Paulo José Arronenzi no banco dos réus — Foto: Brunno Dantas/TJRJ

O engenheiro Paulo José Arronenzi, acusado de assassinar a ex-mulher, a juíza Viviane Vieira do Amaral, na frente das três filhas do ex-casal, foi condenado a 45 anos de prisão.

A condenação de Paulo foi por homicídio quintuplamente qualificado. As qualificadoras que levaram ao aumento da pena foram:

  • feminicídio, ou seja, a vítima foi morta por ser mulher;
  • o crime foi praticado na presença de três crianças;
  • o assassinato foi cometido por motivo torpe, já que o acusado a matou por não se conformar com o fim do relacionamento;
  • o crime foi cometido por um meio que dificultou a defesa da vítima, atacada de surpresa quando descia do carro;
  • e o meio cruel utilizado, uma vez que as múltiplas facadas no corpo e no rosto causaram intenso sofrimento à vítima.

 

O julgamento terminou na madrugada desta sexta-feira (11), após 15 horas de debates.

Depoimentos impactantes

 

A sessão começou na tarde desta quinta-feira (10). Um dos depoimentos mais fortes foi da mãe da juíza, Sara Vieira do Amaral. Ela contou que ficou sabendo sobre a morte da filha pela neta de 9 anos. Segundo o relato, a menina ligou para a avó minutos depois de ver a mãe receber 16 facadas.

“O papai furou a mamãe toda e ela está caída no chão. É muito sangue, é muito sangue vovó”, disse Sara, contando as palavras da neta ao telefone.

 

Faca usada no crime foi exposta para os jurados — Foto: Reprodução/TV Globo

Faca usada no crime foi exposta para os jurados — Foto: Reprodução/TV Globo

Outro a falar foi Vinícius Vieira do Amaral, irmão da vítima. Ele contou que Paulo constantemente importunava a família e exigia dinheiro da ex mesmo após a separação.

“Minha irmã e minha mãe não paravam de receber telefonemas todo horário possível. Minha irmã foi sendo chantageada para compensação financeira”, disse.

“Ele chegou a cobrar o custo da foto do álbum de casamento que tinha 11 anos, valor de vestido que ele deu presente para ela, e minha irmã foi sucumbindo e fazendo transferências para ele”, emendou.

Segundo Vinícius, Viviane “fez um acordo que cedeu tudo para ele”. “Acho que uns R$ 600 mil. Era o proporcional de partilha”

“O Paulo continua matando. É isso que está acontecendo aqui hoje. Ele não parou de matar minha família”, destacou.

 

Juíza Viviane foi assassinada a facadas pelo ex-marido, contra quem já havia feito BO, conseguido medida protetiva e também garantido escolta policial — Foto: Reprodução com montagem de Guilherme Gomes/G1

Juíza Viviane foi assassinada a facadas pelo ex-marido, contra quem já havia feito BO, conseguido medida protetiva e também garantido escolta policial — Foto: Reprodução com montagem de Guilherme Gomes/G1

Relembre o crime

 

O assassinato da juíza aconteceu na véspera do Natal de 2020, quando Viviane levava as crianças para passar a data com o pai, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A juíza foi atacada de surpresa quando descia do carro para deixar as filhas com o ex-marido.

Arronenzi foi preso em flagrante logo em seguida por guardas municipais. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato foi motivado “pelo inconformismo do acusado com o término do relacionamento, especialmente pelas consequências financeiras do fim do casamento na vida do engenheiro”.

A juíza Viviane Vieira do Amaral, que tinha 45 anos, integrou a Magistratura do Estado do Rio de Janeiro por 15 anos. A juíza atuava na 24ª Vara Cível da Capital.

Laudo do IML apontou 16 facadas

 

De acordo com o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), a juíza Viviane Vieira levou 16 facadas do ex-marido durante o ataque. O corpo da magistrada tinha perfurações no pescoço, rosto e barriga.

De acordo com a perita Gabriela Graça Pinto, o ferimento no pescoço, de cerca de 30 milímetros, foi responsável por sua morte. A magistrada ainda teve a mão esquerda ferida na tentativa de se defender dos ataques do ex-marido chamada de “lesão de defesa”.

Três meses antes do crime, Viviane havia feito um registro de lesão corporal e ameaça contra o ex-marido, que foi enquadrado na Lei Maria da Penha. Ela chegou a ter escolta policial concedida pelo TJ-RJ, mas posteriormente pediu que fosse retirada.

A juíza não foi a única mulher a denunciar o engenheiro para a polícia. Em 2007, uma ex-namorada dele registrou ocorrência policial porque estaria sendo importunada.

g1