Mais uma manifestação contra o processo eleitoral que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava marcada para acontecer neste domingo (8), no Distrito Federal. O ato político foi divulgado com antecedência, ganhou corpo nas redes sociais e autoridades e forças de segurança tomaram ciência e chegaram a isolar a Esplanada dos Ministérios para o fluxo de veículos.
Um convite para a manifestação na Esplanada começou a circular na internet desde a última quarta-feira (4) e participantes da ação prometeram ocupar as ruas do Distrito Federal por 72 horas.
























Na manhã deste domingo (8), algo que parecia surpreender o governo do Distrito Federal e os responsáveis pela segurança pública do local aconteceu: a chegada de mais de 100 ônibus lotados, trazendo cerca de 4 mil manifestantes.
Eles se dirigiram à praça dos Três Poderes e por representarem um número expressivo, se encorajaram e furaram a barreira policial, onde conseguiram subir a rampa do Congresso Nacional e adentrar às dependências internas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
Em seguida, de maneira ligeira e quase simultânea, tomaram também as dependências do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
Revoltados, quebraram vidraças, provocaram pequenos focos de incêndio, destruíram obras de arte e depredaram as repartições públicas onde os Três Poderes da República estão instalados.
A imprensa mostrava ao país e ao mundo a situação política que acometeu o Brasil e brevemente as autoridades iniciaram uma reação coletiva. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) exonerou imediatamente seu secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, enquanto a Advocacia Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua prisão em flagrante.
O presidente da República, Lula (PT), estava em Araraquara, interior de São Paulo, dando suporte à cidade em função das chuvas que castigaram o município. De lá, ele fez um anúncio decretando intervenção federal na segurança do Distrito Federal. A medida terá validade até 31 de janeiro.
As forças de segurança disponíveis no Distrito Federal se mobilizaram, reforçaram seu efetivo e com auxílio da cavalaria conseguiram pôr fim aos atos extremos e efetuaram mais de 200 prisões e a apreensão de mais de 40 ônibus até a noite deste domingo (8), segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.
A presidente do STF, ministra Rosa Weber chamou os manifestantes de “terroristas” e garantiu que o tribunal se empenhará para que todos os envolvidos nestas ações sejam julgados e punidos.
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), repudiou o que chamou de “atos antidemocráticos” e pediu que os envolvidos sofram “o rigor da lei com urgência”.
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que agirão “com rigor para preservar a liberdade, a democracia e o respeito à Constituição”. E se mostrou disposto a trabalhar em conjunto com os demais Poderes.
– Eu me coloco à disposição de todos os Chefes de Poderes para fazermos uma reunião para deixar absolutamente
inquestionável que os três Poderes estão mais unidos do que nunca a favor da Democracia – concluiu o deputado.
Em seu Twitter, o atual presidente da República, Lula (PT), aproveitou a oportunidade para atribuir a responsabilidade das manifestações radicais ao seu principal oponente político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
– Aproveitaram o silêncio do domingo, quando ainda estamos montando o governo, para fazer o que fizeram. E vocês sabem que existem vários discursos do ex-presidente estimulando isso. E isso também é responsabilidade dele e dos partidos que sustentaram ele – disparou o petista.