Roupa Nova — Foto: Giu Pera / Divulgação

“O Roupa Nova é um amor hereditário”. É assim que Cleberson Horsth, um dos integrantes do grupo que comemora 40 anos de história com uma turnê que chega a João Pessoa neste sábado (5), define a banda. Para celebrar o retorno do Roupa Nova à Paraíba depois da pandemia da Covid-19, o g1 conversou com dois integrantes que falaram sobre a turnê, a nova formação após a morte de Paulinho, e a expectativa para o show no Teatro Pedra do Reino.

O sexteto carioca foi formado em 1980 e se consolidou como um dos principais grupos de pop nacional. Contava com Cleberson Horsth (teclados e vocal), Kiko (violão, guitarra e vocal), Nando (baixo e vocal), Paulinho (voz, percussão e vocal), Ricardo Feghali (teclados, violão, guitarra e vocal) e Serginho (voz, bateria e vocal), inicialmente, e hoje, com Fábio Nestares (vocal), no lugar de Paulinho.

“Já fizemos muitos shows na Paraíba! Em Campina Grande, em João Pessoa… É um público muito especial e acolhedor. Esperamos continuar fazendo muitos outros”, diz Cleberson Horsth, tecladista e vocalista da banda.

A receita do sucesso se deve à potência musical e às várias canções que compuseram trilhas sonoras em novelas que marcaram época no Brasil. Mas músicas como ‘Whisky a go-go’, ‘Dona’, ‘A Viagem’, e tantas outras, ajudaram não apenas a compor histórias na teledramaturgia, como também se tornaram parte da vida de casais apaixonados e de fãs que sempre incluem a banda em momentos especiais.

Roupa Nova em sua formação inicial — Foto: Divulgação
Roupa Nova em sua formação inicial — Foto: Divulgação

As músicas se renovaram e Cleberson relata que o público recebe lançamentos com empolgação, mas sempre pede para ouvir grandes sucessos nos shows.

“O público vai ao show para ouvir aquilo que já conhece, ouvir o que marcou época, o que ouviu no rádio… O repertório tem que conter todas as músicas, mas de forma geral, ele é composto pelas músicas que fizeram sucesso ao longo de nossa história”, explica.

Com tanto tempo de formação – mais de 40 anos – se imagina que os fãs apenas acompanharam a história do grupo, e que as músicas ‘virais’ das décadas de 1980 e 1990 foram capazes de sustentar o repertório. Mas, ao contrário disso, “o Roupa”, como se referem os integrantes ao grupo, se tornou “hereditário”, passando de pai para filho, e hoje, também tem raízes no público jovem.

“Temos um público que amadureceu junto conosco e temos muitos jovens, uns influenciados pelos pais, outros por ouvirem na internet… Roupa Nova é um amor hereditário, passa de pai pra filho“, afirma Cleberson.

Nando, Ricardo Feghali, Cleberson Horsth, Serginho Herval (sentado), Kiko e Paulinho, do Roupa Nova — Foto: Giul Pera/Divulgação
Nando, Ricardo Feghali, Cleberson Horsth, Serginho Herval (sentado), Kiko e Paulinho, do Roupa Nova — Foto: Giul Pera/Divulgação

Em 2020, a Covid-19 vitimou o vocalista da banda, Paulinho. Uma das vozes mais marcantes do pop brasileiro, o músico trilhou seu caminho junto ao grupo que se tornou família, e depois de sua morte, a parte mais difícil foi seguir em frente para além da questão profissional, segundo relata Horsth.

“Quando se tem uma amizade, é como se fosse uma pessoa da família. Nós perdemos um ente querido, um familiar. Eu mesmo conheço o Paulinho até antes do Roupa Nova, a gente morava perto, ficava pela rua com violão no tempo da jovem guarda… Foi uma perda muito grande. Conviver sem ele é uma necessidade, porque a vida continua, mas ele jamais será esquecido”, disse.

Para seguir com a banda os integrantes contaram com um nome já conhecido por eles e pelo público: Fábio Nestares. O músico convivia com o Roupa Nova desde 2002, e em 2015 passou a ‘substituir’ Paulinho em algumas ocasiões pontuais, a maior parte delas envolvendo questões de saúde, inclusive (o que muito gente não sabe), em um show na Paraíba.

Nestares e Paulinho eram amigos pessoais, já cantaram juntos, e com a morte do vocalista e após o tempo de luto pela perda do amigo, o grupo decidiu incluir Nestares. Ele não aceita ser conhecido como substituto de Paulinho, mas sim, como “alguém que o homenageia a cada show”.

“Eu sempre tive o pé no chão de saber que a história do Roupa Nova já está consolidada. O que temos é uma nova fase, onde todos nós fomos obrigados a cumprir por conta do triste evento da partida do Paulinho. Tenho muito pé no chão, sei o meu lugar dentro da banda, não me sinto substituto, me sinto o cara que está fazendo uma homenagem a ele, e pra mim isso é uma honra“, relatou Nestares ao g1.

De acordo com Nestares, o público tem o recebido bem nos shows. Entenderam não apenas a necessidade da banda seguir em frente, como também acolheram a nova formação.

As pessoas entenderam a minha posição e está sendo ótimo. A história que o roupa construiu sempre foi muito bonita, e eu sempre tive vontade de mergulhar mais no Nordeste cantando e trabalhando. Agora estou podendo, e com o Roupa Nova! Estou muito feliz”, disse o novo vocalista.

O retorno depois da pandemia

Além da morte de Paulinho, o Roupa Nova precisou lidar com a pausa nos shows em virtude da pandemia da Covid-19. Foram mais de dois anos na expectativa de retornar aos palcos, a agora, a impressão é que o público “rejuvenesceu” e aumentou.

O retorno está sendo maravilhoso! A gente está trabalhando muito após dois anos parados… Foi uma complicação muito grande, mas agora está fluindo muito bem. O pessoal ficou tempo em casa e quem não saia, agora está saindo. Inclusive percebemos um público cada vez mais jovem”, afirma Cleberson Horsth.

Agora, a expectativa de Nestares e de toda a banda é de voltar à Paraíba para viver mais um momento especial. Os shows “inesquecíveis” deles em solo paraibano também se confundem com bons momentos que os integrantes viveram ‘turistando’ em cidades como a capital João Pessoa.

“A Paraíba é um lugar maravilhoso que sempre nos recebeu muito bem. A gente espera suprir essa expectativa do público e viver mais um momento especial”, conclui Horsth.

O show do Roupa Nova acontece neste sábado (5), no Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa, a partir das 21h. Segundo a organização do evento, os ingressos estão esgotados.

g1/PB