Fachin (foto) participou de encontro e falou com jornalistas

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta 3ª feira (1º.nov.2022) para se reunir com ministros da Corte. Segundo Edson Fachin, que estava no encontro, o chefe do Executivo sugeriu que é o momento de “olhar para a frente” e deixar as eleições para trás.

“O presidente da República utilizou o verbo ‘acabar’ no passado. Ele disse: ‘acabou’. Portanto, [é preciso] olhar para a frente”, afirmou Fachin a jornalistas depois do encontro.

Participaram da reunião, além de Bolsonaro e Fachin, Rosa Weber, presidente do STF, e os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e André Mendonça. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também participou.

Bolsonaro chegou por volta das 17h40 e deixou a Corte às 18h40. Não falou com jornalistas na saída.

Em nota, o STF afirmou que se tratou “de uma visita institucional, em um ambiente cordial e respeitoso, em que foi destacada por todos a importância da paz e da harmonia para o bem do Brasil”.

O Tribunal também voltou a repetir o que disse em uma nota divulgada à tarde: que o 1º pronunciamento de Bolsonaro desde que perdeu a disputa ao Planalto para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve “importância”, pois o chefe do Executivo reconheceu “o resultado final das eleições”.

Eis a íntegra da nota do STF:

“Encontro do STF com Presidente Jair Bolsonaro

“O Presidente da República, Jair Bolsonaro, esteve na tarde desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal a convite da Presidência, onde conversou com os Ministros da Corte que estavam presentes em Brasília: a presidente Rosa Weber, o decano Gilmar Mendes, Luiz Fux, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e André Mendonça. Compareceu também o Ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Os Ministros do STF reiteraram o teor da nota oficial divulgada, que consignou a importância do reconhecimento pelo Presidente da República do resultado final das eleições, com a determinação do início do processo de transição, bem como enfatizou a garantia do direito de ir e vir, em razão dos bloqueios nas rodovias brasileiras.

“Tratou-se de uma visita institucional, em ambiente cordial e respeitoso, em que foi destacada por todos a importância da paz e da harmonia para o bem do Brasil.”

Encontro no Alvorada

Mais cedo, o Poder360 divulgou que o encontro aconteceria no Palácio do Alvorada. Os ministros, então, cancelaram a reunião. Ficaram preocupados com a eventual imagem que o evento poderia ter, de condescendência com o atual presidente, que até aquele momento ainda não havia se pronunciado em público para aceitar a derrota na eleição de domingo  para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar de querer passar a ideia de que estava tranquilo ao se pronunciar nesta 3ª, Bolsonaro ficou contrariado com o cancelamento, apurou o Poder360.

Depois de mais de 44 horas em silêncio desde que foi confirmado o resultado, o presidente se pronunciou às 16h37. Em discurso de 2 minutos e 7 segundos, o chefe do Executivo agradeceu aos 58 milhões de votos, defendeu manifestações pacíficas, mas não cumprimentou o oponente. Coube ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, falar sobre a transição de governo, em uma admissão indireta da derrota nas eleições.

Uma das preocupações do presidente é com o processo de transição e os desejos de vingança contra ele em 2023. Há insinuações dentro do Judiciário e entre integrantes do futuro governo petista de que o presidente atual pode ser rapidamente preso depois de deixar o Planalto. Esse tipo de comentário é comum em perfis de redes sociais de apoio a Lula.

O presidente estava sem dar declarações públicas desde domingo (30.out), quando saiu derrotado da eleição. Quebrou o período de silêncio nesta 3ª feira. A conversa com os ministros do STF seria para pavimentar o caminho para que todos entendam a motivação da demora pelo seu pronunciamento.

Assista o pronunciamento de Bolsonaro (4min26s): 

Eis a íntegra do discurso do presidente:

“Quero começar agradecendo aos 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia de 30 de outubro.

“Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As movimentações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser o da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedades, destruição de patrimônios e cerceamento do direito de ir e vir.

“A direita surgiu de verdade em nosso país. Nossa robusta representação do Congresso mostra a forca dos nossos valores: Deus, pátria, família e liberdade. Formamos diversas lideranças pelo Brasil. Nossos sonhos seguem mais vivos do que nunca. Somos pela ordem e pelo progresso. Mesmo enfrentando todo o sistema, superamos uma pandemia e as consequências de uma guerra.

“Sempre fui rotulado de antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das 4 linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar a mídia e as redes sociais. Enquanto presidente da república, este cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição.

“É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem liberdade econômica, religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela da nossa bandeira. Muito obrigado”.

 

Poder 360