Foto: Andrej Isakovic/AFP

A dois dias da abertura oficial da Copa do Mundo de 2022, o Catar vinha pressionando a FIFA para a que a venda de bebidas alcoólicas fosse totalmente proibida nos oito estádios que vão receber jogos. A pressão deu certo: segunda a FIFA, a venda de cerveja com álcool será retirada dos perímetros dos estádios e focadas no Fan Festival e outras áreas voltadas a torcedores. Nas arenas, uma versão zero álcool da cerveja oficial do torneio será a única opção. A decisão foi comunicada na manhã desta sexta-feira, via comunicado oficial.

“Após discussões entre o país anfitrião e a Fifa, foi decidido focar a venda de bebidas alcoólicas nos FIFA Fan Festival no lugar de outros destinos e áreas licenciadas do torneio, removendo pontos de vendas de cerveja dos perímetros dos estádios. Não haverá impacto nas vendas de Bud Zero, que seguirá disponível em todos os estádios da Copa do Mundo do Catar”, diz o comunicado.

A Budweiser, marca de cerveja patrocinadora do evento, tem um contrato com a FIFA de US$ 75 milhões. A entidade agradeceu à empresa publicamente pela compreensão quanto às mudanças.

A medida aumenta as tensões entre a FIFA, órgão regulador do futebol global, e o Catar, uma nação muçulmana conservadora onde a venda de álcool é rigidamente controlada.

A restrição pode complicar o acordo de patrocínio de US$ 75 milhões existente entre a entidade e a Budweiser, além de enfurecer os fãs que já estão irritados com as restrições; e mais uma vez deixar os organizadores lutando para se ajustar — desta vez apenas 48 horas antes do jogo de abertura do torneio no domingo.

Latas de cerveja Budweiser com o logotipo da Copa do Mundo da FIFA exibidas em Doha — Foto: Patrick T. Fallon / AFP

Mas também sugeriu que a FIFA, que enfrentou anos de duras críticas por sua decisão de trazer seu principal campeonato para o Catar, pode não ter mais controle total das principais decisões relacionadas ao evento. O guia oficial do torcedor da organização observa que “os portadores de ingressos terão acesso aos produtos Budweiser, Budweiser Zero e Coca-Cola dentro do perímetro do estádio” por pelo menos três horas antes dos jogos e por uma hora depois.

O pedido teria partido do sheik Jassim bin Hamad bin Khalifa al-Thani, irmão do emir governante do Catar e a realeza mais ativa no planejamento do torneio. No início da manhã desta sexta-feira, a conta oficial da marca de cerveja fez um tuíte sucinto: “Bem, isso é constrangedor…”

A proibição da venda de bebidas alcoólicas para torcedores nos estádios — a cerveja ainda estará disponível em suítes de luxo reservadas para dirigentes da FIFA e outros convidados ricos — ocorre uma semana depois de um edital anterior que determinava que dezenas de barracas de cerveja vermelha com a marca da patrocinadora fossem movidas para locais mais discretos nos oito estádios da Copa, longe de onde passaria a maior parte da torcida que assistirá aos jogos.

Apesar de o álcool não ser proibido no Catar, a maioria dos visitantes só pode comprá-lo em bares dentro de hotéis designados. A Budweiser, patrocinadora oficial da FIFA, tem um acordo multimilionário de US$ 75 milhões com o órgão. Se a proibição for aceita, a marca não poderá vender sua cerveja aos torcedores nos jogos e poderá colocar a entidade em violação de contrato.

As geladeiras de cor vermelha da empresa provavelmente serão substituídas pelas azuis, da cor associada à marca sem álcool da Budweiser, a Budweiser Zero.

Mesmo proibida por conta dos costumes do país da Copa do Mundo, a venda de bebidas alcoólicas — mais especificamente da Budweiser, patrocinadora oficial do evento— seria permitida apenas em áreas em que o consumo de álcool é permitido no Catar.

Até o preço já tinha sido divulgado, dando conta que um copo de chopp com 500ml custaria US$ 13.73, o equivalente a R$73.

O Globo