à conversa. De que forma eu falo não? Então, eu tenho que falar que não gosto. É humilhante. Ele constrange”.
  • Cristina – Relatou ter sido chamada, junto com uma colega, para ir à piscina do hotel em que estavam. Ao nadar, Guimarães “parecia um boto, se exibindo. Era uma espécie de dança do acasalamento”. Cristina disse que uma das mulheres presentes no local foi abordada por alguém próxima a Guimarães, que perguntou: “E se o presidente quiser transar com você?”. Ela ainda relatou que Guimarães teria dito que deveria ser marcada uma viagem a Porto Seguro, algo que seria “um carnaval fora de época” em que “ninguém vai ser de ninguém” e estaria “todo mundo nu”. O presidente da Caixa teria dito a Cristina: “Vou te rasgar. Vai sangrar”.
  • Beatriz – Disse ser comum Guimarães pedir, tarde da noite, para funcionárias irem ao seu quarto levar itens de que estaria precisando com urgência. Ela contou ao portal de notícias o que ouviu em uma das vezes que atendeu ao pedido: “Ele falou assim: ‘Vai lá, toma um banho e vem aqui depois para a gente conversar sobre sua carreira’. Não entendi. Na porta do quarto dele. Ele do lado de dentro [do quarto] e eu um metro para fora. Falei assim: ‘Depois a gente conversa, presidente’. Achei aquilo um absurdo. Não ia entrar no quarto dele. Fui para meu quarto e entrei em pânico”. Em outra ocasião, ela falou que Guimarães estava de samba-canção: “Ele abriu a porta com um short, parecia que estava sem cueca. Não estava decente. A sensação que tinha era que estava sem [cueca]. Muito ruim a sensação”. Guimarães ainda teria tocado de forma inapropriada em mais uma interação entre os 2: “Ele passou a mão em mim. Foi um absurdo. Ele apertou minha bunda. Literalmente isso.

NOTA DA CAIXA

Eis a íntegra da nota que a Caixa enviou ao site Metrópoles:

A Caixa não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo. A Caixa esclarece que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio. O banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de ‘qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça’. A Caixa possui, ainda, canal de denúncias, por meio do qual são apuradas quaisquer supostas irregularidades atribuídas à conduta de qualquer empregado, independente da função hierárquica, que garante o anonimato, o sigilo e o correto processamento das denúncias. 

“Ademais, todo empregado do banco participa da ação educacional sobre Ética e Conduta na Caixa, da reunião anual sobre Código de Ética na sua Unidade, bem como deve assinar o Termo de Ciência de Ética, por meio dos canais internos. A Caixa possui, ainda, a cartilha ‘Promovendo um Ambiente de Trabalho Saudável’, que visa contribuir para a prevenção do assédio de forma ampla, com conteúdo informativo sobre esse tipo de prática, auxiliando na conscientização, reflexão, prevenção e promoção de um ambiente de trabalho saudável.

 

  • Poder 360