Ajuntar, agregar, agrupar, amontoar, apinhar, apensar, reunir, unir e aglomerar pessoas em torno de ti, são virtudes tuas. Ontem, em tua nova morada, teu novo lar, ouvi cada palavra tua, encostada na porta de entrada ou seria de saída?, a falar que tuas amigas, que foram te prestar uma homenagem, no almoço, pelos teus primeiros 59 anos de vida. Falastes que antes não querias celebrar as datas festivas. Que após os nascimentos de teus filhos, Maria Luísa e Francisco Antônio, tudo mudou, e passastes a comemorar natais e aniversários. Que hoje, tens motivo de sobra para celebrar a vida: pelos livramentos, pelas conquistas, pelos ganhos que a vida de proporcionou, e vai te proporcionar ainda mais. A vida é construção permanente e continua, é plantio, bem sabes disso.

Maria Goreth ao lado dos filhos, Maria Luísa e Francisco Antônio. Fonte da imagem: Arquivo pessoal. 

A boa semente achou em ti um solo fértil, que nasceu, germinou, cresceu e hoje está frutificando. Cada passo dado nesses 59 anos, foram passos firmes, alicerçados em virtudes, no amor e temor de Deus, no respeito ao próximo, na ética, na sabedoria.
Com teu olhar observador, aprendestes o que a vida tem de melhor, e o mais importante, colocastes em prática. Praticas a arte do bem viver.

Acompanho teus passos desde pequena, na casa grande, da rua Grande, em Rosário. Fomos criança em um só tempo, brincamos no grande quintal que desembocava no caudaloso rio Itapecuru. Brigamos, tivemos desentendimentos, nos entendemos. Aprendemos, com o tempo, a nos respeitar.

Tua vinda para São Luís, após a morte do nosso avô Agripino Nunes, homem de personalidade forte, que influenciam e influencia nós dois até hoje, foi um marco em tua vida. Poderias ter permanecido em Rosário, ter um punhado de filhos, e a vida ter seguido seu curso. Mas com tua sabedoria, optastes para vir para capital, onde prosperastes, conquistando cada coisa que quisestes.

Maria Goreth com suas primas, Helísa, Teresa e Tânia. Fonte da imagem: Arquivo pessoal. 

Teu aniversário foi uma avant première do novo lar. Fruto do teu trabalho, conseguistes amealhar patrimônio. Sabes como ninguém lidar com o vil metal. Mas, o que fazes com maestria é congregar pessoas. Assim como eu, quando nascestes o mundo estava em crise, 59 anos depois o mundo continua em crise. Mas, sabiamente, aprendestes que há dois tipos de gente no mundo: os que choram, e os que vendem lenço, és uma ótima vendedora de lenço. Não há crise que te abata.

És tão determinada que chegastes em uma fase da vida, que não admitistes continuar com um relacionamento que não estava te fazendo bem, somente mulheres empoderadas, para usar um termo da moda, chega e diz “Ou soma ou some”. Para que arrastar algo pesado? Como diria Agripino Nunes: “Já deu o que tinha que dar”.

Fico feliz e honrado, que de alguma forma tenha te influenciado, inclusive quanto ao gosto musical. Somos essência, e como essência mantemos vivos em nós princípios. Teu pai, Francisco de Assis Aragão Nunes foi um homem à frente do tempo dele, continua moderno mesmo não estando mais aqui. Que as outras filhas de Francisco não nos ouça, mas tu que és fruto de um relacionamento extra, és o fruto de melhor qualidade. A necessidade é uma ótima professora, ensina a seguir em frente nas adversidades. Foi nas adversidades que aprendestes a educar teu olhar para o belo, a mirar o bom, mesmo em terreno movediço.
Lembro de quando trabalhavas no Armazém Paraíba, fechando caixa, com a precisão de um ourives, para não faltar uma moeda. Tempos de aprendizado, que te embasaram para chegar onde chegastes.

Hoje, quando vejo no noticiário, que 33 milhões de brasileiros estão com insegurança alimentar, novo nome para fome, e que 62 milhões estão endividados, lembro de ti, e penso: “Goreth deve abrir um curso para ensinar as pessoas a viverem”. Maria Goreth é doutora na arte de multiplicar o pouco.

Maria Goreth ao lado dos filhos e do primo, Luiz Thadeu. Fonte da imagem: Arquivo pessoal.

O curso de Filosofia, em uma Universidade Federal, foi mais uma conquista tua, pois teu ensino lá de Rosário te permitiu galgar uma vaga no ensino superior.
Não és professora por acaso, a vida te fez professora para ensinar aos outros o que tens de melhor, que é reunir, agregar, congregar, juntar, unir pessoas em torno de ti.
Heloísa, Rodrigo, Frederico têm grande admiração por ti, e agora minhas noras Ana Paula e Isadora, também. O nome disso é conquista. Não fazes nada sobrenatural para agradar, és atenciosa em um mundo sem atenção. És prestativa e disponível, quando todos estão atrapalhados em seus mundos corridos.

“Poderia dar os primeiros pedaços desse bolo para as pessoas que mais amo nesta vida, meus filhos: Maria Luísa e Francisco Antônio, mas vou dar para os primos queridos Luiz Thadeu e Teresa”. Gratidão pela atenção. Esse ato é Maria Goreth na essência.
Só tenho a agradecer pela atenção, carinho. És gentil e generosa, porque és como a cana, “que mesmo moída dar açúcar e mel”.

Aos 59 anos te permite ter tempo para realizares teus desejos, te permite ser mais doce contigo mesmo, e não esquece de sorrir nas fotos.
Vida longa, prima querida, com saúde, fé, paz, sonhos, sorrisos e proteção divina, que nunca te falte a alegria de viver, e coisas a conquistar.

Luiz Thadeu Nunes e Silva

Sobre o autor: Eng. Agrônomo, palestrante, cronista, autor do livro “Das muletas fiz asas”. O sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes do mundo.