O debate da TV Bandeirantes realizado nesse domingo (28), que teve duração de três horas, com os principais candidatos ao Palácio do Planalto não teve vencedor. Os presidenciáveis optaram por seguir as estratégias traçadas. O debate acabou sendo positivo para o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB) em meio a escorregões dos dois principais concorrentes – o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula, ao ser questionado por Bolsonaro sobre o tema corrupção, optou por desviar sua resposta para as “realizações de seu governo”. Bolsonaro foi mal quando, ao ser questionado pela jornalista Vera Magalhães sobre a baixa cobertura vacinal no país, partiu para o ataque contra a jornalista, causando uma repercussão negativa.

Outro aspecto importante no embate entre eles é que tanto Lula quanto Bolsonaro prometeram manter o Auxílio Brasil no valor de R$ 600,00 no ano de 2023.

Também chamou atenção no debate a postura mais crítica da senadora Simone Tebet (MDB) em relação a Jair Bolsonaro. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), por sua vez, optou por tentar se posicionar contra a polarização e contra o modelo econômico, dizendo que Lula e Bolsonaro representam o mesmo modelo.

O momento mais esperado do debate foi o embate direto entre Jair Bolsonaro e Lula. No confronto direto, o atual presidente foi melhor, encaixando bons ataques logo no início do mandato. Os maiores erros de Bolsonaro vieram dele mesmo, e não de ataques de seus concorrentes. Bolsonaro perguntou a Lula sobre os casos de corrupção nos governos do ex-presidente, classificando as gestões Lula como o período de maior corrupção da história. Em sua resposta, Lula optou por apresentar as medidas de combate a corrupção tomadas em sua gestão e desviou o debate para o legado econômico e social de seus governos, que é a pauta que o ex-presidente deseja debater na eleição, estabelecendo uma comparação de seus governos com a gestão Bolsonaro. Lula tentou acenar ao centro, mesmo quando atacado por Ciro Gomes, convidou o ex-ministro a dialogar no futuro, e mais uma vez lembrou a aliança com ex-governador Geraldo Alckmin (PSB-SP).

Jair Bolsonaro, além de trazer a corrupção na era PT, se referir a Lula como “ex-presidiário” e criticar as gestões de esquerda na Venezuela e Argentina, também prestou contas de seu governo. Bolsonaro afirmou que a economia está em recuperação, destacou o fato do país ter uma das inflações mais baixas do mundo, a geração de empregos, o pagamento do Auxílio Brasil no valor de R$ 600,00 – superior ao valor pago nos governos petistas às famílias beneficiárias pelo Bolsa Família.

Após ser bastante criticado pelos demais candidatos em função do ataque a jornalista Vera Magalhães, o presidente procurou minimizar danos junto ao eleitorado feminino, apostando na pauta conservadora e religiosa defendendo a família e a liberdade, assim como se opondo ao aborto e as drogas, e destacando a atuação da primeira-dama Michelle Bolsonaro em programas como o voluntariado.

Ciro Gomes, que teve o melhor desempenho no debate, fez um discurso direcionado ao mais pobres, buscando atrair eleitores de baixa renda que hoje declaram voto em Lula. Lembrou a declaração de Bolsonaro no último final de semana de que “no Brasil não tem gente passando fome”. Ciro defendeu um programa de Renda Mínima no valor de R$ 1mil. Em um aceno ao endividados, prometeu criar um programa de renegociação de dívidas. Ciro também criticou os ataques de Bolsonaro a Vera. Do ponto de vista estratégico, Ciro procurou se posicionar contra a polarização Lula x Bolsonaro.

A senadora Simone Tebet (MDB) adotou uma mudança estratégia. Simone partiu para o ataque contra Jair Bolsonaro. Lembrou sua atuação na Covid e atacou a forma como o presidente gerenciou a pandemia. Também buscou tirar votos de Bolsonaro junto as mulheres, atacando as supostas “ameaças” que o presidente teria feito às mulheres. Simone acenou ao eleitorado feminino, acusou Lula e Bolsonaro de debater apenas para o passado.

Outros dois candidatos presentes no debate – a senadora Soraya Thronicke (União Brasil) e o cientista político Felipe D’Ávila (Novo) – ficaram apagados. Soraya apresentou sua trajetória e adotou uma postura crítica em relação a Lula e Bolsonaro. Insistiu na questão da Reforma Tributária, insistindo no imposto único. D’Ávila, por sua vez, optou pela defesa do setor privado, defendeu o uso eficiente dos recursos públicos, defendendo a gestão do Partido Novo em Minas Gerais (MG), através do governador Romeu Zema.

Nas próximas pesquisas, precisaremos observar a repercussão de dois temas sobre as candidaturas de Lula e Jair Bolsonaro. O primeiro deles é o tema da corrupção. De acordo com a TV Bandeirantes, o tema foi o mais procurado após ter sido trazido a pauta por Bolsonaro. Além disso, é possível que as pesquisas qualitativas do PT, realizadas durante o debate, tenham captado algum desgaste. Não foi por acaso que, no terceiro bloco do debate, Lula voltou ao tema da corrupção questionando Simone Tebet se houve ou não corrupção no governo Bolsonaro na aquisição de vacinas. Nas considerações finais, Lula, ganhou um direito de resposta após ser chamado de “ex-presidiário” por Bolsonaro, a optou pela repetição do discurso da “perseguição política”.

Outro ponto importante a ser observado é o impacto negativo do ataque de Bolsonaro a Vera Magalhães junto ao eleitorado feminino, segmento em que o presidente já encontra dificuldades. Não foi por acaso que, após o embate com a jornalista, Bolsonaro passou a fazer acenos ao eleitorado feminino.

Fica claro que tanto Lula quanto Bolsonaro escorregaram justamente em seus pontos fracos: corrupção (Lula) e eleitorado feminino (Bolsonaro).

As próximas pesquisas também irão nos responder qual o impacto da postura mais crítica de Simone Tebet em relação a Bolsonaro em sua intenção de voto, assim como de Ciro Gomes.

Para os próximos debates, teremos ainda a incógnita sobre a participação ou não de Lula e Bolsonaro. No debate da TV Bandeirantes, até o último sábado (27), um suspense cercou a participação deles no evento.

 

BRASILIANISTA