Mais uma vez, o período da Pandemia de Covid-19 será citado. Pois é. E por muito tempo será assim, em muitos contextos sociais em que seja preciso escrever. Infelizmente, não podemos negar que a humanidade passou/passa por tão cruel realidade. Na educação não seria diferente, setor este, extremamente inflamado pelos efeitos que os dois anos fora da sala de aula fizeram no que diz respeito ao ensino e aprendizagem. Hoje, alunos e professores precisam saber lidar com as consequências desse processo.

O que também é inegável é como o psicológico de todos nós ficou afetado com a verdadeira overdose de informações das mais distintas possíveis, recebidas dentro de um contexto em que aprendemos a ver a vida e a saúde como nosso bem maior. Mas talvez nem todos estejam preparados para essa conversa. Estamos falando de um contexto onde se agarrar a uma máscara, a alguns mililitros de álcool 70% e pedir a Deus por estar vivo nos próximos dias se tornou a verdadeira âncora da vida da maioria das pessoas. Para os sobreviventes, ficaram os escombros desse processo todo. A escola tornou-se um dos ambientes onde muitas das consequências da onda pandêmica se apresentam de forma muito explícita.

Todo mundo adoecido. Uns mais, outros menos. Foram muitos medos ativados e que deixaram de ser desligados. A educação está, aos poucos, tentando se reerguer, retirar a poeira que opaca seus raios de esperança e seguir em frente. Para tal, professores firmam-se às ferramentas que possuem para resgatar tantos detalhes importantes, que seria difícil enumerá-los aqui. Não por que são muitos, mas devido à falta de palavras adequadas para defini-los. Incapacidade? Não. Mas é que quando falamos em inteligência emocional, muitas questões intrínsecas da vida de cada pessoa que compõe o público escolar nem sempre podem ser citadas de forma tão aberta, pois seria tocar numa ferida em processo de cicatrização.

Hoje, o profissional da educação tem sido um dos seres mais fortes da sociedade. Dentro de uma sala de aula está, diariamente, a cara da coletividade atual e futura. Atual porque através de cada aluno, vemos uma verdadeira ramificação de muitas dificuldades vividas fora dos muros de uma unidade de ensino. Educação familiar, princípios, educação financeira, relação com o próximo, ideias de futuro, esperança de vida através da escola. Futura no sentido de como esses mesmos alunos precisam de uma base sólida agora para que sejam os próximos cidadãos que farão diferente nas próximas gerações.

São tantos pedidos de ajuda disfarçados de rebeldia, de silêncios e de vários “tô com sono, quero ir pra casa.” São sinais muitas vezes mal interpretados. Na verdade, trata-se de um processo de aprendizagem de ambos os lados: Escola e corpo discente. É a inteligência emocional pedindo passagem para atuar dentro dessa mistura de dores. Não são só dores, mas alegrias também. Cada aprendizado é digno de comemoração. É como se as muletas da volta às aulas presenciais segurassem a educação de pé novamente. E cada palavrinha lida, um texto produzido ou um projeto apresentado são os primeiros passos de reabilitação sobre o déficit de mais de 700 dias sem entrar na escola.

Falar em inteligência emocional também é dedicar uma linha de pensamento para o cuidado dos que cuidam do ensino dos futuros homens e mulheres da sociedade, afinal, são os professores que estão expostos à uma sala de aula diversa em muitos sentidos de vivências. Lecionar, mais do que nunca, também é enxergar as necessidades emocionais do outro, buscando identificar no próprio docente as necessidades de si para que esse apoio aconteça.

Um passo após o outro e, aos poucos, tudo vai se restabelecendo. Se o físico adoece, o emocional também. Se o aluno precisa de ajuda, o professor também. Se o mundo fica doente, a humanidade reflete suas enfermidades em casa canto das vivências sociais. Aprende-se a viver durante a vida, independe de idade ou formação acadêmica. Quem dita o processo é o tempo. Se o quociente de inteligência é importante, imagina o bem-estar da mente que precisa de tudo em seu devido lugar.

É como a dinâmica das emoções. Cada uma em seu lugar. Algumas no lixo, outras na mala. E mala leva o necessário. Se levamos o que não precisamos, uma hora ela ficará mais pesada, quando precisaremos tirar o que não é necessário e deixar no meio do caminho para seguir viagem.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Professora, colunista e estudante de Jornalismo. Paraibana apaixonada pela comunicação.