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Mais cedo nesta 3ª feira, Bolsonaro convidou alguns ministros do STF para uma reunião do Palácio da Alvorada. No entanto, a divulgação do encontro irritou os magistrados e reunião foi cancelada. A intenção de Bolsonaro era explicar aos ministros o que é seu juízo a respeito do resultado eleitoral de domingo (30.out).

Também pretendia dizer que as manifestações de caminhoneiros na 2ª e nesta 3ª feira (31.out e 1º.nov) são uma espécie de exemplo do que pode se transformar o país caso haja um movimento virulento contra o bolsonarismo, como tem sido sugerido por militantes lulistas.

Antes de fazer sua declaração, o Bolsonaro teve manhã e tarde cheias de conversar com atores políticos e aliados. Recebeu o presidente do PL,  Valdemar Costa Neto, e o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) nesta tarde, além de ministros. Próximo às 14h30, integrantes do alto escalão do governo começaram a chegar à residência oficial.

Como o Poder360 mostrou, o chefe do Executivo elaborou o texto do pronunciamento junto de aliados e escolheu não responder perguntas. Por enquanto, Bolsonaro decidiu que não recorrerá à Justiça para contestar o resultado da eleição.

O presidente avalia ter ficado em 2º lugar sobretudo por perda de votos em São Paulo e um pouco em Minas Gerais em relação a 2018, conforme apurou o Poder360.

No domingo (30.out), o chefe do Executivo escolheu não se manifestar. Derrotado nas urnas, Bolsonaro é o 1º presidente a concorrer à reeleição e perder. Também foi o 1º a não comentar o resultado no dia da eleição. Sem mandato no próximo ano, o presidente deverá ser uma voz da direita conservadora e antipetista.

Com 260 deputados filiados a partidos de direita na Câmara e pelo menos uma dezena de governadores mais simpáticos à pauta defendida por Bolsonaro, o presidente derrotado e seu grupo devem se organizar para fazer oposição a Lula.

Presidente se isola

Bolsonaro se isolou no Palácio da Alvorada na noite de domingo, inclusive declinou a visita de aliados. As luzes da residência oficial foram apagadas às 22h04.

Na manhã de 2ª feira, o presidente recebeu a visita do vice da sua chapa, general Walter Braga Netto (PL), e de seu filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi um dos coordenadores de sua campanha pela reeleição. Depois, foi ao Palácio do Planalto, sede do governo onde se reuniu com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

Na 2ª feira, Flávio Bolsonaro reconheceu a derrota do pai e agradeceu o apoio de eleitores de Bolsonaro. “Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil”, disse no Twitter.

Como no domingo, o presidente apagou as luzes no Alvorada de noite, mas fez isso mais cedo na 2ª feira por volta de 19h.

Ainda no domingo, antes do anúncio do resultado, Bolsonaro recebeu a ligação de Alexandre de Moraes, o presidente do TSE. O ministro o informou que a Justiça Eleitoral estava apta a anunciar o eleito no pleito e que proclamaria o resultado. Moraes cumprimentou tanto Bolsonaro quanto Lula pela participação na eleição.

Moraes afirmou, em entrevista a jornalistas, que o chefe do Executivo o atendeu com“extrema educação”. Afirmou não ver “nenhum risco real” de contestação do resultado das eleições de 2022. “Se houver contestações dentro da regra, elas serão analisadas normalmente.”

Nos últimos dias, em entrevista depois do debate na Globo e em conversa com jornalistas no Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou que respeitaria o das eleições. Afirmou que tivesse mais votos seria o vencedor. “Quem tiver mais voto, leva. Isso é democracia”, disse na 6ª feira (28.out).

A derrota de Bolsonaro era considerada provável antes da rodada final de votação. O atual presidente teve no 1º turno 6.187.159 votos a menos que Lula.

O padrão em disputas presidenciais é que o candidato que começou a disputa em grande desvantagem não consegue virar votos suficientes até o dia do 2º turno. Foi o que aconteceu. No domingo, Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, enquanto Lula recebeu 60.345.999 votos.

No 1º turno, o candidato do PL havia obtido 51.072.345 votos (43,2% dos válidos), em 2 de outubro. Lula recebeu 57.259.504.

Com a derrota deste, Bolsonaro quebra o padrão dos chefes de Estado brasileiros eleitos a partir de 1994 –todos foram reeleitos para um 2º mandato: Fernando Henrique Cardoso (em 1998), Lula (2006) e Dilma Rousseff (2014).

Bolsonaro entregará o cargo aos 67 anos, em 1º de janeiro de 2023. Capitão reformado do Exército, em 2018, foi o 1º militar eleito por voto direto para o Planalto em mais de 7 décadas.

PODER 360