Quando falamos na amplitude interpretativa que Platão usou através da Alegoria da Caverna, falamos também da vida humana em suas mais diversas vertentes. O filósofo jogou para a humanidade uma reflexão forte sobre os limites que colocamos na nossa existência e nas coisas que realmente queremos.
A vida dura pouco, mesmo vivendo duzentos anos…
Para explicar melhor, Platão fez a seguinte comparação: Imaginemos pessoas que nasceram acorrentadas no fundo de uma caverna, todas amarradas e olhando para a parede dessa caverna escura. Para essas pessoas, o que é possível de ver são apenas imagens projetadas na parede, por meio da luz de uma fogueira.
Essas imagens são as mais diversas. Pessoas, plantas, animais… Todas projetadas de fora da caverna para dentro, e expostas na parede pelas chamas. Os prisioneiros, então, acreditam que aquela é a realidade existente.
Muitas vezes deixamos que esta seja a nossa condição, totalmente restrita!
A caverna representa tudo aquilo que nos aprisiona, nos impedindo de ver o que existe lá fora. Dentro dela é possível ter conhecimento apenas do que há no pouco de espaço ali imposto… ou, quem sabe, que nós mesmos nos obrigamos a aceitar.
É sobre nossas zonas de conforto! É sobre ter coragem de ir em busca do que faz bem…
O que é ilusão e realidade? Platão, em sua sabedoria, nos mostra que se não sairmos da caverna que limita conhecer a luz do sol lá fora, acreditaremos que a realidade é aquela vivenciada na escuridão, acorrentados e olhando para uma parede. Mas não…
Desse grupo de pessoas, Platão conta que um desses prisioneiros saiu da caverna e viu como aquelas imagens projetadas realmente são. E viu também a luz do sol. Seus olhos de início doeram por causa da claridade, mas depois o prisioneiro conseguiu contemplar a beleza de tudo aquilo. Era a verdade diante dos seus olhos.
Daí, entendemos que sair da zona de conforto pode doer de início, mas que contemplar a plenitude do real é também respeitar o nosso íntimo de alma, da nossa real substância.
É sobre ser de verdade… É sobre respeitar nossos sentimentos, mesmo que a claridade incomode nossos olhos, que de tão acostumados com a escuridão de um espaço limitado, deixamos de acreditar que é possível respirar ar puro fora da caverna que construímos ao nosso redor.
O filósofo faz uma comparação tão simples, mas que mostra um leque de possibilidades interpretativas sobre a nossa vida, nossas escolhas e suas consequências. Aquele prisioneiro não pensou nas consequências, ele arriscou sair dali, levando em consideração a sua verdade e indo atrás do real.
Seria muito mais fácil ficar dentro da caverna e não fazer esforço para sair dela, mas transcender as sombras é necessário para conhecermos a realidade das coisas e da nossa própria essência.
Maria Daniele de Souza Lima
Professora, estudante de Jornalismo e colunista.
