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(Antonio Borga/Getty Images)

Richarlison. Esse é o nome que não saiu da boca dos brasileiros desde a estreia do Brasil na Copa do Mundo do Catar na última quinta-feira (24). O camisa 9 da Seleção Brasileira marcou os dois gols da vitória contra a Sérvia e fez os torcedores vibrarem de felicidade.

Ganhando espaço nacional durante a Copa, não é de hoje que o jogador chama atenção nas redes sociais. Além do estilo bem-humorado, Richarlison também se destaca por apresentar um forte posicionamento político, ambiental e social.

Após uma viagem ao Pantanal em 2019, o atleta usou as redes sociais para pedir medidas de combate aos incêndios que destruíram 30% do bioma.

Já em 2022, o jogador capixaba foi convidado a retornar ao Pantanal e conhecer o trabalho da ONG Onçafari, que atua com ecoturismo e pesquisas para a preservação do animal. Na ocasião, Richarlison decidiu “adotar” uma onça que chamou de Acerola.

Além disso, o jogador já se manifestou diversas vezes contra casos de racismo, de violência contra mulheres, e em apoio à comunidade LGBTQIA+.

Na véspera do torneio mundial, Richarlison se posicionou contra as restrições impostas pela Fifa às manifestações dos jogadores sobre violações de direitos humanos cometidos no Catar.

Durante entrevista coletiva, o jogador afirmou “”Independentemente de qualquer coisa, temos que respeitar. Não sei o que vão fazer aqui, se vão entrar com faixa, mas eu apoio qualquer ato. Vivemos num mundo perigoso, onde não podemos ter opiniões. Seja contra o racismo ou a favor do movimento LGBTQIAP+. Eu apoio qualquer movimento”.

Com Copa do Mundo e pautas sociais e ambientais em foco, Richarlison conquistou o público e já acumula quase 12 milhões de seguidores no Instagram. Desse total, 1,3 milhões foram conquistados apenas 1 hora após a partida de estreia da Seleção.

Sustentabilidade: um mercado de US$ 30 trilhões

As ações e posicionamentos de Richarlison se enquadram no chamado “mercado ESG”, que já movimenta US$ 30 trilhões no mundo todo. A sigla em inglês significa Ambiental, Social e Governança, e é definida por um conjunto de práticas sustentáveis que tem sido adotado por pessoas e empresas de todo o mundo.

O objetivo é que o desenvolvimento global cause menos impactos negativos sobre o meio ambiente, seja mais positivo para a sociedade e também torne a governança das empresas mais responsável em suas tomadas de decisão.

O ESG aborda questões como mudanças climáticas, aumento da poluição, perda da biodiversidade (como os incêndios no Pantanal), igualdade de gênero e diversidade, por exemplo. Temas abordados há tempos pelo camisa 9 da Seleção Brasileira. E ele não está sozinho.

O mercado de ESG tem se tornado cada vez mais conhecido e influente no mundo dos negócios e entre as pessoas. Um levantamento no Google Trends revela que, após flutuar mais de uma década, a busca pelo assunto cresceu mais de 1200% no Brasil só nos últimos 2 anos.

O tema também já é prioridade para 95% das empresas do país, segundo uma pesquisa da Aberje, e movimenta trilhões de dólares. De acordo com um levantamento da Bloomberg, o mercado de ESG, que atualmente vale US$ 30 trilhões, deve movimentar US$ 53 trilhões até 2025.

Busca por profissionais de sustentabilidade

Com a agenda ESG ganhando espaço não só no mundo corporativo mas em outras esferas sociais - como é o caso das pautas defendidas por Richarlison -, a busca por profissionais capazes de orientar e garantir que o discurso sustentável seja, de fato, colocado em prática dentro das organizações também aumentou.

Por isso, o setor tem milhares de vagas disponíveis ao mesmo tempo que sofre com a falta de profissionais qualificados. De acordo com um relatório recente da consultoria britânica GlobalData, as vagas em ESG aumentaram 98% no último ano, passando de 531 postos em maio de 2021 para 1.049 em maio de 2022.

A alta procura faz os salários do “gestor de sustentabilidade” decolarem e atingirem a média de R$ 19 mil por mês.

 

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