A Caixa Econômica Federal comunicou na 2ª feira (17.out.2022) a renúncia do vice-presidente de Tecnologia e Digital, Cláudio Salituro. Ele é o 4º vice-presidente a deixar o banco desde junho, quando Pedro Guimarães, que comandou a Caixa até meados deste ano, foi acusado de assédio sexual.

O portal de notícias Metrópoles publicou, em julho, vídeos em que Salituro filma e xinga funcionários da Caixa e empregados terceirizados. Na época, o banco disse que as imagens seriam apuradas tanto pelo órgão quanto por uma auditoria privada.

Em comunicado ao mercado publicado na 2ª feira (17.out), a Caixa disse somente que a saída é por “motivos pessoais”. O banco não informou quem irá substituí-lo. Eis a íntegra da nota (81 KB).

A Caixa Econômica Federal comunica à sociedade brasileira, aos seus clientes e empregados, e ao mercado em geral que o Conselho de Administração acatou, nesta data, pedido de renúncia, por questões pessoais, do Sr. Claudio Salituro ao cargo de Vice-Presidente de Tecnologia e Digital”, lê-se na nota.

A Caixa agradece ao Sr. Claudio Salituro pelas relevantes contribuições, profissionalismo e dedicação, desejando-lhe sucesso nos novos desafios.

A diretoria da Caixa é composta por 12 vice-presidências. Desde que Guimarães saiu da Caixa, já deixaram os cargos:

  • Celso Leonardo Barbosa, que atuava como vice-presidente de Negócios de Atacado; ele foi citado nas acusações de assédio sexual;
  • Antônio Carlos Ferreira, que era vice-presidente de Logística; também citado nas acusações de funcionários;
  • Camila de Freitas Aichinger, vice-presidente da Rede de Varejo.

ASSÉDIOS NA CAIXA

Guimarães deixou o cargo no final de junho, depois de relatos de que teria assediado funcionárias da empresa. Ele foi substituído pela economista Daniella Marques

As acusações foram publicadas em 28 de junho pelo portal de notícias Metrópoles. Várias mulheres aceitaram dar depoimentos gravados (mas mantendo suas identidades em sigilo) fazendo relatos detalhados de como se daria o assédio praticado por Pedro Guimarães.

Os relatos de assédio moral e sexual tiveram alta vertiginosa na Caixa a partir da chegada de Guimarães, em 2019.

Segundo dados do banco estatal, em 2015 houve 69 acusações de assédio moral e nenhum de conotação sexual. Em 2022, os números foram 177 e 77, respectivamente. As informações foram obtidas via LAI (Lei de Acesso à Informação).

Como resultado, foram abertos 115 procedimentos disciplinares para apurar relatos de assédio moral e 35 sobre assédio sexual. Todas as investigações são de 2019 a 2022. A Caixa não informou quantos são relacionados a Pedro Guimarães. Disse que há sigilo nesses processos.

Guimarães nega que tenha tomado conhecimento sobre os relatos de assédio moral e sexual durante sua gestão.

Poder 360