Ninão durante treino da seleção no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro. (Foto: Reprodução)

Joelison Fernandes da Silva, mais conhecido como Ninão, é natural de Itaperoá, no Cariri da Paraíba. Considerado o homem mais alto do Brasil com 2,37m, ele fará a sua estreia pela seleção brasileira de vôlei sentado nesta sexta-feira. Ninão é um dos 12 convocados para o Mundial da modalidade, que será disputado na Bósnia e Herzegovina de 4 a 11 de novembro.

Na adolescência, Ninão foi diagnosticado com gigantismo, um excesso na produção do hormônio do crescimento. Ele só parou de crescer aos 29 anos. No ano passado, aos 36 anos, por conta de um diagnóstico de osteomielite (doença infecciosa provocada por bactérias que atinge o osso), ele precisou amputar parte da perna direita.

– O nordestino tem um ditado: “Não há um mal que não traga um bem” – lembra Ninão.

Ele resistiu e adiou a cirurgia ao máximo, sem imaginar as possibilidades que surgiriam após a amputação.

– Eu não me sentia útil, só ficava em casa, não saía para canto nenhum. E, depois da amputação, abri um leque de oportunidades e eu tô abraçando todas elas – disse Ninão.

A maior das oportunidades foi justamente representar o Brasil em Paralimpíadas. Elegível, Ninão descobriu o alto rendimento e é uma das apostas para os Jogos de Paris 2024.

– O Ninão tem tudo para ser um marco, um divisor de águas! Ele vai deixar de ser visto apenas como um gigante para ser visto como um atleta de alto rendimento – disse o técnico Fernando Guimarães.

Ninão passou a treinar diariamente no quintal de casa e já esteve no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, três vezes para períodos de trabalho intensivo com a seleção.

Arma secreta contra o Irã

Ninão consegue atingir 1,95m no bloqueio — Foto: Reprodução

 

O paraibano atinge 1,95m com os braços erguidos em posição de bloqueio, o segundo jogador mais alto da seleção fica 37 centímetros abaixo.

– Não tem como passar, porque a envergadura dele é muito grande. Ele consegue prensar o atleta do outro lado. É bem complicado – comentou o levantador Daniel Yoshizawa.

O paredão erguido por Ninão vai ser importante para deter um adversário bem específico: Morteza Mehrzad. O iraniano é o segundo homem mais alto do mundo com 2,46m e não perdeu nenhum jogo desde a estreia em 2016. A seleção do Irã é hepta campeã paralímpica.

Morteza Mehrzad Selakjani na final do vôlei sentado nos Jogos Rio 2016 — Foto: Getty Images

 

O caminho até Paris 2024 é desafiador, mas Ninão está empolgado. Se antes da cirurgia ele trabalhava como garoto propaganda de supermercados, farmácias e lojas, agora ele é a arma secreta do Brasil para chegar mais perto da tão sonhada medalha de ouro.

– O mais importante é que o esporte promove esse resgate da autoestima, da confiança. Um cara que tirava fotos por ser um gigante, hoje vai dar autógrafos como atleta – disse o técnico da seleção.

 

Globo Esporte