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Termina nesta sexta-feira (18) a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP27), realizada neste ano no Egito. Ao longo de 12 dias, o evento reuniu líderes e membros da sociedade civil de todo o mundo para discutir desafios e soluções para enfrentar as mudanças climáticas.

Entre os principais objetivos desta COP, está mitigar as emissões de gases do efeito estufa. O acordo final sobre a COP27, no Egito, deve ser apresentado nos próximos dias, com um consenso entre as nações com medidas para frear o ritmo do aquecimento global. Um rascunho foi apresentado na quinta, com cerca de 40 páginas.

No ano passado, a 26ª Conferência do Clima em Glasgow aprovou um compromisso, assinado por mais de 200 países, para buscar fontes de energia alternativas. O acordo final trouxe uma referência aos combustíveis fósseis, em especial o carvão, e sua influência na crise climática.

Entre as medidas apresentadas na COP, está uma aliança entre as três nações com as maiores florestas tropicais do mundo, Brasil, República Democrática do Congo e Indonésia. Os países lançaram formalmente na segunda-feira (14) uma parceria para cooperar na preservação das florestas após uma década de negociações sobre uma aliança trilateral.

A China, o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, acenou para uma meta de limitação do aquecimento global.

O enviado sobre Clima da China para a COP27, Xie Zhenhua, disse que Pequim gostaria que o acordo climático da Cúpula do Clima da ONU estabeleça uma meta para limitar o aquecimento global a 2ºC, e acrescentou que os países devem tentar 1,5°C – compromisso semelhante à linguagem acordada no Acordo de Paris, em 2015.

O Brasil na COP27

O Brasil foi representado por uma comitiva do atual governo de Jair Bolsonaro (PL) e por membros da equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assume a Presidência da República em 2023 e compareceu ao evento este ano.

Em seu discurso na COP27 na última quarta-feira (16), Lula afirmou que seu governo reforça o compromisso de acabar com o desmatamento até 2030.

“Não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida. Não mediremos esforços para zerar o desmatamento e a degradação de nossos biomas até 2030, da mesma forma que mais de 130 países se comprometeram ao assinar a Declaração de Líderes de Glasgow sobre Florestas”, disse.

Lula também criticou duramente o atual governo do presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele foi “desastroso em todos os sentidos”.

“No combate ao desemprego e às desigualdades, na luta contra a pobreza e a fome, no descaso com uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, no desrespeito aos direitos humanos, na sua política externa que isolou o país do resto do mundo, e também na devastação do meio ambiente”, afirmou.

Lula propõe COP30 na Amazônia

O presidente eleito afirmou, na quarta-feira (16), que irá propor à Organização das Nações Unidas (ONU) que a COP30, prevista para acontecer em 2025, seja realizada no Brasil, na Amazônia.

A declaração de Lula durante um evento paralelo à COP27, em Sharm el-Sheikh, no Egito, veio em resposta a um pedido feito pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) – que falou em nome do Consórcio Amazônia Legal, composto pelos governadores dos nove estados brasileiros amazônicos.

Após a leitura de uma carta na qual os governadores propuseram uma aliança com o governo de Lula em defesa da Amazônia, Barbalho disse que Lula “tem liderança e autoridade a propor à ONU que o Brasil seja sede da COP”.

Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursou na conferência climática COP27 na última sexta-feira (11), dizendo que a crise climática global representa uma ameaça existencial ao planeta.

No discurso, Biden anunciou mais de US$ 150 milhões em novo apoio para acelerar os esforços do Plano de Emergência do Presidente para Adaptação e Resiliência (PREPARE) em toda a África.

“A crise climática é sobre segurança humana, segurança econômica, segurança ambiental, segurança nacional e a própria vida do planeta”, disse Biden.

Um grupo de manifestantes protestou dentro do plenário da ONU durante o discurso oficial do presidente dos EUA. Eles não chegaram a interromper a fala de Biden, mas levantaram das cadeiras, empunharam cartazes e fizeram sons altos, que foram captados pela mídia durante a transmissão do discurso para o mundo todo.

China

O enviado especial climático da China, Xie Zhenhua, disse na última terça-feira (8) que Pequim está comprometida em alcançar a neutralidade de carbono.

Segundo Zhenhua, o multilateralismo e a cooperação são fundamentais para resolver a mudança climática global.

“Não importa o quanto o ambiente externo mude, e não importa quantos desafios enfrentamos, a China tem firme determinação em alcançar essa visão de neutralidade de carbono”, disse ele a delegados na cúpula climática COP27 no Egito.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que os esforços contra as mudanças climáticas devem ser implementados com urgência. A afirmação se deu em seu discurso na segunda-feira (7).

“Cada minuto perdido é um minuto em que o problema [mudanças climáticas] fica mais difícil de ser resolvido e que a injustiça se torna maior. Fica mais difícil de resolver para todos nós, e as injustiças crescem ainda mais para os países que são os mais impactados”, declarou Macron.

O líder francês ainda mencionou a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia, dizendo que “são sempre nos mesmos países as consequências mais duras”.

Alemanha

Em discurso na COP27, o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, anunciou que o país vai aumentar seus investimentos climáticos anuais do país para 6 bilhões de euros.

Scholz disse que a Alemanha vai oferecer 170 milhões de euros para um “escudo global” do G7 para proteger o V20, grupo das 58 nações mais vulneráveis do planeta. A ideia, segundo o premiê, é fortalecer a proteção à insegurança e desastres naturais.

O alemão afirmou que uma das prioridades do país é diminuir o uso de combustíveis fósseis.

“Vamos parar de usar combustíveis fósseis! Não deve haver um renascimento global dos combustíveis fósseis. […] Precisamos de mais cooperação na mudança para as energias renováveis. Este é o imperativo do momento. Nossas promessas firmes devem ser seguidas por ações firmes.”

ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu a implementação de sistemas universais de prevenção de danos ambientais no prazo de até cinco anos.

Em um vídeo reproduzido na COP27, em Sharm el-Sheikh, no Egito, Guterres afirmou que pessoas e comunidades em todos os lugares devem ser protegidas dos riscos imediatos e crescentes da emergência climática.

“Devemos responder ao sinal de socorro do planeta com ação – ação climática ambiciosa e confiável”, disse o secretário-geral.

Segundo o petista, “o Brasil voltou”.

CNN