Tarde quente de quinta-feira, 26/01. Após o almoço, olho as mensagem nas redes sócias. “Por favor, quando puder, telefone para mim”.
A mensagem é de um querido amigo residente em Brasília, que sempre nos falamos.
Estou em Fortaleza, em uma escala, vindo de Orlando, onde passei alguns dias.
A mensagem do General de Exército Moura Barreto era para restabelecer nossas conversas, interrompidas no período que fiquei no exterior, quase não parei, por causa de compromissos em diferentes cidades da Flórida.

Ligo para o General Moura Barreto, baiano do Recôncavo baiano,-terra de Jorge Amado, bom de prosa. Ouvi-lo é garantia de boa conversa, muitas risadas. Conversa leve, gostosa. Confesso que antes de conhecê-lo, tinha certa resistência a militares por achá-los áridos. O General Moura Barreto fez cair por terra todos os conceitos. Brincalhão, sorridente, espiritualizado, emanando energia boa por onde passa; tornamos-nos amigos rapidamente.
O conheci através de um telefonema, em um sábado festivo, reunião social no apartamento de uma querida amiga. Presente ao convescote estava o Sargento James, amigo em comum. Após conversar com o General, Sargento James me passou o telefone, com as devidas apresentações; entabulamos uma conversas de quem eram velhos conhecidos.
Após a longa conversa inicial, trocamos contatos, nos conectamos. Tínhamos “assunto para mais de metro”, como se diz no Maranhão.
No lançamento do livro “Das muletas fiz asas”, em 22 de junho de 2022, o General Moura Barreto deixou Brasília e veio prestigiar esse recém amigo. Coisa das almas nobres. Sua irradiante presença engrandeceu o lançamento do livro. Por ser período das festas juninas, tivemos o prazer de recebê-lo em nossa casa para um almoço de boas vindas, com o melhor da culinária maranhense. Quitutes feitos por Heloísa Helena, minha companheira de viagem, que se especializou na arte do bem receber.
Na ligação de quinta-feira, tive o prazer de ouvir do General gentis e generosas palavras, que me motivam a seguir na teimosia em escrever. Entre as boas coisas que ouvi, o que mais me alegrou, foi: “Luiz Thadeu, quero lhe dizer que entre todos os livros e jornais que guardei esses anos, vou me desfazer deles todos e ficar apenas com dois livros: a Bíblia e “Das muletas fiz asas”. Ouvir isso, ainda mais de um homem culto, que já lançou vários livros, palestrante motivacional, que palestrou para centenas de milhares de ouvintes, é um bálsamo.
A alegria de quem escreve é o retorno de quem lê, ainda mais de uma forma tão carinhosa e contundente como a que ouvi.
“Luiz Thadeu pedi para você me ligar não tenho mais tempo a perder, não posso mais deixar para depois, o tempo é agora”, disse-me o General sobre a urgência e premência com o tempo, que se esvai.
“Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!…
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.”, escreveu Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.
No outono da vida tenho gratidão à Deus pelos amigos que o tempo me presenteou.
“Pessoas vêm e vão, mas em vão ninguém vem”, escreveu outro poeta.
O General Moura Barreto chegou até mim com o seu melhor: sua atenção, sua gentileza e generosidade. Tenho a felicidade de atrair pessoas boas. Os ruins comigo não se criam.
Vida longa, amigo Moura Barreto, que possamos ter tempo para conversar, mesmo virtualmente. E, assim, e aos poucos, vou aprendendo com o amigo.
Luiz Thadeu Nunes e Silva
Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista, escrevinhador e viajante. O latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os continentes. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
