O petista foi morto a tiros pelo policial penal bolsonarista Jorge Guaranho. Arruda foi ferido na própria festa de aniversário em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, no fim de semana.

O juiz Gustavo Germano Francisco Arguello, da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, é o responsável pelo processo e decidirá se o processo seguirá público.

O magistrado consultou o MP após o pedido de sigilo ser protocolado por representantes de familiares de Arruda.

Na manifestação à Justiça, o promotor Tiago Lisboa, afirma que o sigilo não é a regra, mas é necessário na atual fase do inquérito. Lisboa reitera se tratar de fato grave e de grande repercussão.

“O acesso indiscriminado aos autos de terceiros, estranhos ao fato, poderá tumultuar e interferir negativamente nas investigações, sobretudo em razão da existência de diversas diligências investigatórias ainda em curso, além de outras pendentes”, afirma o MP.

O promotor se manifestou contra a liberação de acesso ao processo do Sindicato dos Agentes Federais de Execução Penal “ou qualquer outra entidade de representação, por ausência de previsão legal, bem como por entendimento jurisprudencial”.

MP quer perícia no celular do policial

Na manifestação à Justiça, o promotor também defende a necessidade de uma série de ações para esclarecer o crime. Entre as diligências propostas pelo MP estão:

  • pedir ao Departamento Penitenciário Federal ficha funcional e disciplinar do investigado, além de informações acerca de eventuais licenças médicas tiradas pelo policial penal;
  • encaminhar ao Instituto de Criminalística do celular particular do investigado Jorge Guaranho para perícia e análise minuciosa;
  • encaminhar ao Instituto de Criminalística gravador de vídeo digital para perícia e análise minuciosa, “com vistas à identificação dos usuários que realizaram eventual acesso às filmagens do local dos fatos que realizaram eventual acesso às filmagens do local dos fatos”.

O promotor também pede que seja anexado ao processo levantamento ou perícia do local do crime, laudo de Necropsia de Marcelo Arruda e ainda o prontuário médico na íntegra de Jorge Guaranho.

Novamente, cabe ao juiz determinar ou não tais diligências.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o policial penal chegou de carro e parou na porta da festa. Ele fez uma manobra e virou o carro. Marcelo e a esposa saíram e houve uma discussão.

O boletim de ocorrência informa que Guaranho chegou no local de carro e que no veículo estavam também uma mulher e um bebê.

Depois de alguns segundos, o policial foi embora. Ele voltou ao local minutos depois no mesmo carro, desceu do veículo e atirou ainda do lado de fora.

Segundo o documento, ele desceu do carro armado, gritando: “Aqui é Bolsonaro!”. De acordo com o boletim, o policial penal não era conhecido de ninguém na festa nem foi convidado.

O atirador, em seguida, entrou no salão de festas, onde disparou novamente contra Marcelo. Veja a cronologia dos fatos no vídeo abaixo.

Cronologia: assassinato de tesoureiro do PT

Cronologia: assassinato de tesoureiro do PT

Outra câmera, instalada no salão onde ocorria a festa de aniversário, registrou o momento em que o tesoureiro do PT foi baleado.

Ao ser atingido por Guaranho, Marcelo Arruda, que estava armado, revidou. Nas imagens da câmera, Marcelo aparece caindo no chão do salão.

O atirador fez, então, outros disparos, conforme mostra o vídeo. Em seguida, uma mulher – que, segundo a polícia, seria a esposa de Marcelo – tentou impedir que o atirador continuasse e o empurrou.

G1