O juiz Gustavo Germano Francisco Arguello, da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, devolveu à Polícia Civil o inquérito sobre o assassinato do guarda municipal Marcelo Aloizio Arruda — ocorrido em 9 de julho. A Justiça determinou novas diligências pedidas pelo Ministério Público do Paraná, como a perícia no celular do autor dos disparos que matou o tesoureiro petista.

A decisão foi publicada três dias após a conclusão do caso pela polícia. O inquérito foi finalizado em apenas cinco dias, antes da divulgação de dados contidos no celular do policial penal Jorge Guaranho, e concluiu que não há indícios que apontem crime de ódio por motivação política.

“Determino o retorno do inquérito policial à Delegacia de Polícia, via remessa off-line, para o urgente cumprimento das diligências investigativas requisitadas pelo Ministério Público, ressalvando que a aplicação do art. 16, do CPP, não afasta a observância dos exíguos prazos processuais na tramitação de inquéritos de indiciado preso”, escreveu o juiz responsável.

Segundo o Ministério Público, as apurações no celular de Guaranho podem mudar os rumos do processo. O mandado de busca e apreensão do aparelho foi cumprido um dia antes da conclusão do inquérito. As informações contidas no telefone devem auxiliar na investigação e identificar se houve participação indireta de outras pessoas no crime.

O relatório final da morte de Marcelo Aloizio foi concluído em apenas cinco dias, e sem a perícia no celular e no carro do suspeito, sem a análise das câmeras de segurança no local do crime. A delegada Camila Cecconello disse que ele atirou contra o petista por ter se sentido ofendido, pois o petista jogou terra contra o carro dele.

O PT contestou o resultado do inquérito. O partido afirmou que “imagens e depoimentos provam a motivação política do crime” e criticou a conclusão da ação em pouco tempo. “O encerramento apressado das investigações desse crime bárbaro é, acima de tudo, uma ofensa à família de Marcelo, além de um prognóstico preocupante de conivência das autoridades com os futuros episódios de violência que ameaçam as eleições deste ano”, disse em manifestação.

Em nota, a Polícia Civil do Paraná disse que vai cumprir “rapidamente” as diligências. “As perícias já tinham sido requisitadas pela autoridade policial à Polícia Científica, na semana passada; por enquanto, sem previsão de conclusão”. Marcelo Aloizio Arruda foi morto pelo policial penal Jorge Guaranho enquanto comemorava o seu aniversário de 50 anos com uma festa temática do PT. O atirador invadiu a festa gritando “aqui é Bolsonaro” e “mito” e baleou o petista.

Correio Braziliense