Manifestantes participam de protesto organizado pelo coletivo "Mulheres Vida Liberdade" em Berlim — Foto: Maja Hitij/Getty Images

Dezenas de milhares de pessoas marcharam em Berlim neste sábado em uma demonstração de apoio aos manifestantes no Irã, onde os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial chegaram à sexta semana, apesar da repressão fatal do Estado. 

Os protestos têm representado um dos desafios mais ousados ​​para a liderança clerical do Irã desde a revolução de 1979, mesmo que não pareçam perto de derrubar um governo que tem adotado seu poderoso aparato de segurança para reprimir as manifestações.

Amini, uma curda iraniana de 22 anos, morreu sob custódia da polícia da moralidade após ser detida por uso de “traje impróprio”. Protestos eclodiram em seu funeral em 17 de setembro, na cidade curda de Saqez, antes de se espalhar pelo Irã. Grupos de direitos humanos dizem que mais de 200 pessoas foram mortas na repressão.

As mulheres têm desempenhado um papel de destaque nos movimentos, balançando e queimando véus. As mortes de várias adolescentes supostamente assassinadas durante os protestos têm gerado mais ira.

Em Berlim, a polícia estima que 80 mil pessoas aderiram à marcha, com manifestantes agitando bandeiras iranianas e segurando faixas dizendo “Mulheres, Vida, Liberdade”. Os organizadores disseram que os iranianos vêm dos Estados Unidos, Canadá e de toda a União Europeia.

“De Zahedan a Teerã, sacrifico minha vida pelo Irã”, disse a ativista de direitos humanos Fariba Balouch após discursar na movimentação em Berlim, fazendo referência às cidades iranianas atingidas pelos protestos. A multidão respondeu com “Morte a Khamenei”, uma menção ao líder supremo aiatolá Ali Khamenei.

Ativistas contrários ao governo disseram que a marcha de Berlim foi a maior manifestação de iranianos contra a República Islâmica no exterior.

“Eu me sinto muito bem, porque estamos aqui para (dizer) ‘Nós estamos com vocês, com todo o povo iraniano’. Eu sou a voz de Mahsa Amini”, disse uma manifestante que se identificou como Maru.

 

Agência Reuters