A derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar nos trouxe alguns ensinamentos importantes, se observarmos esse fato com menos dor no coração pela perda da oportunidade do Hexa em 2022.
Antes mesmo deste ano iniciar falas entusiasmadas no estourar dos fogos do réveillon do ano passado “2022 será o ano do Hexa” eram ditas em alto e bom som por muitos e essa animação voltou de maneira muito forte à medida que o mês de início dos jogos se aproximava.
Acontece que o brasileiro, de uma forma geral, apesar de muito fascinado pela Copa e torcedor fiel do bom desempenho da seleção brasileira, parece esquecer que independentemente do resultado das partidas de futebol, o amor pelo país e a torcida fiel pelo time que representa a nação não pode ser sazonal e durar o curto período das vitórias nos jogos.
Bauman, o sociólogo polonês famoso pela teoria do amor líquido, nos diz que “as relações escorrem pelo vão dos dedos” e parece descrever o patriotismo volátil do brasileiro em vários trechos de sua obra escrita em 2003.
As frases entusiasmadas ditas na virada do ano passado foram rapidamente substituídas por colocações negativas e apontamento de potenciais culpados pelo não alcance do Hexa nesta copa.
Assim como a teoria das relações líquidas, a torcida do brasileiro não pode ser conceituada como patriotismo porque esse é um amor à pátria que não se confunde com a euforia momentânea pelo Campeonato Mundial de Futebol.
Salvam-se poucos. No geral, o brasileiro só veste (literalmente) a camisa verde e amarela quando a bola entra a favor da seleção. Caso contrário, o discurso é pessimista e de espera por mais 4 anos.
Por Raissa Cavalcante, colunista do Nordeste 1.