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O condado de Lee, no estado norte-americano da Flórida, registrou aumento fora do normal de novos casos associados a bactérias carnívoras. Pelo menos 32 infecções por vibrio vulnificus e quatro mortes já foram notificadas. Essa bactéria, que vive em água quente e salobra, teria se espalhado durante as cheias causadas pelo Furacão Ian.

Em comunicado, as autoridades norte-americanas alertaram sobre o aumento de novos casos provocados pela espécie na região, que coincide com a área assolada pelo Furacão Ian, em 28 de setembro.

“O Departamento de Saúde da Flórida, no condado de Lee, observa aumento anormal nos casos dessa infecção, como resultado da exposição às águas das cheias e águas estagnadas após o Furacão Ian”, disse um porta-voz do órgão.

Depois de a tempestade, de categoria quatro, ter atingido a área de Lee, a subida das águas teria possibilitado a propagação do micro-organismo. “Com esgotos a vazar, uma das situações causadas pelo Furacão Ian, podem aumentar os níveis de bactérias”, acrescentou o comunicado.

“À medida que a situação pós-tempestade evolui, as pessoas devem tomar precauções contra infecções e doenças causadas pelo vibrio vulnificus”, alertam as autoridades. O comunicado adverte ainda os moradores para que “estejam sempre cientes dos riscos potenciais associados ao expor feridas abertas, cortes ou arranhões na pele a água quente, salobra ou salgada”.

Aumento de casos

Depois de 28 de setembro, as autoridades de saúde registraram 29 novos casos e quatro mortes associadas à bactéria em Lee. A região de Collier também notificou três casos confirmados, que as autoridades associam ao Furacão Ian.

Durante este ano, o estado da Flórida teve recorde de 11 mortes confirmadas, atribuídas à bactéria, e um total de 65 casos, segundo dados de saúde do estado . As autoridades estimam que perto de metade das infecções está relacionada com a tempestade.

Em 2021, foram registradas dez mortes e 34 casos no estado. Em 2020, sete morte foram atribuídas à bactéria.

Carnívora

vibrio vulnificus vive em ambientes marinhos e tem a habilidade de invadir e destruir tecidos moles. Ao ser altamente invasiva num corpo vivo, a bactéria causa infeção conhecida por fascite necrosante.

É uma doença grave, de aparecimento súbito, que se espalha rapidamente, destruindo progressivamente o tecido subcutâneo. Os primeiros sintomas são tremores, náuseas, febra alta e lesões cutâneas, mas rapidamente evolui para diarreia, vómitos e manchas e bolhas na pele.

 

Agência Brasil