Gabriela Correia com filho recém-nascido no colo e o marido após parto dentro de carro — Foto: Deborah Ghelman

Um carro em movimento, uma mulher em trabalho de parto e um forte grito. Quando o bebê de Gabriela Correia, de 33 anos, começou a sair de dentro dela, o marido ainda estava dirigindo o automóvel. O menino nasceu poucos instantes após ele estacionar, na Zona Sul do Recife .

“Na hora, foi uma loucura”, lembrou Gabriela, que é médica obstetra.

 

O momento foi eternizado pela fotógrafa Deborah Ghelman e viralizou na internet. As imagens, cedidas pela fotógrafa e pela mãe ao g1, mostram a emoção de todos os envolvidos no nascimento de Arthur, na tarde da segunda-feira (25).

O parto aconteceu dentro do carro, que foi estacionado em um posto de gasolina na Avenida Antônio de Góes, no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife.

“A gente estava em uma ansiedade para tentar saber se era menino ou menina, mas optou por esperar para poder descobrir na hora e viver uma aventura diferente. Só não sabia que ia ser tanta coisa diferente ao mesmo tempo. Isso é emocionante, mas foi muito bom que deu certo”, afirmou Gabriela, que é médica obstetra.

Ainda faltava uma distância de 6,8 quilômetros para que eles chegassem ao Hospital Português, onde o parto estava programado para ser realizado, no bairro do Paissandu, na área central do Recife.

“Foi algo muito rápido e me surpreendeu muito. Quando vi que já estava com nove centímetros, bateu aquele medo, aquela angústia do processo de transporte e o medo de ‘será que vai será que eu vou chegar a tempo ou não?’ Não deu não deu tempo, mas eu tinha um suporte muito bom”, disse Gabriela.

Segundo filho de Gabriela com o cardiologista Gilberto Godoy, Arthur veio ao mundo a apenas 3,8 quilômetros de casa, às 12h26, medindo 50,5 centímetros e pesando 3,485 quilos. Com o nascimento do caçula, Dante, de 1 ano e dez meses, foi promovido a irmão mais velho.

Após o parto no carro, mãe e recém-nascido foram para o hospital para a realização dos procedimentos médicos necessários e de exames. Eles receberam alta por volta das 11h desta terça.

“Meu bebê já está de alta, super saudável, maravilhoso. E Dante também foi um parto super bem diferente, na banheira, de um bebezinho dentro da bolsa, empelicado. Foi muito lindo meu primeiro parto. Imaginei que esse não ia superar de emoção, não nessa loucura toda, mas realmente foi e tenho duas histórias muito boas para contar”, declarou.

Gabriela Correia com filho recém-nascido no colo e o marido após parto dentro de carro — Foto: Deborah Ghelman
Gabriela Correia com filho recém-nascido no colo e o marido após parto dentro de carro — Foto: Deborah Ghelman

Ela contou com o apoio do marido e de mulheres com quem disse ter uma forte ligação, como a sócia Larissa Gomes, que também é obstetra, a doula Joana Nunes e a fotógrafa Deborah Ghelman.

“Todo mundo que estava no parto esteve comigo em momentos também muito difíceis. Eu tive uma perda do meu primeiro filho, foi muito doloroso. Eles estavam junto comigo e me deram muito apoio por esse processo. Então, é uma história longa que eu tenho com essa equipe”, disse.

O vídeo do parto, compartilhado por Deborah Ghelman nas redes sociais, na manhã desta terça já tinha sido enviado para quase quatro mil pessoas e tinha aproximadamente 50 mil visualizações e 500 comentários.

“Estou ainda superando isso. Primeira vez que fotografei um parto fora de hospital na minha vida inteira”, disse Deborah.

 

Fotógrafa há dez anos e com diversos prêmios no currículo, Deborah disse que nunca passou por nada parecido. “Eu sabia a importância da minha presença nesse momento. Ela sempre falou que valoriza muito meu trabalho e os partos acontecem, às vezes, em lugares inusitados, mas nunca tem um fotógrafo preparado. Mas aconteceu e graças a Deus deu tudo certo, o bebê nasceu ótimo”, afirmou.

A fotógrafa disse que, de 250 partos que registrou, foi para a casa das gestantes apenas três vezes. Desta vez, não apenas foi para a casa de Gabriela como resolveu ir para o hospital no mesmo carro. Sentiu uma espécie de intuição de que deveria registrar tudo.

“Foi uma mistura de sentimentos, mas não senti medo em nenhum momento. Foi adrenalina e felicidade, por ter certeza de que ela estava assistida e que estava fluindo de forma muito natural. Estava todo mundo no carro rindo e muito feliz. Não existiu desespero, tensão, só alegria. Em nenhum momento ela pediu para acelerar. Só disse ‘vai nascer aqui, pare e vai ser da melhor forma'”, contou.

g1/PE