O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante a cerimônia de anúncio de contratos de patrocínio da Caixa e das Loterias Caixa com as confederações brasileiras de Atletismo, de Ginástica e de Skate e com o Comitê Paralímpico Brasileiro.

Uma ex-servidora da Caixa Econômica Federal denuncia novos casos de assédio na sede do banco, em Brasília, durante a gestão de Pedro Guimarães. Em entrevista exclusiva à Jovem Pan News, a ex-funcionária, que preferiu não se identificar, conta que trabalhou na instituição até o fim de 2018. O marido dela, no entanto, continuou trabalhando no banco, sendo sendo responsável por receber várias denúncias de assédio sexual e tendo ligação direta com a presidência da Caixa. Entre os exemplos citados está um episódio onde um vigilante que realizava rondas noturnas na sede do banco entrou Pedro Guimarães com uma funcionária dentro de um veículo parado no estacionamento. De acordo com a entrevistada, o veículo estava “até mesmo se mexendo” e com “movimentação diferente” quando o trabalhador se aproximou do automóvel e identificou o ex-presidente.

“Houve uma denúncia mais grave que era relacionada a um evento que teria acontecido na garagem da matriz, no estacionamento de carros, pelo qual o Guimarães veio a ser conhecido como ‘Pedro da Garagem’. Pelo que se dizia o boato da época, ele estaria em um ato libidinoso com uma colega da Caixa dentro de um carro, e que um vigilante e um motorista teria encontrado. [Seria uma relação sexual em uma garagem?] Dentro do prédio da matriz. Ele estaria com uma colega em um ato lascivo”, diz a entrevistada, falando em detalhes sobre o episódio. Após o caso, segundos autoridades da segurança ouvidas pela reportagem, o vigilante foi exonerado e alvo de várias ameaças, mudando de Estado logo em seguida.

Outro relato feito pela entrevistada é de que havia uma proibição dentro da sede da Caixa Econômica do uso de roupas da cor vermelha pelas funcionários, sendo até motivo de suspensão dos trabalhadores. “Era proibido o uso de qualquer peça vermelha, como se fosse alusivo a qualquer posição política. As pessoa tinham que deixar de usar uma roupa, sendo que coisas muito mais graves aconteciam e eram permitidas. Mas uma cor de roupa era proibida”, menciona. O esposa da ex-servidora recebeu uma ação no valor de R$ 200 mil do ex-presidente Pedro Guimarães, foi afastado do cargo, e um servidor de Justiça esteve na residência da família após as denúncias serem repassadas para a gestão do banco. No entanto, o funcionário teve complicações de saúde e faleceu a cerca de um ano.

Pedro Guimarães pediu demissão da Caixa Econômica Federal em 29 de junho deste ano, após ser acusado de assédio sexual por parte de funcionárias do banco. Em uma carta, Guimarães negou que tenha cometido os atos e disse que as acusações “não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta”. “Minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade”, disse Guimarães, na ocasião. A substituta ao cargo, escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro, foi Daniella Marques Consentino, que era o braço direito do ministro Paulo Guedes e ocupava a equipe econômica do governo desde 2019.

Jovem Pan