Não é a primeira vez que escrevo sobre a audácia de sonhar e de ir em busca da realização daquilo que se deseja. E também não é a primeira vez que cito o “rei do Brasil”, Assis Chateaubrian. Pois bem. A expressão que intitula este texto pode até assustar, visto as questões políticas e pessoais que fizeram parte da história do homem que catapultou a comunicação brasileira. E isso é admirável.
Timidez, gagueira, analfabetismo em alta idade da infância e de origem humilde: eis os ingredientes magistrais para que qualquer pessoa se limite a aceitar o que a vida ofereceu, e pronto, se dar por satisfeito! Mas não. A máxima “Se a vida te der limões, faça uma limonada” pode ser remodelada para “Mostre à vida que os limões que ela te oferece servirão para fazer a caipirinha da festa em comemoração ao seu sucesso”. E isso Chateuabriand fez perfeitamente.
Aqui, deixemos de lado as questões éticas e pessoais do referido paraibano. Não que elas não sejam importantes, mas partiremos do princípio de que “não há um bom, sem uma falta”. Iremos pela vertente da audácia que muitos não têm para mudar sua realidade e ir atrás dos seus sonhos. A audácia de um homem que transformou e gerou o embrião que deu vida à maior rede de comunicação da América Latina: Os Diários Associados.
Em um terreno onde não havia visionários para que a comunicação se aprimorasse, Assis Chateaubriand foi atrás do improvável e fez acontecer. Não é à toa que estamos no mês de outubro, pois foi em meados deste mesmo tempo, no ano de 1964, que o magnata das comunicações comprou seu primeiro jornal, “O Jornal”. A partir de então decidiu surfar nas ondas do jornalismo, mergulhou em mar aberto, no oceano do “eu vou lá e faço”, subiu na pipeline mais monstruosa e não teve medo que ela se quebrasse em águas rasas. E deu certo!
Quando usei o termo “Chateaubriand”ne-se, instigo você, leitor, a inspirar-se em Assis Chateaubrian, no que diz respeito à busca por aquilo que se deseja, pela mudança da sua realidade. Não se trata de cometer loucuras para tentar chegar onde se quer, mas ser louco o bastante a ponto de arriscar ir atrás daquilo que se acredita. A televisão não veio ao Brasil sozinha, mas precisou de quem acreditasse que, mesmo sem a população ter condições de comprá-la, 200 unidades foram o bastante para revolucionar um país que só ouvia e passou a enxergar.
Seja como Assis, o Chatô. Seja como o menino simples que saiu de Umbuzeiro, na Paraíba, para fazer acontecer a história da comunicação brasileira. Do seu desejo em ser alguém, surgiu a era do avanço da telecomunicação no Brasil. De analfabeto, a rei.
Esse foi Assis Chateaubriand. Portanto, “Chateaubriand”ne-se!
Maria Daniele de Souza Lima.
Sobre a autora: Professora de Língua Portuguesa, estudante de Jornalismo e apaixonada pela comunicação.
