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No dia 2 de outubro de 2022,  os brasileiros vão às urnas para decidir quem será o presidente, vice-presidente, senador, deputados federais e estaduais pelos próximos quatro anos. É a 32ª eleição presidencial do país desde a Proclamação da República, em 1889.

A CNN Brasil traz a linha do tempo de todas as eleições e presidentes que passaram pelo Brasil.

Pós-Proclamação da República, em 1889

O primeiro chefe de Estado que o Brasil teve na era republicana foi o Marechal Deodoro da Fonseca, em 1889. Foi alçado ao poder depois de liderar o golpe político-militar que derrubou a monarquia brasileira.

1891: Marechal Deodoro da Fonseca

As primeiras eleições aconteceram em 1891, porém sem a participação popular. Senadores e deputados da Assembleia Constituinte escolheram o Marechal Deodoro da Fonseca com 129 votos (55%). Ele era filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP).

Com a saúde fragilizada, Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891. Seu vice, o Marechal Floriano Peixoto seguiu no comando do país até 1894, mesmo tendo por dever constitucional convocar novas eleições.

1894: Prudente de Morais

Foi a primeira eleição com voto da população, prevista na Constituição, ainda que com muitas restrições. O direito era negado a mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos e religiosos sujeitos a voto de obediência.

A eleição era aberta e o voto não era secreto. Prudente de Morais (do Partido Republicano Federal) foi quem conseguiu mais votos: 82,9%.

Os mandatos tinham duração de quatro anos e não previam reeleição.

1898: Campos Salles

Com a perda do apoio do Partido Republicano Federal, Prudente de Moraes estava enfraquecido politicamente, apesar do grande apoio popular.

O nome de Campos Salles foi indicado pelo presidente. Ex-membro do Partido Liberal na época da monarquia, era membro do Partido Republicano Paulista (PRP). Foi eleito com 91% dos votos.

1902: Rodrigues Alves

Apesar de ter sanado as dívidas do país, Campos Salles acabou prejudicando a indústria e a condição geral de vida da população. Ainda assim, conseguiu eleger um sucessor: Rodrigues Alves (PRP), que foi escolhido com 93% dos votos.

1906: Afonso Pena e Nilo Peçanha

Mantendo uma boa situação econômica e conseguindo melhorar a qualidade de vida, não foi difícil que Rodrigues Alves conseguisse emplacar mais um mandato do PRP. O nome escolhido foi do vice Afonso Pena, do Partido Republicano Mineiro (PRM), que teve 97% dos votos.

1910: Hermes da Fonseca

Em 1909, Afonso Pena morre, e Nilo Peçanha, do Partido Republicano Fluminense (PRF) assume o poder. Para as eleições do ano seguinte, escolhe Hermes da Fonseca, que concorria pelo Partido Republicano Conservador (PRC). Ele foi eleito com 64% dos votos.

Hermes teve que lidar com várias revoltas militares e populares (Revolta da Chibata, da Esquadra e a Guerra do Contestado).

1914: Wenceslau Braz

A disputa política entre os partidos de Minas Gerais, São Paulo e outros Estados influenciou diretamente as eleições.

O nome do vice-presidente Wenceslau Braz foi proposto como medida conciliatória entre Minas Gerais, São Paulo e os outros Estados. Houve acordo, e Braz foi eleito com 91% dos votos.

1918: Rodrigues Alves e Delfim Moreira

O governo de Wenceslau Braz coincidiu com a 1ª Guerra Mundial, e outras crises internas (a continuação da Guerra do Contestado e Revolta dos Sargentos).

Apenas um presidente se candidatou oficialmente ao pleito de 1918: Rodrigues Alves, que levou a maioria dos votos.

Porém, Alves não conseguiu nem tomar posse. O eleito foi vítima da Gripe Espanhola, que assolava o país. O vice, Delfim Moreira, ocupou o cargo de forma interina.

1919: Epitácio Pessoa

A Constituição de 1891 não permitia que o vice assumisse o comando do país, exceto se já tivessem passado dois anos da posse.

Por isso, em 1919, novas eleições tiveram de ser convocadas.

Epitácio Pessoa, membro do PRP, mas que concorreu pelo PRM, acabou eleito, com 70% dos votos.

1922: Arthur Bernardes

A força política também se dividia. Enquanto Minas Gerais e São Paulo indicavam Arthur Bernardes para a sucessão presidencial, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco lançaram a candidatura do ex-presidente Nilo Peçanha.

Bernardes foi o escolhido com 59% dos votos, reforçando a divisão que o país vivia na época.

1926: Washington Luís

O governo de Arthur Bernardes foi marcado por várias revoltas em São Paulo, Mato Grosso, Sergipe, Amazonas, Pará e Rio Grande do Sul. Entre os temas, o pedido do voto secreto, liberdade de imprensa e independência do Judiciário.

Para a sucessão presidencial, foi indicado o nome de Washington Luís, que acabou sendo eleito presidente com 99,7% dos votos. Ele foi o único que se candidatou formalmente.

1930: Júlio Prestes

Ao tentar quebrar a política do café com leite (onde os Estados de Minas Gerais e São Paulo se alternavam no poder), Washington Luís acabou por modificar o cenário nacional.

Ele queria que outro paulista iria sucedê-lo, Júlio Prestes. O PRM, acuado, se uniu ao Partido Republicano Rio-Grandense e lançou Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda do governo de Washington Luís.

Júlio Prestes acabou eleito com 59,39%. Mas, não teve tempo nem de assumir o cargo. A Revolução de 1930 acabou com a Primeira República brasileira.

Revolução de 1930

Com a queda de Júlio Prestes, o Brasil passou seis meses, aproximadamente, sendo governado pela Junta Provisória, com líderes do movimento alternando o poder.

Foram João de Deus Mena Barreto, José Isaías de Noronha e Augusto Tasso Fragoso. Em novembro de 1930, Getúlio Vargas assumiu a presidência da República.

1934: Getúlio Vargas

Em 1934, uma nova Constituição foi promulgada. Instituindo o voto secreto e permitindo a participação feminina, a escolha, porém, foi indireta, sem a participação popular, devido ao Governo Provisório.

Getúlio Vargas foi mantido no poder por 70% dos deputados.

1945: Eurico Gaspar Dutra

As eleições deveriam acontecer em 1938. Porém, um ano antes, Getúlio Vargas deu um golpe e centralizou o poder em torno dele. A ação recebeu o nome de Estado Novo.

O período durou até outubro de 1945, quando ele foi deposto pelas Forças Armadas. José Linhares, convocado pelos militares, comandou o país por 94 dias, até a volta dos brasileiros às urnas.

Com o voto secreto, participação popular mais intensa e poucas acusações de fraude, o general Eurico Gaspar Dutra, do Partido Social Democrático (PSD), aliado ao PRP, foi escolhido com 55,39%.

1950: Getúlio Vargas

Uma nova Constituição foi redigida em 1946, determinando que o mandato duraria cinco anos, e que as eleições de presidente e vice fossem separadas.

Gaspar Dutra apoiou o candidato Cristiano Machado, do PSD. A União Democrática Nacional (UDN), criada em 1945, lançou a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes.

Getúlio Vargas veio como candidato pela coligação entre o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Progressista (PSP). Vargas acabou eleito com 48% dos votos.

1955: Juscelino Kubitschek

Getúlio Vargas deu um tiro no coração no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, em 1954. O vice, Café Filho, assumiu o cargo até sofrer um infarto em novembro de 1955.

Foi sucedido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz. No entanto, o ministro da Guerra, marechal Henrique Lott, o destituiu sob suspeita da aplicação de um golpe. Nereu Ramos comandou o país até o início do novo mandato.

A coligação do PSD, PTB, do Partido Republicano (PR), do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Social Trabalhista (PST), e do Partido Republicano Trabalhista (PRT) lançou como candidato o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitschek (PSD). Ele foi eleito com 35,68% dos votos.

1960: Jânio Quadros

Após anos de investimentos na rede de transporte do país e de alguns problemas econômicos, as eleições de 1960 tiveram vários candidatos.

Henrique Lott, que havia garantido a posse de Juscelino, foi lançado pelo PSD, com apoio de partidos como PTB, PST, PSB e PRT; Adhemar Pereira de Barros saiu pelo Partido Social Progressista, sem coligação e Jânio Quadros, pelo PTN e Partido Democrata Cristão (PDC). UDN, PR e PL se uniram já no caminho da campanha.

Jânio foi eleito com 48,26%.

1964: Humberto Castello Branco

Jânio Quadros governou apenas por sete meses, cercado de polêmicas. Ele renunciou em agosto de 1961. João Goulart, o Jango, assumiria o poder. Porém, estava fora do país, que passou a ser comandado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli.

Os militares eram contra a posse de Jango, por acreditar que ele estava mais próximo aos comunistas. Para apaziguar os ânimos, foi adotado o parlamentarismo, onde o Congresso é quem passava a tomar as decisões. Jango voltou ao Brasil e tomou posse.

Em 1964, veio o Golpe Militar. João Goulart foi deposto. E a escolha para o novo presidente foi decidida no Congresso Nacional, transformado em Colégio Eleitoral pelo Ato Institucional Número 1 (AI-1). Humberto Castello Branco, Chefe do Estado-Maior do Exército, recebeu 98% dos votos.

1966: Artur da Costa e Silva

Indireta, a sucessão de Castello Branco dividiu os militares brasileiros, pois de um lado encontravam-se aqueles que eram oriundos da Escola Superior de Guerra; do outro, seguidores liderados pelo ministro de Guerra, Artur da Costa e Silva, considerado “linha dura”.

Costa e Silva foi o único candidato. Ao assumir o comando do Brasil, decretou o Ato Institucional Número 5 (AI-5), que instaurou o regime militar.

1969: Emílio Garrastazu Médici

Meses antes, Costa e Silva foi afastado do cargo por causa de uma trombose cerebral. Para evitar que o vice, Pedro Aleixo, assumisse a presidência — uma vez que ele tinha desejos democratas, a Junta Militar instaurou o Ato Institucional Número 12, que determinava que os ministros militares seriam os responsáveis pelo país enquanto o presidente estivesse fora.

Augusto Rademaker, ministro da Marinha, Aurélio de Lira Tavares, do Exército, e Márcio de Sousa e Melo, da Aeronáutica, assumiram o poder neste período.

Nas eleições, os militares escolheram o general Emílio Garrastazu Médici, com Rademaker de vice. Sem adversários.

1974: Ernesto Geisel

Médici pertencia à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), enquanto havia também o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), únicos partidos autorizados pela ditadura.

Em 1974, Ernesto Geisel foi escolhido pela ARENA, enquanto Ulysses Guimarães era o candidato do MDB. Geisel foi teve 84% dos votos do Colégio Eleitoral.

1978: João Figueiredo

O período de abertura política foi marcado pelo fim da censura prévia à imprensa e a permissão para propaganda política da oposição. O MDB veio com um candidato mais opositor, Euler Bentes Monteiro. A ARENA, com João Figueiredo, escolhido para um mandato de seis anos com 61,1% dos votos.

1985: Tancredo Neves

A tendência de abertura política se refletiu nas criações de novos partidos e na mudança dos dois de então. A ARENA virou Partido Democrático Social (PDS), e o MDB se tornou PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).

Foi em 1985 que aconteceu o movimento Diretas Já, pedindo a volta da escolha da população nas eleições.

O governo militar conseguiu segurar as eleições indiretas por mais um período. Tancredo Neves saiu candidato pelo PMDB, e Paulo Maluf pelo PDS.

Tancredo foi escolhido com 380 votos, contra 180 de Maluf. Porém, no dia anterior à posse, o político foi internado com uma grave crise de apendicite. O vice, José Sarney, foi quem assumiu o poder.

Um mês depois, provocada por uma infecção generalizada, a morte de Tancredo parava o Brasil. Sarney então era o presidente de fato, seguindo muitas das propostas levantadas pelo então líder da chapa.

1989: Fernando Collor de Melo

Em 1986 foi montada nova Assembleia Constituinte e o Brasil voltou a ter eleições diretas, entre o retorno de tantas outras medidas. A nova Constituição foi promulgada em 1988.

No ano seguinte, as primeiras eleições da redemocratização. Vinte e dois candidatos foram lançados. Fernando Collor obteve 30,47% dos votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu 17,18%.

Sem maioria absoluta, a disputa foi para o segundo turno. Com promessas de melhorias econômicas, Collor foi o vencedor, com 53,03%.

1994: Fernando Henrique Cardoso

Em 1992, Fernando Collor sofreu impeachment após ser acusado de estar envolvido diretamente com esquemas de corrupção ligados ao tesoureiro de sua campanha, PC Farias. Ele renunciou dias antes, mas os direitos políticos foram cassados. Itamar Franco foi quem comandou o governo até as eleições de 1994.

Fernando Henrique Cardoso, então Ministro da Economia, decide se lançar à presidência pelo PSDB. O ex-ministro levou a disputa no primeiro turno com 54% dos votos.

1998: Fernando Henrique Cardoso

A disputa de 1998 não chegou a ser surpreendente. Lula tentou mais uma vez, enquanto a candidatura de Fernando Henrique à reeleição foi apoiada por uma coligação de partidos de centro-direita.

FHC foi reeleito com 53% dos votos, também em primeiro turno

2002: Luiz Inácio Lula da Silva

Com o Brasil vivendo uma crise econômica e sem a possibilidade de se reeleger mais uma vez, Fernando Henrique escolheu o ministro da Saúde, José Serra, para concorrer com Lula.

No primeiro turno, o candidato do PT conseguiu 46,44% dos votos. No segundo turno, Lula recebeu 61,27% dos votos.

2006: Luiz Inácio Lula da Silva

O pleito de 2006 também teve dois turnos. Lula reuniu 48,61% dos votos. O adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), teve 41,64%. No segundo turno, Lula venceu com 60,83%

2010: Dilma Rousseff

Quatro anos depois, o PT escolheu Dilma Rousseff para competir contra José Serra, do PSDB, que tentava mais uma vez a presidência. O pleito foi decidido em dois turnos. Dilma recebeu 46,91% no primeiro, e 56,05% no segundo.

2014: Dilma Rousseff

O PSDB escolheu o ex-governador de Minas Gerais e então senador Aécio Neves para concorrer com Dilma, que tentava a reeleição. No primeiro turno, a petista conseguiu uma boa vantagem, mas insuficiente para resolver a disputa: 41,59% contra 33,55% do adversário.

No segundo, Dilma recebeu 48,36% dos votos.

2018: Jair Bolsonaro

Em 2016, Dilma foi afastada do cargo pelo Congresso Nacional em agosto e substituída pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), que decidiu não se candidatar à reeleição em 2018.

O PT escolheu Fernando Haddad, que tinha sido prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016.

O deputado federal Jair Bolsonaro (então pelo PSL) despontou como um dos favoritos. No primeiro turno, Bolsonaro teve 46,03% dos votos. No segundo, 55,13%.

 

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