“Eu escolho ser feliz” intitula um dos livros lançados por uma das repórteres mais autênticas do jornalismo brasileiro: Susana Naspolini. Sua história repete os relatos de tantas pessoas que, desde criança, já davam sinais do que queriam para a sua vida.
“Eu lembro muito de mim, com 10 anos de idade, […] brincando de fazer reportagem dentro de casa. Pegava uma escova de cabelo, fazia que era um microfone, andava pela casa mostrando, inventando assuntos […].” contou em uma entrevista dada à Andressa Fabris, em 2018.
Leve, com seu jeito único e irreverente, tornou-se a voz das comunidades cariocas que clamam por respostas das autoridades para uma vida mais digna. Com o quadro RJ Móvel, a repórter passou a fazer um jornalismo diferente, ajudando as pessoas com seu bom humor e simpatia únicos.

Começou em uma das afiliadas do SBT em Florianópolis, no segundo ano da faculdade de Jornalismo. Sim, no segundo ano de faculdade, quando ela não acreditou que fazer um piloto para repórter iria dar em nada. Mas alguém acreditou no seu talento e dedicação. No outro dia após o teste, foi chamada para trabalhar. Ela só queria uma oportunidade. Em meio ao pânico no início da carreira, não se rendeu ao medo de não dá conta.
A conhecia, mas não sabia da sua história. Eu sei da minha, que não peguei escova de cabelo para imitar um microfone, mas organizei uma peça na escola, quando estudava a antiga 8ª série do ensino fundamental. O ano era 2002. Estávamos no auge do Caso Richthofen. A professora de Inglês pediu para escolhermos temas para apresentar. Então achei por bem escolher a temática e encenar para a turma um resumo do Caso. A repórter? Fui eu. Tiramos 10. Foi meu primeiro “trabalho” no jornalismo e eu fui muito feliz naquele dia. E esse não foi o único, mas isso fica para uma outra oportunidade.
Susana bateu nas portas, assim como eu aprendi a fazer. Ela subiu muitos degraus de uma escada chamada persistência. E eu ainda me seguro para não desistir de subir.
Aos 18 anos, Susana descobriu um linfoma no quadril. Em janeiro de 2011, foi diagnosticada com câncer de mama e em outubro do mesmo ano, um câncer na tireoide. Em 2015, mais um câncer de mama a acometeu, um ano após o falecimento do seu esposo e também jornalista, apresentador e narrador esportivo, Maurício Torres. Foram vários problemas de saúde em um espaço de tempo muito pequeno. Muitos pânicos para uma pessoa só. A partir de então, a leveza da repórter se acentuou, visto a sua necessidade de viver.
“Além de eu sentir Ele (Deus) muito presente na minha o tempo inteiro… O pânico do diagnóstico da doença, por exemplo, o que vinha na minha cabeça era ‘graças a Deus que eu descobri!’, porque eu só vou poder me mobilizar pra me tratar porque eu tenho um diagnóstico”.
Ela passou pelo SBT, RBS de Criciúma, RBS de Joiville (ambos em Santa Catarina), TV Vanguarda de São José dos Campos (São Paulo), Globo News (Rio de Janeiro), TV Futura e, por último, na Globo Rio, no RJ TV, fazendo o jornalismo local, com o Quadro RJ Móvel. Foram muitos passos que a Susana deu durante a sua carreira como jornalista e repórter. Também não foi fácil para ela. Sua história foi linda!
Catarinense de Criciúma, lançou dois livros, o primeiro, uma autobiografia, intitulada “Eu escolho ser feliz” e o último, lançado em 2021, durante a Pandemia de Covid-19, “Terapia com Deus”. Infelizmente, neste dia 25 de outubro, a enfermidade tomou seu corpo em forma de metástase, calando o sorriso e bom humor da repórter.
Em seu lugar ficou o exemplo de força, inspiração, persistência e esperança. Ela deve ter recebido vários ‘nãos’ na vida e na carreira, mas não se limitou e disse ‘sim’ para si. Ela escolheu ser feliz e realizar seus sonhos.
A jornalista deixa uma filha de 16 anos, fruto do seu casamento com o apresentador e jornalista, Maurício Torres, também falecido.
Maria Daniele de Souza Lima. Professora, estudante de Jornalismo e colunista.
