Comunicar de forma eficiente também significa respeitar as características dos diferentes contextos das relações sociais. Eticamente, temos visto bastante situações que põem em dúvida sobre, digamos, a formação sobre respeito que muitos tiveram (ou deixaram de ter) na vida. Mas já adianto: apresentar ideias em uma disputa política não é para todo mundo.

As “conversas” entre muitos candidatos quando participam de debates para apresentar seus projetos, mais parecem embates pessoais, de tão fora de foco que são. Opiniões opostas precisam ser apresentadas com respeito, pois a democracia acontece quando lados diferentes conseguem atuar em harmonia, seja candidato, jornalista, eleitor ou qualquer indivíduo envolvido em um diálogo político. A ética precisa prevalecer dentro de toda e qualquer situação, onde interlocutores precisem exercer seu papel comunicacional com efetividade.

Quando um profissional da comunicação recebe a missão de participar de uma entrevista ou debate político, provavelmente, este já organiza sua pauta de perguntas sobre e dentro da realidade de cada entrevistado. Da mesma forma, quando um estadista se dispõe a ser questionado por um grupo de comunicadores, logicamente, deve imaginar que muitas das interrogações que serão feitas, podem ser com base nos últimos acontecimentos que o envolvam, visto que, como figura pública, seus atos e decisões políticas são mais evidentes e dignos da opinião social.

Pois é. Não é o que vemos em muitas situações do tipo. Em partes, há uma pauta e um entrevistado, porém, o que não está existindo é o respeito sobre muitas das interrogações que são feitas. A vida pessoal está sendo o alvo de muitos que se acham no direito de desviar-se de algumas perguntas, através de palavras infelizes e extremamente fora do contexto. Única explicação para tal: querer desviar-se! São exemplos dos absurdos que o ano de 2022 está nos fazendo ter o privilégio de ver, pois se estamos aqui, que possamos fazer valer a pena, pelo menos, o nosso direito de escolha, colaborando assim, para dias menos angustiantes em diferentes setores sociais.

Aos eleitores, fica a responsabilidade que sempre tiveram (e agora principalmente!): saber observar cada detalhe dessas conversas, quase sempre exibidas em rede nacional, em diferentes meios de comunicação, à disposição de todas as classes que compões esse país. E que país! Mas agora não vamos falar sobre isso, seria tocar em muitas feridas.

As falas, as propostas, as palavras escolhidas, cada reação, tudo é importante na hora de decidir quem está mais preparado para governar. Tudo, inclusive quando acabam tocando na vida pessoal dos envolvidos numa disputa política, afinal, isso não influi na vida do povo, apenas contribui para que mais discursos de ódio sejam disseminados, gerando assim, uma verdadeira cadeia de ataques desnecessários.

Que a educação e a ética não se extingam com o tempo, pois elas fazem parte desse regime tão importante para o povo brasileiro: a democracia. Exercitar a escuta e saber medir o que vai dizer é decisivo para a imagem que se deseja construir junto ao público.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Professora e estudante de Jornalismo digital. Paulista de nascença, com raízes na Paraíba. Uma nordestina apaixonada pela comunicação.