Por volta de 1998 comecei a escutar transmissões de rádio em ondas curtas, neste período tinha apenas nove anos de idade e não entedia o que isso era ou o que significava. Mas não é comum para uma criança escutar rádio nessa modalidade até porque uma grande maioria de pessoas não conhece tais transmissões, e talvez pelo fato do mercado, vender aparelhos apenas com AM e FM, as ondas curtas entraram em declínio ainda maior do que já estava desde aquela época. Também alguns fatores como propagação, interferência gerada por novos equipamentos tecnológicos e má qualidade dos sinais irradiados, também contribuem para o afastamento de pessoas com interesse em ouvir esta modalidade do rádio.

Ondas curtas ainda são populares nos dias atuais, milhares de pessoas ao redor do mundo escutam emissoras em ondas curtas, com a finalidade de acompanhar informações diretas dos mais diversos países e conhecer culturas e estilos de sociedades distintas.

Minha irmã tinha um mini system, sintonizava ondas curtas (OC), Ondas Medias (OM) e Frequência Modulada (FM), era um sonho de rádio, insisti tanto por aquele aparelho que ela terminou a me presentear com o mesmo. Foi uma das melhores coisas que já ganhei até hoje.  Levei o aparelho para o meu quarto, onde fui muito castigado pelas interferências elétricas, mas que não me desmotivaram a deixar de ouvir rádio.

Comecei a sintonizar as primeiras estações de rádio. Lembro com clareza que acordava logo cedo, antes mesmo dos meus pais, ligava o rádio e sintonizava alguma transmissão que acreditava vir de Cuba, com uns violeiros cantando em espanhol, era um máximo. Meu pai se irritava demais, logo cedo, incomodando. A nossa casa não tinha nenhum tipo de isolamento acústico e o meu quarto era colado com o dele, qualquer barulho ele ouvia e despertava.

Alguns meses passaram e comecei a descobrir emissoras internacionais em ondas curtas, passei a escrever para algumas delas, ganhei brindes, lembrancinhas e mantive contato com muita gente. Porém, entre todas as emissoras havia uma que era diferente, me tratava com maior atenção e dedicação.

Passei a ouvir a Rádio Internacional da China (CRI) logo quando consegui este receptor de ondas curtas, naquele período, ainda havia a BBC Brasil transmitindo em ondas curtas, seu serviço brasileiro, a Rádio França Internacional em Português para o Brasil e muitas outras que hoje estão fora das faixas.  Foi um tempo que me deixa muita saudade e não queria que tivesse passado nunca.

Quando mantive o meu primeiro contato com a CRI iniciei uma amizade que nunca imaginava poder romper as fronteira dos sonhos e da imaginação. Lembro-me bem que fui convidado pela emissora para participar do programa semanal Encontro com a CRI, onde um locutor ou locutora da emissora entrevista os ouvintes dos mais diferentes lugares do mundo. Recebi uma ligação por volta das 22:30 horário local, deveria ser uma 9:30 da manhã em Pequim, na China, onde fica a sede da emissora.  Fui entrevistado pela famosa locutora Flor Bela, na época, responsável pelo contato com os ouviste e que me questionou sobre minha paixão pelo rádio, como comecei a ouvir a CRI, enfim, foi uma longa conversa que teve que ser levada ao ar em dois programas.

Naquela noite deixei bem claro para Flor Bela, “um dia eu irei à China, pode acreditar”, até então era apenas um desejo, que não sabia como iria alcançar.

Minha vida toda foi assim, ligado com o rádio, pra onde vou até hoje, sempre levo um rádio do lado, é mais pegajoso que tudo na minha vida. Confesso que só me sinto bem se o rádio estiver presente. Minhas aventuras no mundo da radioescuta começaram logo cedo. Lembro até que quando era garoto, frequentava muito as rádios da região do brejo paraibano e vivia na porta dos famosos locutores de Guarabira – PB.

Até hoje não entendo bem por que fazia isso, mas eu gostava mesmo de estar perto das pessoas que trabalhavam em rádio.


“um dia eu irei à China, pode acreditar”


            Depois que passei a entender qual a importância do rádio de ondas curtas para o mundo, tive a preocupação de querer compartilhar para o mundo a volta esse valor e comecei a realizar encontros regionais que falavam diretamente sobre o rádio.

 

Leonaldo Ferreira da Silva

33 anos, estudante de Jornalismo na Faculdade Católica Paulusta

Apaixonado pelas comunicações!