“Só quem já esteve nas mãos de uma pessoa desequilibrada mental e psicologicamente, sabe os traumas que serão carregados pelo resto da vida em relação às outras pessoas que cruzarem o seu caminho”.

O assassinato de mulheres por violência doméstica tem sido os dos principais motivos de morte violenta entre o sexo feminino no Brasil. A expressão “feminicídio” é um neologismo criado na língua portuguesa para se referir ao homicídio de mulheres ocasionado por motivos (se é que existam) covardes.

A violência contra a mulher tem diversas origens, desde questões passionais, discriminação ao gênero, violência doméstica e familiar, até a possessividade e desequilíbrio de quem comete o crime. Começa com os xingamentos, depois um tapa que, muitas vezes, a mulher acredita ser apenas um excesso de raiva que não acontecerá novamente, a pressão psicológica de diversas formas e, até que, finalmente, tem-se uma arma apontada para a cabeça ou um objeto cortante vindo em direção de quem teve a paciência e a esperança da mudança do seu agressor.

E não é apenas a mulher que sofre, mas os filhos e a família como um todo. Dizem que é cultural a questão da agressão à mulher, como sexo frágil, submisso e com desigualdade histórica em relação ao homem. A impressão que fica é a de que, por muito tempo, a sociedade tinha o hábito de tolerar a violência contra a mulher. Mas será que isso ficou no passado? Quero que reflita comigo, caro leitor.

A colher que não se deve meter entre briga de marido e mulher pode ser a mesma que pode evitar a ida de uma mãe para sempre, a destruição de um lar de forma trágica e, consequentemente, mais um número no índice de mortalidade feminina para o ranking da crueldade. Pois é. Atualmente, o Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo.

Não que o sexo feminino seja sempre vítima, não é isso. Mas ficou enraizado nas estruturas sociais que o ser mulher significa inferioridade de direitos, de voz, em uma sociedade patriarcal com um pensamento ainda bastante limitado. Infelizmente, é histórico!

A violência contra a mulher quando não é fatal fisicamente, pode levar à morte em vida, visto que o psicológico de uma pessoa que passou pela violência ocasionada por um agressor, seja ele cônjuge ou não, fica com marcas para sempre. Ver-se que a desigualdade de gênero ainda é nítida em nossa sociedade, onde ainda existem pessoas com uma mente arcaica e impossibilitada de aceitar que todos têm direitos iguais, principalmente, independente de gênero.

A Lei Maria da Penha é considerada uma das três legislações mais avançadas do mundo, porém, ela não impede que mais casos de mortes de mulheres sejam impedidos de acontecer. Um verdadeiro dilema entre o que ainda é cultural e a lei. Será que existe uma norma que mexa na forma de pensar das pessoas? Talvez seja essa a única opção para que muito se possa melhorar socialmente. ´

Enquanto ainda existir resquícios das mentalidades pré-históricas na educação das pessoas (Sim, educação!) sobre o sexo feminino, ainda veremos muitos números de óbitos de mulheres estampando as manchetes dos jornais. Ou até pior: de casos que nunca serão conhecidos, pois muitas ainda têm medo de denunciar e preferem “ir levando”.

E é por não terem medo de escolher viver, que muitas mulheres estão hoje contando seus relatos e incentivando outras a fazerem o mesmo, pois a violência vai se instalando aos poucos, sem que você perceba. Eu sei como é, porque eu vi.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Estudante de Jornalismo, professora de Língua Portuguesa e colunista.