“As imperfeições estimulam a curiosidade… A jornada para achar a causa das imperfeições é emocionante.”
Lançado em 2008, o Filme Chocolate, dirigido por Prachya Pinkaew, trás uma mescla de temas que chamam a atenção. Pelo menos a minha chamou.
Digamos que só quem já se sentiu “fora da curva” sabe o que é ser imperfeito diante de quem ainda não aprendeu a perceber aquilo que nem todo mundo percebe. É difícil quando a vida ensina a observar aquilo que os outros não foram forjados a aprender, ou sentir o que eles não sentem… O sentido das estações, o barulho das coisas, os cheiros que são recortes do tempo, ou a intensidade daquilo que está ao redor, como as gotinhas da chuva nas pétalas das flores, por exemplo.
O filme retrata a história de Zen, uma menina autista que é criada com a mãe, após os pais serem separados pelo chefe da máfia tailandesa. Zen cresce com o dom de observar os detalhes mínimos das coisas, sendo a sensibilidade de sentir sua maior característica. Ao mesmo tempo, a menina passa a desenvolver uma força considerável para enfrentar os desafios que começam a surgir após sua mãe descobrir que está com câncer.
Este trecho em especial, diz muito sobre quem precisa ser forte desde muito cedo para sobreviver, ao mesmo tempo em que também se torna frágil para enfrentar relances que trazem à tona suas fraquezas emocionais. Digamos que as provocações da vida exigem a coragem de ser.
Os reflexos de Zen são rápidos. Ela aprende artes marciais desde muito cedo, pois cresce assistindo os alunos de uma escola de artes marciais ao lado de sua casa, como também a filmes de Muay Thai. Existe uma coisa chamada emergência de saber, de aprender a fazer, de descobrir nosso potencial humano, nossas imperfeições e suas causas. A partir de então, descobrimos que é genuíno ser quem somos.
Zin, a mãe de Zen, precisa de remédios caros para o tratamento do câncer. Então, já adolescente, Zen vai atrás de todos que devem dinheiro à sua mãe para ajudar a pagar o tratamento, decisão que a levará ao chefe da máfia que as separou de Masashi, pai. O enredo mostra o autismo como um detalhe importante, visto que, embora alguém possa ter algum tipo de transtorno, ela é perfeita dentro do seu universo, mesmo que com algumas características que destaquem potenciais que nem todo mundo vai ter.
Digamos que os detalhes de nossa trajetória são as peças que constroem um pouco de nós, embora nada nos impeça de buscarmos ser melhores todos os dias, levando nossas cicatrizes como marcas que fizeram parte do caminho.
Zen reencontra seu pai e eles ficam juntos no final. Sobre sua mãe? Ela falece ao tentar proteger o pai de Zen em um confronto com o chefe da máfia. A jovem torna-se uma justiceira nata. Enfrentou a vida por amor, sendo moldada pelas adversidades. Seus transtornos são sua essência. Suas imperfeições são a sua perfeição. E assim como o filme termina:
“No mundo real nenhuma vida pode ser perfeita… uma coisa pode tornar as coisas menos imperfeitas. E o que leva a vida quase à perfeição é o amor.”
Por amor não vemos imperfeições, mas uma extensão de nós mesmos…
Por Daniele Souza