O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender, nesta quarta-feira (24/08), a aprovação da excludente de ilicitude. Na prática, a medida é uma espécie de salvaguarda jurídica para policiais que, porventura, matarem em serviço. A questão já foi debatida e rejeitada na Câmara dos Deputados, em 2019. Em comício em Belo Horizonte, Minas Gerais, o chefe do Executivo prometeu a policiais que defenderá a aprovação caso seja reeleito.

“Dizer aos policiais militares que tem aqui. Hoje nós temos um governo que acredita e valoriza vocês, é um governo, se Deus quiser, com o novo parlamento, vai conseguir o excludente de ilicitude para que vocês possam trabalhar”, apontou.

Bolsonaro defendeu também o armamento da população. “Liberamos armas de fogo para o cidadão de bem. As ditaduras são precedidas por movimentos desarmamentistas. O meu governo é diferente, nós não temos medo de armar um cidadão de bem porque mais do que a segurança de cada um de vocês, é a garantia de que ninguém escravizará o nosso povo”, disse.

O chefe do Executivo voltou a atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal opositor político e líder nas pesquisas de intenção de voto. “Ser presidente é difícil, mas o grande orgulho que tenho é saber que naquela cadeira em Brasília, não tem um comunista sentado nela. Lá não tem bandeira vermelha, lá não tem foice e martelo, lá tem liberdade. Tem respeito ao seu povo, tem defesa à família brasileira, lá tem Brasil de verdade, lá tem quem trabalha por vocês e bem demonstramos isso ao longo desses últimos 3 anos e meio de governo”.

O presidente ainda lembrou casos de corrupção na gestão petista e destacou pautas ideológicas contrárias ao aborto e a legalização das drogas, além do que costuma chamar de “ideologia de gênero”. Sem citar casos como o dos “Pastores do MEC”, disse ter “botado um ponto final na corrupção do governo”. “Estamos em um momento decisivo. Teremos eleições pela frente. E nós sabemos da responsabilidade de bem escolher os nossos candidatos. Não queremos a volta da corrupção. Não queremos a volta daqueles que defendiam e defendem a ideologia de gênero. Não queremos a liberação das drogas, não queremos a legalização do aborto. Queremos a defesa da família, queremos o culto aos nossos símbolos, queremos a liberdade de religião e expressão. Queremos cada vez mais dizer que somos um país livre. Experimentamos ao longo do nosso governo algo que no fim esperava para o Brasil, botamos um ponto final na corrupção do governo”.

“Vocês começaram a experimentar, de 2016 para cá, o que é administrar um país de forma honesta e competente. Não vamos perder essa pegada”, pediu.

Bolsonaro fez referências à facada de 2018 em Juiz de Fora e à reeleição. “Agradeço a Deus pela minha segunda vida dada aqui em Minas Gerais, também agradeço a ele a missão de conduzir o destino dessa nação e tenho certeza se essa for a vontade dele, continuaremos lá por mais quatro anos. Esse povo que aqui está, está por livre e espontânea vontade”, bradou aos gritos de “eu vim de graça”. “Hoje, o Brasil vem experimentando um governo completamente diferente daqueles que assaltaram a nossa pátria ao longo de décadas”, completou ao som de “Lula, ladrão seu lugar é na prisão”.

Esta é a terceira visita de Bolsonaro a Minas em menos de duas semanas. No dia 15 de agosto, o presidente lançou oficialmente a campanha à reeleição em Juiz de Fora. Já no último dia 18, esteve em BH, onde participou da solenidade de instalação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). Bolsonaro deu enfoque a ações de sua gestão na área social e econômica, citando o Auxílio Emergencial e a queda no preço dos combustíveis.

“Mesmo com dificuldades, como essa pandemia que parece que está indo embora, seca e guerra lá fora, mesmo assim, o Brasil foi para frente. Os números da nossa economia fazem sucesso no mundo todo. A taxa de desemprego tem caído mês a mês, o nosso PIB tem crescido. Cada vez mais damos esperança à nossa população. Trabalhamos duro para reduzir os preços dos combustíveis. Hoje, a gasolina está mais barata, o álcool está mais barato, a energia elétrica também está mais barata. Dizer aos mais humildes, que necessitam de projetos sociais, que nós multiplicamos por três o antigo valor do Bolsa Família”, pontuou.

O chefe do Executivo fez diversos acenos a Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, considerado estado decisivo nas eleições. Desde 1989, quem ganha no estado, leva a cadeira do Palácio do Planalto. E citou ter um vice mineiro na chapa à reeleição. “Como vocês já devem saber meu vice é de Minas Gerais, o general Braga Netto é filho da terra, é homem daqui. Qualificado e preparado para me substituir nos momentos de ausência no poder, temos na chapa também não só do meu partido, mas de outros partidos também que nos apoiam para bem representar vocês na Câmara Federal, no Senado e também na Câmara dos Deputados estaduais aqui em Minas”.

Bolsonaro também apelou ao futebol para aumentar a proximidade com a cidade. “Minas Gerais é decisivo para qualquer eleição. Tenho certeza que a exemplo de 2018, teremos uma grande votação aqui em Minas. Estou muito orgulhoso de ser o presidente desse país chamado Brasil e podem ter certeza que depois das eleições seremos campeões mundiais de futebol mais uma vez. O Cruzeiro vai subir, o Galo vai voar e o América continuará na primeira divisão”, afirmou, sendo ovacionado.

Ele agradeceu dizendo “ser apaixonado” pelos mineiros, fez menções à liberdade e à independência e prometeu retornar ao estado antes das eleições. “Minas é o coração do Brasil, Minas é a terra da liberdade, Minas é a história do Brasil. Nesses 200 anos da nossa Independência é impossível não falarmos em Minas Gerais, aqui a semente da nossa independência, aqui a certeza do nosso futuro. Se um dia eu não conseguir arranjar saída para o mar pelo Atlântico, eu vou arranjar pelo Pacífico”.

“Dizer a vocês que até as eleições voltaremos mais vezes para Minas Gerais e com certeza aqui está o futuro do Brasil. Aqui está a certeza que a nossa liberdade continuará sim a valer por muitos e muitos anos”.

O presidente se mostrou confiante, afirmando ter “certeza que ganhará não só em Minas, bem como nas cinco regiões do Brasil, em especial, no nosso Nordeste”.

7 de setembro

Além disso, o chefe do Executivo convocou a população mais uma vez a comparecer às manifestações de 7 de Setembro. “Peço a todos vocês que, no próximo 7 de setembro, nós estaremos comemorando 200 anos da nossa Independência, bem como também estaremos comemorando uma eternidade de liberdade pela frente. Compareçam a esse movimento com verde e amarelo para darmos um respaldo aqueles que querem realmente continuar dizendo que o Brasil é de vocês”, disse.

“No Brasil, vocês tenham certeza que, na América do Sul, por mais que tentem pintar outros países de vermelho, o Brasil continuará verde e amarelo”, concluiu.

 

Correio Braziliense