Vejo pela janela do quarto do hotel que chove forte lá fora. É tempo de chuva na região. Estou em um hotel butique, em San José, Costa Rica. Gosto de hotéis pequenos, fujo daqueles que têm mais gente circulando nos halls que nas esquinas movimentas de Tóquio, Mumbai, Shangai ou São Paulo, megalópoles entupidas de homo sapiens.

Retomei as viagens internacionais após trinta meses em casa. Estava em abstinência por não viajar, causada pela pandemia do Coronavírus. Não estava mais acostumado com a rotina de viagem: fazer mala, passaporte, aeroportos, raios X, alfândegas, imigrações, check-in, hotéis.

Essa é minha primeira viagem para fora do país desde 2020. Muita coisa mudou nesse intervalo. Tive que tirar carteira internacional de vacinação, informando as datas em que fui vacinado contra a Covid-19. Renovei a carteira contra a febre amarela na ANVISA.

Por não ser mais obrigatório, quase não se vê pessoas com máscara nos aeroportos por onde tenho andado.

Antes de iniciar a viagem por nove países das Américas, estive em São Paulo, lançando o livro “Das muletas fiz asas”. Graças ao empenho do amigo-editor Raimundo Gama, da N’versos, a noite de autógrafos na livraria Martins Fontes, na av. Paulista foi um sucesso. Reuni amigos que moram em SP, outros vindos do interior do estado; alguns que conhecia apenas pelas redes sociais.

Deixei SP, na fria madrugada de 12/09, embarquei para Cidade do Panamá. O Panamá é um país que gosto muito, já o visitei três vezes.  Em seguida, Costa Rica, 145º visitado desde que me tornei andarilho por esse mundão de meu Deus.

No hotel mostrei o livro “Das muletas fiz asas” ao rapaz da recepção. Admirado com a capa, perguntou porque havia escrito o livro?

Falei das andanças pelo mundo, que as pessoas tinham curiosidade em saber como fazia para me deslocar por diferentes países com as minhas limitações. “Quais limitações?” Perguntou ele, aguçando sua curiosidade. Rafael estuda Ciências Sociais na Universidade da Costa Rica.

Contei que mal falo inglês, não puxo mala, embora ande com uma grande mala por todos os lugares. Que tenho bolso raso e sonhos profundos, ou seja, não tenho muito dinheiro, mas com o pouco que tenho realizo grandes sonhos.

Rafael mais interessado na história ainda, perguntou se poderia entrar em contato com a irmã da namorada que trabalha em um jornal de San Jose, sobre a possibilidade de uma entrevista. Mas ressaltou, “não garanto nada”.

No desayuno da manhã seguinte, Rafael todo contente, disse que a jornalista havia se interessado pela história. Pediu meu contato para marcarmos a hora e local da entrevista. Contatos alinhados, a jornalista Karen enviou mensagem dizendo que no final da manhã estaria no hotel.

Fonte da imagem: Arquivo pessoal

No horário marcado, Karen e a fotógrafa Magi estavam a me entrevistar e me fotografar. Ambas já visitaram o Brasil. A entrevista foi longa, falamos do acidente, da vontade de conhecer todos os países do mundo, do período da pandemia, de superação, de resiliência, e do livro.

Fonte da imagem: Arquivo pessoal

A matéria será publicada, segundo me disseram, neste final de semana no caderno de turismo do jornal de maior circulação no país. Na madrugada de quinta-feira, 15/09 tomei um ônibus, viajei onze horas e cheguei em Manágua, Nicarágua. Ainda tenho mais cinco países das Américas para conhecer.

Assim, sigo minha caminhada pelo mundo, como um obstinado Forrest Gump, andarilho e contador de histórias.  Agora em portunhol.

Luiz Thadeu Nunes e Silva

Sobre o autor: Eng. Agrônomo, Palestrante cronista e viajante. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. O sul-americano mais viajado do mundo, visitou 145 países em todos os continentes do planeta.